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Crítica: A Rocha (1996)

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A rocha poster critica do filme a rochaO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A Crítica de A Rocha possui spoilers e você não precisa se preocupar com isso. Aprecie sem moderação.

COMECEI A FREQUENTAR AS SALAS DE CINEMAS EM 1996 e A Rocha (The Rock, 1996) foi uma das minhas primeiras experiências cinematográficas em grande estilo. Na época, claro, não tinha como ter uma opinião formada sobre o estilo de Michael Bay ou os trejeitos bizarros de Nicolas Cage, e é curioso sentir que mesmo depois de tantos anos, a obra ainda é garantia de entretenimento.

Ainda que suas quase duas horas e meia sejam exageradas e desnecessárias, fruto da megalomania de seu diretor, A Rocha é um produto completo que não desanima seu público ou perde seu ritmo enveredando por sequências ou narrativas descartáveis. É tudo redondinho como aquele slogan de uma cerveja bem quadrada.

Nicolas Cage interpreta um especialista bioquímico que é levado para uma missão ao lado de um bando de soldados super treinados para invadir a prisão de Alcatraz, que foi tomada por um grupo de mercenários, e precisa evitar que uma poderosa arma química seja detonada e acabe com 80 mil pessoas nas redondezas de São Francisco.

Ainda acho esquisito pensar na função de um cientista numa trama dessas, mas quem se importa? É um filme do Michael Bay, porra!

Como cereja do bolo temos a participação super especial de Sean Connery, que interpreta um dos únicos homens que conseguiram escapar da famosa prisão. Bay presta uma homenagem e tanto ao ator, e também ao mundo do cinema, quando retrata esse personagem como uma espécie de James Bond que é capturado por saber demais. As cenas iniciais apresentando Connery mostram relances de seu rosto e corpo antes de apresentar o personagem completamente para o público.

O longa-metragem possui uma mensagem patriota boboca com uma trilha sonora piegas para embalar os momentos em que os agentes são assassinados friamente. É como se a queda deles representasse o fim do sonho americano e da esperança. Acho que deve funcionar se você for norte-americano, mas para mim foi apenas uma punheta que fica ainda pior durante o momento em que o vilão relutante vivido por Ed Harris morre e cai em slow motion.

É engraçado prestar atenção numa sequência de perseguição de carro que acontece durante a tentativa de fuga de Connery. Desafio você a tentar contar o número de cortes que toda a sequência possui. Ainda que seja bem filmada e produzida, é difícil não ficar zonzo com a forma que Bay enxerga o mundo.

A Rocha é uma diversão em forma de ação que consegue agradar em cheio aos mais variados públicos, pois não exagera na violência ao mesmo tempo em que entrega um senso de humor ligeiro e eficiente para agradar quem não está acostumado com esse estilo do seu diretor. Provavelmente, A Rocha merece um lugar especial na filmografia de Michael Bay, mas eu gosto de implicar mesmo quando não existem realmente motivos para reclamar do seu trabalho.

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