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72 Horas

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Geralmente somos surpreendidos com histórias românticas disfarçadas de thrillers recheados de mistério e intrigas. Na maioria dos casos, essas surpresas acabam não sendo muito bem vindas. Ninguém gosta de comprar gato por lebre ou descobrir que aquela empadinha de frango é na verdade uma empada de camarão. Ou então, para falar na linguagem do buteco, você não compra uma Brahma para tomar uma Skol, certo? Felizmente o filme estrelado por Russell Crowe é de uma simpatia enorme e fica difícil não se render.

Verdade seja dita, em 72 Horas o ator Russell Crowe parece dar vida novamente aos seus personagens de Uma Mente Brilhante e Um Bom Ano (dadas as devidas proporções e contextos, obviamente). Isso não significa que a atuação dele seja fraca ou que ele não consegue fugir de outros personagens, mas não dá para evitar as comparações. Crowe é um excelente ator e consegue dar vida para personagens que se dividem entre a simplicidade e complexidade.

Dirigido por Paul Haggis (Crash), o longa nos mostra a história de uma mulher que é presa com a suspeita de ter assassinado a chefe. Acreditando na inocência da esposa e contrariando todas as recomendações familiares e dos advogados, John fica determinado a encontrar uma forma de fazer a esposa escapar e organiza uma minucioso plano para a fuga. Apresentado dessa forma, até parece que o remake do filme francês Pour Elle é apenas mais uma trama de suspense de fazer inveja aos mirabolantes planos de Michael Scofield do seriado Prison Break , de Clint Eastwood em Fuga de Alcatraz ou até mesmo do péssimo Conduta de Risco (aquele com o Gerard Butler). Mas 72 Horas é bem mais e supera todos os obstáculos ao mostrar de uma forma sensível, todo o amor e devoção do personagem de Russell Crowe com sua esposa Lara (interpretada por Elizabeth Banks).

Raras são as vezes que romances conseguem entregar tantas doses de suspense (ou seria o contrário?) e não cair no ridículo. Com a direção de Paul Haggis fica mesmo difícil imaginar que algo desastroso seja possível, mas nunca se sabe. Recomendo feliz com três caipirinhas para ninguém ficar com muito doce na boca.