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#RetrospectivaButeco – As melhores adaptações literárias de 2015

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2015 foi um ano repleto de adaptações literárias em Hollywood. Enquanto a trilogia 50 Tons de Cinza chegou às telonas, este também foi o ano de nos despedirmos da distopia adolescente Jogos Vorazes. Confira a seguir a lista com as melhores adaptações literárias de 2015:

Para Sempre Alice:

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Ler Para Sempre Alice e não ficar com um nó na garganta é praticamente impossível. O primeiro romance da escritora Lisa Genova é tão bem escrito, sensível e repleto de detalhes sobre a doença, nomes de medicamentos, quais os tratamentos existentes, que só poderia ser escrito por uma ph.D em neurociência pela Universidade de Harvard. Sim! A adaptação não deixa nada a desejar e é impossível dizer se o filme é melhor que o livro e vice-versa. “Para Sempre Alice é um belo filme sobre família e amor e mostra com sinceridade e realismo o impacto de uma severa doença nas relações entre pessoas próximas. O elenco está formidável, especialmente Moore, que nos convence em cada cena com a mudança de comportamento da protagonista; a oscilação de sorrisos e falas perfeitas para choros e quase que nenhuma capacidade de fala…geniais!” (Dani Pacheco)

Cidades de Papel:

O fenômeno pop da literatura John Green alcançou o auge de sua carreira na bem sucedida adaptação de A Culpa é das Estrelas, no ano passado. Para não deixar os fãs esfriarem os ânimos, os mesmos produtores trataram de acelerar a produção de Cidades de Papel, que possivelmente é a segunda melhor obra da carreira do escritor (Quem é Você, Alaska? continua imbatível). Não quero entrar no mérito das cruéis comparações, mas a Margot do cinema em nada me convence de ser uma pessoa tão especial e apaixonante para mudar tanto a vida de nosso herói, ao contrário do que ocorre no original. Existem muitas cenas divertidas e Cidades de Papel é uma adaptação razoável, mas bem aquém do esperado… (Tullio Dias)

Lugares Escuros:

Vendido como “da mesma autora de Garota Exemplar”, Lugares Escuros não passou pelos cinemas brasileiros e não fez tanto alarde quanto a adaptação dirigida por David Fincher. Se você foi como eu e estava com grandes expectativas depois do arrebatador Garota Exemplar, Lugares Escuros pode tê-lo decepcionado. O filme conta o drama de Libby Day (Charlize Theron), que ficou famosa por sobreviver a um massacre dentro de sua própria casa, quando ainda era criança. Com temática envolvendo rituais satânicos, drogas e problemas familiares, acreditamos que o filme deixou de explorar todo o mistério retratado no livro, desempolgando logo de início. Se você ainda não assistiu Lugares Escuros, assista como um simples suspense. Evitando a decepção e grandes comparações com o único Garota Exemplar.

50 Tons de Cinza:

E não é que livro ruim pode gerar um produto um pouco melhorado? Longe de querer defender 50 Tons de Cinza, mas a minha opinião é de que precisa ter visto muito pouco filme demoníaco em 2015 para crucificar a adaptação do best-seller conhecido como o pornô da mamãe como um dos piores lançamentos da temporada. Ou então ser contra a filosofia do “tapinha não dói” ou de achar que pessoas abusivas e com jeito peculiar de amar não podem ter o direito de se envolverem com alguém com algum tipo de atraso intelectual. De qualquer forma, não estou aqui para defender 50 Tons de Cinza, mas para lembrar que na falta de Crepúsculo, foi o romance de Christian Grey e Annabelle Steele que arrastou milhares de pessoas ávidas por cenas de sexo explícito comportadinho para os cinemas. Sinceramente? Quem reconhece o ridículo do sexo e de como ficamos nessa fase de conquista deveria abrir o coração e aceitar toda essa besteira e ser feliz. (Tullio Dias)

Aliança do Crime:

O livro que serviu de inspiração para o filme narra a vida do lendário gângster James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais cruéis e notórios da história dos Estados Unidos. Considerado em certa época o segundo nome na lista de mais procurados do FBI, Bulger construiu um impressionante império do crime. Na década de 1980 ele aterrorizou a cidade de Boston praticamente sem ser importunado pela lei. Escrito por dois ex-repórteres que cobriram o caso, o livro é uma narrativa épica de pura violência, trapaça e corrupção, cujo ponto central é a amizade entre dois garotos cujas vidas seguiram caminhos opostos, porém igualmente nebulosos. “Aliança do Crime diverte os fãs do gênero e é extremamente competente em inserir-nos num universo verossímil, obscuro e ameaçador. Se tomasse um pouco mais de cuidado com sua construção dramática, seria um ótimo exemplar do gênero “filmes de gangster”.” (João Marcos Flores)

Homem-Formiga:

Quando a Marvel se arriscou em Hollywoood com Homem de Ferro não tinha muita ideia do que esperar. Afinal de contas, hoje é até difícil de acreditar, Tony Stark era um personagem com pouco apelo comercial em comparação com Homem-Aranha, Wolverine e até mesmo o Capitão América. A aposta deu certo e Stark se tornou a menina dos olhos da Marvel. O estúdio se aventurou ano passado com Guardiões da Galáxia e agora trabalhou mais uma vez com um herói menos popular como o Homem-Formiga. O resultado é mais uma aventura eletrizante que muitos consideraram como o grande feito da Marvel até então. (Tullio Dias)

Perdido em Marte:

A obra de Andy Weir fez com que Ridley Scott adiasse seu projeto de realizar a continuação de Prometheus para adaptar este sucesso literário às telas. “O grande trunfo do filme, como também aconteceu com Gravidade de Alfonso Cuarón, é ir além da mera história de sobrevivência como Mar Aberto, 127 Horas, Náufrago e tantos outros. A partir da situação hostil inicial que o astronauta se encontra, uma sequência de acontecimentos se desenrola em ótimas cenas de ação, suspense, drama e até comédia sarcástica com as inúmeras referências à cultura popular de nosso tempo e ao atual estágio de exploração de Marte.” Também vale mencionar a incrível trilha sonora do filme! (Leonardo Carnelos)

Livre:

Livre conta a estória verídica de Cheryl Strayed, que com 22 anos perdeu a mãe para o câncer. No primeiro capítulo já podemos nos emocionar bastante e sentir as dores de Cheryl. Com uma excelente narrativa, o livro nos faz chorar, refletir e faz jus ao “um dos melhores da última década”, segundo Nick Hornby.  “Livre pode até não contar uma história particularmente original, mas apresenta uma personagem complexa e tridimensional que, se não conquista nossa simpatia logo de cara graças a suas decisões irresponsáveis e, principalmente, à maneira arrogante e cruel com que trata não apenas do enorme impacto emocional que as tragédias que a vida colocou em seu caminho lhe causaram, mas também do inevitável processo de transformação com o qual a mesma vida lhe presenteou.” (João Marcos Flores)

O Sétimo Filho:

O filme O Sétimo Filho é a junção do primeiro e segundo volume da série “As Aventuras do Caça-Feitiço”. A obra é uma fantasia leve e divertida que narra a estória de Thomas Ward, um garoto de 13 anos. E nas terras onde vive, isso é o dom para ser um caça-feitiço. O Sétimo Filho é uma aventura divertida que não se deu muito bem na adaptação. Os fãs da série acharam o filme muito distorcido da obra original (o que não é nenhuma novidade).

No Coração do Mar:

Uma certa aposta para o Oscar 2016, No Coração do Mar é mais uma histórias com sobreviventes de naufrágios. Baseado na história real que inspirou Moby Dick, o filme surpreendeu aqueles que estavam com baixa expectativa. O grande e descritivo Moby Dick, de Herman Melville é narrado por um jovem marinheiro chamado Ismael (o alter-ego de Melville). Ele relembra a trágica caçada do capitão Ahab a Moby Dick, uma descomunal baleia branca tida como a mais perigosa de todas as cachalotes, visto que sobreviveu a dezenas de ataques e traz no corpo diversas cicatrizes e até pedaços de arpão.

Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 2: 

A saga chegou ao fim respeitando a trama do livro, mas acabou sendo desnecessário ser dividido em duas partes. Com um inicio lento e arrastado, A Esperança ganha anima e surpreende os espectadores nas partes de ação bem produzidas e no final, o desfecho é óbvio, mas agrada fãs da saga. A trama do livro é tratada com respeito, sem invenções. Uma ou outra morte  choca algum desavisado, mas quem é mais fã dos filmes do que dos livros vai ficar entediado. Em A Esperança – Parte 2 Katniss Everdeen é enviada ao Distrito 2 pela presidente Coin. Lá ela ajuda a convencer os moradores locais a se rebelarem contra a Capital. Com todos os distritos unidos, tem início o ataque decisivo contra o presidente Snow.

https://www.youtube.com/watch?v=0al2icizjqY

Mapas para as Estrelas: 

“Cronenberg discute na telona o mundo não tão glamoroso de Hollywood, expondo jogos de política, falsidade, drogas e sexo, os quais envolvem tanto artistas experientes quanto novos (menção de nomes como Demi Lovato, Oprah e Harvey Weinstein estão no meio). A questão da família também aparece, mas talvez de um modo que nem todo mundo goste de ver. Isto porque a relação entre Havana e Clarice era terrível, algo que se repete com Benjie e seus pais, e ver um abismo tão grande entre parentes é difícil. E como isso é retratado na película não ajuda em nada: alucinações, gritarias, brigas e tragédias aparecem ao decorrer da história.” (Dani Pacheco)

Vicio Inerente:

“Baseado no romance de Thomas Pynchon (roteirista do filme junto do diretor, Paul Thomas Anderson), o enredo, ambientado em 1969, conta a trajetória de Larry Sportello (Joaquin Phoenix, Ela), mais conhecido pelas pessoas de Los Angeles como Doc. Ele é um detetive particular bem diferente daqueles que estamos acostumados a ver. Doc é um hippie viciado em maconha, que recebe a tarefa de descobrir o desaparecimento do bilionário Mickey Wolfman (Eric Roberts, Batman – O Cavaleiro Das Trevas). Após começar a investigação sobre o bilionário, Doc abre um leque de descobertas no qual há outras pessoas desaparecidas, inclusive sua ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine Waterston, Frank e o Robô). Agora cabe a Doc conseguir descobrir o que realmente está acontecendo, sem que se prejudique pessoalmente.” (Arthur Lopes, em Filmes e Games. Clique aqui para ler o artigo completo)

Kingsman:

“Nova parceria de Vaughn com a co-roteirista Jane Goldman, com quem o cineasta britânico fez os ótimos Stardust, Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe, Kingsman se propõe a ser um misto de homenagem bem humorada e paródia dos filmes de espionagem (especialmente aqueles que envolvem as agências britânicas), bebendo da fonte e ao mesmo tempo fazendo piada com obras que vão das franquias 007, Missão: Impossível e Bourne e da série 24 Horas, obviamente fundadas no absurdo e na fantasia, a longas mais sérios e realistas como Chamada Para um Morto, Carta ao Kremlin e O Espião Que Sabia Demais – e a grande decepção que os dois primeiros atos do longa proporcionam se deve ao fato de que não são apenas os alvos de seu humor negro que soam datados, mas também suas próprias piadas, que tratam como surpresa uma série de gags batidas que fariam muito mais sucesso se estivéssemos nos anos 90.” (João Marcos Flores)

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