Review: It's Always Sunny in Philadelphia s11e03 – “The Gang Hits the Slopes” | Cinema de Buteco
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Review: It’s Always Sunny in Philadelphia s11e03 – “The Gang Hits the Slopes”

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Pelo menos uma vez por ano, os roteiristas de It’s Always Sunny In Philadelphia forçam seus personagens à saírem de suas zonas de conforto, exatamente para nos mostrar como eles funcionam no mundo real, fora do quartel general que é o Paddy’s Pub. Esse ano acertaram, e acertaram em cheio. Não vejo um episódio “out” tão marcante assim desde o de Jersey Shore. A capacidade de estar sempre se renovando e arriscando coisas novas é o que manteve esse show vivo por 11 anos. Se por um lado nos faz muito bem adentrarmos na terra das recordações do show, por outro é muito bom quando somos surpreendidos por algo diferente e genial.

O tema escolhido para o episódio foi fazer uma sátira dos filmes de esqui dos anos 80, que nem eu sabia que existiam tantos até esse episódio me despertar a curiosidade. A dinâmica consistiu então em transportar a gangue para as montanhas e dar a eles funções que normalmente personagens destes filmes teriam, claro que com um twist “sunny”. Após uma breve introdução, deixando bem claro que Charlie não sabia esquiar, a gangue foi dividida no clássico esquema comédia dos anos 80, os descolados vs. os snobes. Dee, Mac e Charlie ficaram com o povão e quem se juntou à Frank para ser o grande vilão da história, não poderia ser ninguém menos que Denis, que fez uma sátirica bem caricata ao vilão de Loucademia de Esqui.

Por falar em Loucademia de Esqui, quão surpreso eu não fiquei ao ver Dean Cameron aparecendo em cena. Se tem uma coisa que podemos ter certeza, é que quando os roteiristas de “sunny” resolvem investir em uma referência, o investimento é pra valer. O ator voltou para fazer o mesmo papel abobalhado que fez há quase trinta anos atrás, só que com o twist de que na idade dele já não parece mais tão descolado assim. O personagem vai rapidamente de descolado à agressor sexual, mostrando que no mundo atual, nem todas os fatores que eram comédia e nos faziam rir há trinta anos atrás são mais tão adequados assim. Ainda nas referências oitentistas tivermos a participação de Courtney Gains diretamente de Colheita Maldita e De Volta para O Futuro.

Voltando para gangue, Glenn Howerton fez mais um episódio impecável, com Dennis incorporando o grande vilão com sua equipe suíça de esqui, confesso que até memórias de Jamaica Abaixo de Zero me vieram à mente. Frank funcionou como um catalizador, para dar um roteiro a história. E Dee e Mac estavam hilários no time dos descolados, se chocando a cada novo surto de insanidade de Drisko. E olha que o negócio tem que ser bem pesado para chocar esses personagens, que por algum motivo, apesar de abismados, deixavam tudo passar, afinal de contas eram “Mountain Rules”. Cenas como Drisko querendo meter o pau no buraco do banheiro, e Mac rindo de tudo sem entender nada, já valeram todo o episódio para mim.

Enquanto isso Charlie foi jogado dentro do episódio, muito parecidamente como você e eu que, sem nenhuma referência de filmes de esqui dos anos oitenta, nos sentimos tão perdidos quanto o personagem ao ver que as regras de bom senso do universo cotidiano não se aplicavam nas montanhas. E como parecia que por lá as coisas funcionavam diferente, porque não fazer Charlie se dar bem uma vez na vida para variar? As cenas explicitas de sexo do personagem com Tatiana foram divertidíssimas e lembraram muito outra referência cinematográfica de esqui da mesma época: Aspen Extreme.

São obras como este episódio, nessa impecável jornada de 11 anos do show, que nos motivam a continuar sempre esperando o próximo episódio, com a mesma empolgação de anos atrás. It’s Always Sunny In Philadelphia é feito por quem gosta de cinema e tv, as referências do show são as mais peculiares e menos óbvias possíveis, e a forma como eles lidam com as mesmas, com a gangue nos conduzindo nesse mundo, gera um interesse muito espontâneo em seu telespectador. Por esses motivos a série continua sendo uma das melhores comédias televisivas após tanto tempo.

Jairo Borges