Maligno – Crítica do Filme

O Cinema de Buteco adverte: A crítica de Maligno possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. 

 


JAMES WAN SE TORNOU UM VERDADEIRO ESPECIALISTA EM FILMES DE TERROR com os sucessos de bilheteria das franquias Jogos Mortais, Invocação do Mal e Sobrenatural. Se no seu primeiro grande sucesso (Jogos Mortais), ele usava a violência para chocar e causar repulsa, depois virou um verdadeiro mestre na arte de dar sustos. Os tais jump scare que viraram uma verdadeira praga no gênero. Verdade seja dita, Wan sabe como fazer. 

 

Toda essa apresentação é importante porque o diretor australiano decide fazer tudo diferente desta vez. Existem bons momentos de susto, claro, mas estão muito longe de serem o principal atrativo da sua narrativa. Também existem lembranças do começo da carreira, mas Maligno vai por um caminho novo e extremamente gráfico. Não temos mais casas assombradas ou espíritos demoníacos atormentando os protagonistas, e isso pode surpreender negativamente os desavisados. 

 

Maligno é uma homenagem aos filmes de terror italianos, os chamados giallos, que têm em Mario Bava e Dario Argento seus principais nomes. O próprio diretor também cita David Cronenberg e Brian De Palma como referência para seu projeto, que apresenta Annabelle Wallis no papel principal interpretando uma mulher grávida vítima de um relacionamento abusivo e que começa a ser atormentada por estranhas visões de violentos assassinatos. 

 

Os minutos iniciais introduzem Dra. Weaver (Jacqueline McKenzie) tratando um paciente agressivo e perigoso. Quando ela diz para seus colegas que “É hora de cortar o câncer”, o espectador automaticamente considera aquilo como uma intenção de eliminar a ameaça que o paciente representa – no entanto, aí que está a graça de uma coisinha chamada ambiguidade. 

 

O significado do título do filme obviamente nos faz pensar em uma ameaça, algo perigoso e assustador. O próprio tinhoso. Especialmente após a introdução. Só que Maligno também é a forma como os médicos chamam os tumores que surgem em seus pacientes. No caso, os pacientes que terão que enfrentar um tratamento mais sério. 

 

Ainda que o roteiro não tenha lá grandes preocupações em manter coerência e lógica (determinada sequência coloca uma personagem visitando um antigo hospital abandonado no meio da puta que pariu à direita e sem a menor lógica, ela consegue encontrar exatamente os documentos que precisava), o que sustenta Maligno como uma opção atrativa para os amantes do gênero terror é o seu compromisso com a violência e tensão. 

 

Após a revelação da origem do assassino, Maligno acelera na violência e a contagem de corpos começa a dar inveja até mesmo em filmes de matadores famosos de franquias como Halloween e Sexta-feira 13. A partir desse momento, quem não comprou a ideia, certamente vai revirar os olhos e reclamar muito – o que é uma verdadeira injustiça, considerando que a narrativa é bem construída para chegar no auge com o espectador bastante conectado com os personagens.

Maligno é uma bem-vinda tentativa de James Wan fugir do caminho do sucesso que ele construiu nos últimos anos e também da imensa pressão de cuidar da sequência de Aquaman. Se não é o melhor filme de terror do ano, pelo menos se destaca como um dos blockbusters mais interessantes do gênero na temporada e merece a atenção dos amantes de um bom terror.

Maligno está disponível nos cinemas e em breve também na HBO Max. 

 

2021James WanMaligno
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