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O Melhor de Leonardo DiCaprio

Leonardo DiCaprio

Leonardo DiCaprio é mais do que um ator bonito, mas parece que ainda existem pessoas que subestimam o seu trabalho apenas por levarem em conta a sua beleza. Mesmo em Titanic, obra que o transformou em um dos nomes mais conhecidos do cinema moderno, é possível perceber seu talento sob a direção firme de James Cameron. Depois disso, DiCaprio conheceu Martin Scorsese, e passou a ser respeitado pela parcela do público que permanecia duvidando de seu trabalho, mesmo com ele provando ser um ator competente. Foram quatro filmes em sequência (Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados e Ilha do Medo – dos quais apenas o primeiro não aparece na lista abaixo) ocupando o lugar que já havia pertencido a ninguém menos que Robert de Niro entre a década de 70 até os anos 90.

A parceria com Scorsese rendeu bons frutos para DiCaprio, que logo assinou para trabalhar com Ridley Scott, Sam Mendes, Steven Spielberg, Danny Boyle, e Christopher Nolan. O ator foi indicado ao Oscar em três ocasiões (Gilbert Grape; O Aviador; e Diamante de Sangue), mas ainda não conseguiu o devido reconhecimento da Academia.

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O Cinema de Buteco é só um blog feito por pessoas que amam o cinema, mas se dependesse da gente, DiCaprio já teria vencido pelo menos por Ilha do Medo – e olha que ele nem foi lembrado para prêmio nenhum por conta desse filme em especial. Sem Oscar, mas com muito amor no coração, nós convidamos o Kelson Douglas, editor do blog Altamente Ácido, e então selecionamos 10 filmes que mostram o melhor da carreira do ator até o vilão Calvin Candie, em Django Livre, de Quentin Tarantino. Algumas das  descrições incluem spoilers, então cuidado. Divirtam-se:

1 – Os Infiltrados

Martin Scorsese é conhecido por fazer filmes de mafiosos, e mesmo achando essa classificação injusta assumo que ele os faz muito bem, e um ótimo exemplo disso é Os Infiltrados. Na obra, temos um policial (DiCaprio) infiltrado no crime e um criminoso infiltrado na corporação policial. É tudo muito tenso, principalmente por se basear na estratégia de cada instituição procurar e esconder o seu agente duplo. Bastante engenhoso. Essa história jamais funcionaria sem as excelentes atuações do formidável elenco, especialmente DiCaprio, que demonstra maturidade na pele de um homem dividido e que corre sérios riscos. (João Golin)

2 – A Origem

Ainda que não seja o melhor filme de Leonardo DiCaprio, na minha opinião, vale ressaltar, A Origem é uma daquelas obras em que você tem a certeza de que o garoto bonito realmente é muito mais do que a beleza: ele é um ator sensacional, daqueles que chapam a sua cabeça. Literalmente, no caso do filme de Christopher Nolan. Parte da boa recepção para a atuação sofrida de DiCaprio está na lembrança de Ilha do Medo, cujo personagem também possui uma história negativa e ficou completamente abalado por seu passado. Podemos dizer sem medo que mais da metade dos méritos de A Origem está na atuação de DiCaprio e no seu caótico relacionamento com Marion Cotillard. (Tullio Dias)

3 – Ilha do Medo

Acredito que um bom ator nos faz acreditar nele, na verdade do personagem que interpreta. Melhor ainda se aquela verdade, a qual passamos a acreditar logo nos primeiros instantes da transmissão não é bem aquilo ao fim do filme. E se, mesmo assim, o personagem continuar transmitindo verdade, coerência, ponto para o ator. Leonardo DiCaprio é assim em Ilha do Medo (2010), com o personagem Teddy Daniels, um delegado federal que aporta em uma ilha/manicômio para investigar o desaparecimento de uma paciente. Enquanto Daniels desconfia de tudo e acredita que nada é o que parece ser, DiCaprio leva o espectar a se envolver em um mundo onde fantasia e realidade estão entrelaçadas e consegue explicitar bem a angústia do personagem, perdido entre esses dois mundos. (Aline Monteiro)

leonardo dicaprio

4 – Prenda-me Se For Capaz

Prenda-me Se For Capaz é, em uma analise mais fria, a história de um grande falsário que deu um prejuízo para diversas pessoas. Muito inteligente em humanizar o personagem e mostrar que ele não tem intenções ruins, embora cometa atos ilegais, o personagem Frank Abagnale é bem interpretado pelo Leonardo DiCaprio. Sempre simpatizamos com o personagem, apesar de seus delitos, e a relação dele com o agente policial interpretado por Tom Hanks é simplesmente genial e emocionante. Certamente uma das melhores atuações do DiCaprio, que injustamente ainda costuma ser subestimado. (João Golin)

5 – Foi Apenas Um Sonho

Numa sequencia de filmes de sucesso com Os Infiltrados, Diamante de Sangue, Rede de Mentiras, Ilha do Medo e A Origem, a atuação de Leonardo DiCaprio em Foi Apenas Um Sonho costuma não ser lembrada. O longa-metragem é uma adaptação do romance de Richard Yates (Revolutionary Road) por Sam Mendes, onde DiCaprio reedita a parceria com Kate Winslet (que ganhara o Oscar naquele ano por sua atuação em O Leitor) em alto nível. Se em Titanic o jovem casal ganhou o mundo com sua gelada história de amor – ok, piadinha infame – em Foi Apenas Um Sonho mostram que a idade fez bem aos dois. Com uma atuação segura e sem maneirismos, DiCaprio mostra todo seu potencial em papéis dramáticos ao encarnar Frank, mostrando seus sonhos em acreditar em todo o potencial que a vida pode proporcionar e a decadência ao  mergulhar em um mundo de intrigas e frustrações, criando (juntamente com Winslet) um retrato da sociedade norte-americana de classe média dos anos 50. Particularmente é uma das minhas atuações preferidas de DiCaprio. (Fabricio Carlos)

6 – Romeu + Julieta

DiCaprio era um filé de borboleta em 1996, um ano antes de estourar (ainda mais) com o blockbuster dos blockbusters, Titanic. Mas foi neste ano que o cara conseguiu lugar cativo em todas as paredes e portas de guarda-roupa das garotinhas com Romeu + Julieta, versão urbana e estilozíssima do clássico MilkShakespeareano comandada por Baz Luhrmann. Mesmo com toda pinta de galãzinho, o ator mostra que não é apenas um rostinho bonito e entrega uma belíssima interpretação, claro, muito ajudada também pela estética suja de Luhrmann. Tinha tudo para ser só mais um “chick flick“, mas termina sendo um puta filme para meninos e meninas. (Kelson Douglas)

7 – Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador

Quem fala que Leonardo DiCaprio era apenas um rostinho bonito de sucesso adolescente que foi aprimorando seu talento obviamente não viu seus primeiros filmes. Em 1993, em seu quarto longa e com apenas 18 anos de idade, Leo interpretou o deficiente mental Arnie em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, do grande Lasse Hallström. Mesmo sendo o coadjuvante de outro rostinho bonito que era muito (MUITO) mais bonito e popular na época, Johnny Depp, Leo conseguiu conferir a inocência e sensibilidade necessária ao personagem, sem o tornar excessivamente fragilizado já que a história, de um rapaz que precisa cuidar do irmão caçula doente e da mãe obesa ao mesmo tempo, já era delicada por si só. O resultado deu tão certo que o filme resultou em uma indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para DiCaprio. (Larissa Padron)

gilbert grape leonardo dicaprio 8 – O Aviador

Que DiCaprio havia amadurecido, ele já vinha mostrando pelo menos desde Gangues de Nova York, sua primeira colaboração com o diretor Martin Scorsese, em 2002. Mas foi dois anos depois, no papel de Howard Hughes, o magnata da aviação, que ele soube utilizar esse amadurecimento para interpretar uma personalidade famosa, rica e admirada, mas assombrada pelo próprio interior. Nos 20 anos em que se passa a história, vemos um homem ir de sonhador a excêntrico e recluso em uma transformação que acontece visivelmente para o espectador, mas que pouco depende da maquiagem. É nos olhos e na voz do ator, cujo trabalho inclui um sotaque sempre competente, que Howard vai do diretor de Hell’s Angels, a dono da TWA, a um homem dominado pelas próprias fobias. Mas o transtorno obsessivo compulsivo não define o Hughes de DiCaprio. Ele é, principalmente, um homem apaixonado pelos ares e pelas mulheres, obstinado a conseguir o que queria – fosse conquistar uma das beldades de Hollywood ou a proeza de fazer voar uma aeronave de proporções jamais vistas antes. Novamente nas mãos de Scorsese, ele deu vida a uma lenda e construiu um personagem inesquecível. O papel em O Aviador rendeu a Leonardo DiCaprio sua segunda indicação ao Oscar. (Nathália Pandeló)

9 – Diamante de Sangue

Pela terceira vez indicado e pela terceira vez esnobado pela Academia, em Diamantes de Sangue, Leo vive o traficante de pedras preciosas Danny Archer, personagem que consolida DiCaprio como um dos atores profissionais que sempre morrem em cenas finais. Contando ainda com a bela interpretação de Djimon Hounsou, o filme acabou tendo um hype maior do que deveria no Brasil, país aonde o longa acabou ganhando também uma sobrevida de respeito nas locadoras e nas vendas de homevideo. Ainda que um pouco falho, Diamante de Sangue foi uma das produções responsáveis, ao lado de Os infiltrados e O Aviador, por tirar o estigma de bom moço de cima do nome de DiCaprio. E só por essa, o filme já se vale.  (Kelson Douglas)

10 – A Praia

Um de seus primeiros filmes após o estrondoso sucesso de Titanic, a produção dirigida por Danny Boyle causou polêmica por conta da substituição de Ewan McGregor (parceiro antigo de Boyle) pelo rosto do jovem ator que possivelmente atrairia milhares de fãs para as salas de cinema. A Praia divide opiniões, mas é um belo retrato da tentativa de DiCaprio em não deixar a imagem de galã o transformar em um daqueles atores que ficam presos a apenas um tipo de personagem. Sem se preocupar com o politicamente correto, Richard é viciado em adrenalina, usa drogas, rouba a namorada do amigo, transa com outra mulher, arruma encrenca com os perigosos traficantes da ilha, enfim… ele é um sujeito curioso. (Tullio Dias)

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