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Infiltrado na Klan (2018)

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Melhores filmes de comedia de 2018 - infiltrado na klan crítica de infiltrado na klanO Cinema de Buteco adverte: A crítica de Infiltrado na Klan possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

SPIKE LEE É UM DAQUELES CINEASTAS QUE AINDA NÃO TINHAM CONQUISTADO A MINHA ATENÇÃO. Provavelmente por um pequeno ranço numa questão em que o diretor criticou abertamente Quentin Tarantino. Eu costumo tomar partido quando as coisas que gosto entram em conflito. Por exemplo, depois que virei fã de Nirvana, raramente ouvi Guns n’Roses. Eu seria fã da Sandy e Jr. ao invés da Wanessa Camargo, se fosse o caso.

De qualquer forma, a verdade é que Infiltrado na Klan, longa que está entre os filmes indicados ao Oscar 2019, conta uma daquelas histórias irresistíveis baseadas num evento real e fica impossível não se divertir diante a imensa quantidade de absurdos presentes na obra estrelada por John David Washington (sim, ele é um Washington son… HAHAHAHA) e Adam Driver.

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O filho de Denzel Washington interpreta Ron, um policial negro que se infiltra na organização criminosa KKK usando apenas ligações telefônicas e depois envia o policial judeu Flip para os encontros presenciais com os racistas pirados. Lembra da parte em que Infiltrado na Klan é uma história real? Pois é.

Se contando já parece surreal, a experiência de assistir ao filme indicado ao Oscar 2019 com 6 nomeações, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, torna tudo ainda mais bizarro. A narrativa flui com uma naturalidade digna daquelas confusões que a gente se mete quando está num dia de azar e distração. Sentimos o tempo inteiro que tudo vai dar errado a qualquer momento, mas nunca acontece. É a autêntica representação da tranquilidade na linha do caos.

Existe uma sequência com uma mensagem para homenagear Martin Luther King e outros líderes que lutaram contra o racismo. Ainda que pareça um pouco perdida do restante da narrativa, é muito forte ver a câmera filmando Kwame Ture (Corey Hawkins) em um discurso inspirador. Especialmente porque Lee mostra o quanto as palavras inspiram ao focar no rosto do público e seus olhos brilhando por ouvirem algo que lhes dá calma, esperança e coragem.

Uma das minhas cenas favoritas é quando um dos racistas descobre a verdade sobre Flip e Ron. O momento é hilário porque as expressões do personagem ao descobrir que foi feito de otário são impagáveis. O mesmo pode ser dito quando o ator Topher Grace, que banca o líder da KKK, conversa pela última vez com Ron e percebe que foi enganado por um negro. Fica mais engraçado por conta de uma conversa entre os dois personagens no meio do filme.

Os minutos finais de Infiltrado na Klan apresentam cenas reais de movimentos de supremacistas nos EUA. São momentos realmente assustadores que elevam o sentimento de revolta presente naquela cena em que o chefe da polícia obriga os policiais a destruírem todas as evidências das investigações.

O que Spike Lee faz de forma cruel é mostrar que mesmo após lutar pela justiça e contra tudo que há de errado, no final das contas, existem forças superiores que parecem demonstrar interesse em manter tudo exatamente como é. Como se fosse uma luta interminável em que os vencedores não são exatamente os heróis que torcemos.

PS: Impossível não recordar o que aconteceu com o cineasta James Gunn, que acabou demitido pela Marvel após um desses grupos babacas desenterrar uma série de tuítes do passado em que ele escrevia uma série de idiotices. Se não fosse pela ação desses grupos, que agem para calar seus opositores, o diretor ainda estaria no comando de Guardiões da Galáxia 3.