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Crítica: Entrevista com o Vampiro (1994)

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poster entrevista com o vampiroO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A Crítica de Entrevista com o Vampiro possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

TENHO UMA QUEDA POR PRODUÇÕES SOBRE GENTE CONTANDO HISTÓRIA. Ou filme de storytelling. Muito embora todo filme seja um storytelling, Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire, 1994) está num grupo de destaque ao lado de Peixe Grande e Forrest Gump.

O longa-metragem dirigido por Neil Jordan causou incômodo e desconforto na autora Anne Rice, que se recusava a imaginar seu Lestat vivido por Tom Cruise. Originalmente, ela pretendia ver Rutger Hauer no papel, mas como o projeto demorou um tempinho para sair do papel, o astro holandês favorito de Paul Verhoeven ficou um pouco velho e acabou trocado. Curiosamente, Hauer viveu um vampiro no divertido Buffy, a Caça-Vampiros.

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O encontro entre Cruise, que está tão bem no filme que fez até com que Rice enviasse uma carta se desculpando por suas declarações pouco amistosas, e Brad Pitt foi o crossover mais marcante daquela primeira metade dos anos 1990. Na época, os dois atores “disputavam” o título de maior galã do cinema. Cada um tem o Vingadores que merece, não é mesmo?

Enquanto Cruise dá vida para um dos poucos vilões de sua carreira (muito embora não consiga superar o matador profissional de Colateral, de Michael Mann), Pitt vive o vampiro mais humano que já se teve notícia no mundo. Ele lamenta tirar a vida de outras pessoas e tenta manter uma dieta a base de ratos, poodles, morcegos, pombos e qualquer outro bichano que surgir pela sua frente.

Temos um conflito curioso, da perspectiva dos vegetarianos. Louie é um vampiro que PRECISA de sangue para viver. A recusa em matar seus “iguais”, torna uma questão de sobrevivência apelar para os animais. Pelo menos por um tempo, é assim que o jovem vive. Até a chegada de Claudia (Kristen Dunst), que normaliza a situação desse vampiro da dieta “lowhuman” (valeu, Aline).

Por melhor que seja o trabalho de Brad Pitt (embora Louie seja um pé no saco em alguns momentos) ou seja divertido ver Tom Cruise se divertindo tocando o terror em tudo (e todos), ninguém está melhor em Entrevista com o Vampiro do que a garota de 12 anos que anos depois se tornaria a Mary Jane na primeira adaptação da HQ do Homem-Aranha.

Dunst mostra um talento nato ao convencer o público que é muito mais que uma adolescente. Seus olhares furiosos quando nota que está presa numa forma infantil estão entre os melhores momentos de uma criança em cena. Claudia é uma criatura sanguinária, manipuladora e a filha perfeita do “casal” desajustado vivido por Pitt e Cruise. Ela usa o melhor dos dois para sua própria sobrevivência, o que a faz uma personagem fascinante.

Podemos destacar o teatro dos vampiros como um dos momentos mais fortes do longa-metragem. Nessa sequência, vampiros fingem ser humanos interpretando vampiros numa peça de teatro super mórbida, cujo final apresenta uma mulher nua para ser assassinada na frente do público, que acredita estar diante um tipo de encenação mega realista. Arrepiante.

Entrevista com o Vampiro é considerado por muita gente como um dos melhores filmes de vampiros de todos os tempos. Certamente está entre os principais e mais importantes, mas acredito que uma pesquisa mais profunda necessite ser feita para encontrarmos uma resposta conclusiva para essa questão. Afinal, existem diversas maneiras de recriar histórias de vampiros (diz que tem até um tipo de vampiro que brilha) e cada uma merece sua devida atenção. No entanto, impossível negar que Anne Rice é um nome essencial para a cultura vampiresca e Hollywood deve muito ao legado deixado por Entrevista com o Vampiro.