Filme: Anjos da Lei 2

CONTINUAÇÕES COSTUMAM FRACASSAR DIANTE A PRESSÃO DAS COMPARAÇÕES. Se tratando de comédias, a situação fica ainda mais complicada. Afinal, é preciso se reinventar para fazer piadas diferentes sem que elas fiquem distantes do material original ao mesmo tempo em que não podem soar requentadas. Com todas essas dificuldades iniciais, é uma verdadeira surpresa constatar que o melhor filme de comédia do ano 2012 (clique aqui para ver nossa lista de Melhores Filmes de Comédia de 2012 e 2013) conseguiu ganhar uma sequência tão engraçada quanto o original: na missão de fazer o espectador rir, Channing Tatum e Jonah Hill conseguiram total.

Anjos da Lei 2 se repete na fórmula do primeiro filme: novamente acompanhamos a dupla de detetives Schmidt (Hill) e Jenko (Tatum) se infiltrando no meio de estudantes. Desta vez, eles vão parar na faculdade para tentar encontrar um novo traficante de drogas super poderosas que causaram a morte de uma garota. Enquanto investigam o caso, os personagens se envolvem em novas relações para redescobrir valores e conceitos das relações pessoais. Sempre de uma maneira bem sem noção, mas com um humor até contido para não enlouquecer a turma do politicamente correto.

A química entre os protagonistas permanece como um dos pontos positivos. A prova disso é que as melhores sequências funcionam quando ambos estão em cena (em referência ao momento em que Jenko entende a bronca do chefe no seu parceiro durante uma reunião – se o momento em si já era hilário, a participação de Tatum torna a cena digna de arrancar lágrimas dos espectadores mais animados, como eu). Os coadjuvantes são meros figurantes, já que são usados apenas como muletas para o desenvolvimento dos personagens principais. E de quebra temos o retorno dos “vilões” do primeiro filme (Dave Franco e Rob Riggle) em participações pontuais que funcionam como um gancho não apenas para novas piadas quanto para dar o gancho para os agentes continuarem sua investigação.

No entanto, assim como no filme anterior, existe uma preocupação de estabelecer conflito na relação entre a dupla. A grande diferença é que o roteiro decide fazer piada de si mesmo utilizando uma metáfora hilária para descrever a rotina dos dois policiais. A introdução de um novo personagem como maneira de acrescentar conflitos até funciona bem, especialmente para gerar boas sacadas relacionadas com a questão de amizade e parceria tão bem retratadas na obra.

Talvez seja considerado um spoiler, mas não posso deixar de mencionar a sequência em que Jenko e Schmidt usam drogas e começam a “viajar”. Em uma das diversas referências a cultura pop presentes no roteiro, uma das mais sutis está direcionada para o público que acompanha o mundo da música: enquanto Jenko curte as loucuras de uma canção feliz sobre sexo e mulheres, seu parceiro vive um verdadeiro “inferno” ao som de “Higher“, do Creed, que é uma banda bastante criticada pelos grandes entendidos do meio.

Anjos da Lei 2 garante as gargalhadas do público carente em produções do gênero na atual temporada. Com direito até aos melhores créditos de encerramento do ano (embora tenham exagerado na dose), a produção combina humor de primeira com uma trama de investigação leve e divertida, que em certos momentos chega a remeter diretamente a Máquina Mortífera, clássico dos clássicos se tratando de filmes com grandes duplas de detetives.

 

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