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Batman – O Cavaleiro das Trevas

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Como começar a falar do filme mais ansiado do ano? Quero enfatizar que fui ao cinema nua em relação ao filme. Vários comentários foram feitos, até o final me contaram (né?), mas queria levar um olhar “virgem”, pronto a absorver cada detalhe.
Mas isso foi só pra introduzir.

A história nem precisa comentar, todo mundo tá cansado de saber. Falar da atuação de Heath Ledger então, é até clichê. (apesar de ser importante pro que quero escrever).

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Quero realçar o lado psicológico. O que é o Coringa? Por quê ele surge? De onde? Com que finalidade? E principalmente, o que ele causa?
Começando pelo “o que”, vou usar suas próprias palavras: “Eu sou um agente do caos”. Com isso, responde-se o “por quê”. CAOS. É exatamente isso que ele provoca na pseudo-pacata Gothan City. Pseudo, por aparentar uma paz, por esconder um Batman aparentemente abatido ao ver seu grande amor, Rachel Dawes (antes na pálida atuação de Katie Holmes, agora na atuação presente de Maggie Gyllenhall) nos braços de Harvey Dent/Duas Caras, o promotor/vilão.

É nesse contexto de pseudo-calmaria que entra o Coringa. De onde veio, ninguém sabe ao certo. (Na verdade, os fãs dos quadrinhos com certeza sabem, mas isso não importa aqui). Provavelmente de um manicômio sádico. Com o propósito de causar medo e terror em Gothan City, ele reúne-se com a máfia, que tem “interesses em comum”: destruir o Batman. Mas será que é esse o objetivo do Coringa? Não. O Coringa não vive sem o Batman. Digamos haver uma dualidade: o Coringa pode ser comparado ao lado sombrio, ele desperta o lado “negro” (ahá, daí Cavaleiro das Trevas) até então adormecido no morcego. Mas o que provoca o Batman no Coringa? Sua obigatoriedade para com as regras, leis e normas faz com que o nosso vilão imponha uma nova sociedade, onde a única regra é: não há regras. O que gera? ANARQUIA. MEDO.

Grandes déspotas, como Hitler, Khan, Tse-Tung, por exemplo, usaram dessa grande e poderosa ferramenta psicológica: o MEDO. Ele vem como conseqüência de um grande plano, claro. Do meu lado, a recompensa será excelente. Mas contra, coma o pão que o diabo amassou. O Coringa, porém, não está do lado de ninguém. Ele age sozinho, instigando seu comportamento, influenciando os descontentes com a atuação do Batman. E ele consegue. Um grande “exército” do CAOS é formado, e o Coringa dá o seu perfeito ultimato: ou o grande morcego dá as caras, ou a cada dia uma nova pessoa será morta.

BINGO. Bruce Wayne experimenta o pior dos dilemas da sua vida: fazer com que a integridade do Batman seja mantida, e agir contra o relógio para pegar o Coringa, ou se expor, mostrando a fraqueza de um Batman abatido e com medo? Tic tac, tic tac.

Paralelamente à essa fraqueza do Batman, aparece o rosto da esperança do povo. Harvey Dent atua como o herói, a força da reviravolta, prestes a acontecer a qualquer momento.

Porém, mais uma vez (ele não se cansa!), o Coringa atinge o ponto fraco do Batman: percebendo a “queda” do morcego pela noiva de Dent, e a esperança que o próprio passa pro povo, ele trama um plano, em que, ou salva-se um, ou salva-se o outro. E agora? O grande amor, ou a fé de uma nova Gothan City?

O Coringa, mente perturbada mas astuta, já sabe a escolha feita, e já sabe as conseqüências disso. E o que ele faz? Cria um monstro! GENIAL! Com isso, ele prova que qualquer pessoa está a um triz da insanidade, bastando um ato de extrema pressão para que ela escolha a loucura como válvula de escape. Surto + sede de vingança = descontrole. Certo? Nesse momento, o Batman consegue “escapar” desse destino. De Harvey Dent não pode se dizer o mesmo.

Para concluir, o visual sujo, repugnante, desgrenhado do Coringa se opondo ao visual polido e certo do Batman completa essa dualidade. (Diferente do ex-“eterno” Coringa, Jack Nicholson, que mostrava um visual correto, e fazia um personagem menos demente, mais “humorístico”, além de sua cicatriz ter uma origem diferente.) “-Já te contei como consegui essa cicatriz?”. O rosto maquiado, os cabelos tingidos e uma cicatriz com origem duvidosa, fora a atuação maravilhosa de Heath Ledger, dão ao novo Coringa o ar psicótico e sombrio tão temido e adorado. E a indiferença à dor? Seria um tipo de masoquismo? Não, a invulnerabilidade foi conquistada pelo prazer em saber que está transmitindo esse caos, que está sendo eficiente. É LINDO isso! Não foi atoa que o personagem atingiu tanto o psicológico do ator, morto antes da estréia, numa overdose “acidental”.

E a moral? “Why so serius?”. Vamos enxergar graça nas desgraças, ter uma nova visão positiva da vida. Afinal, certeza é só a morte! Altamente recomendável, melhor filme do ano no momento (na minha humilde opinião).

Ps: postado originalmente no Sessão Curuja