Filha do Mal

ENGRAÇADO QUANDO VOCÊ VAI AO CINEMA ARMADO ATÉ OS DENTES PARA SE PROTEGER DE TODAS AS ATROCIDADES QUE UM LONGA-METRAGEM PODE LHE PROPORCIONAR. Você se pega criando um pré-conceito em cima de um filme que apenas viu os trailers e por todos serem extremamente interessantes, a sensação era de que Filha do Mal seria mais um daqueles filmes que só funcionam no trailer. Todo o meu interesse em cima do horror foi criado durante a época em que escrevia quase que diariamente notícias e vídeos para o Cinema em Cena. No entanto, o passado já havia deixado lições dolorosas (1408) sobre o quanto um trailer pode ser enganador. As opiniões de quem viu não foram nada positivas e isso apenas reforçou o meu escudo e armamento, mas seria realmente inevitável ir ao cinema e descobrir o quanto Filha do Mal poderia ser ruim.

Para a minha surpresa, me surpreendi muito com a história do filme e os seus personagens. Aqui irei dizer que do ponta de vista técnico, o longa-metragem é um lixo, bem como as performances “dramáticas” de seus atores. Existem diversas cenas desnecessárias e que só estão lá para enrolar, que nem o garçom que resolve entregar o refrigerante antes do prato principal: ele sabe que você vai tomar aquilo e vai acabar pedindo outro copo. Só que se você for capaz de ignorar as deficiências da produção (que é completamente sem identidade e se perde no meio das influências de Atividade Paranormal, A Bruxa de Blair e outros exemplos de found footage que existem pipocando por aí) e não se sentir na obrigação de levar sustos, talvez seja possível se divertir com a trama estrelada pela brasileira Fernanda Andrade.

Sou suspeito para defender Filha do Mal, pois enxerguei o filme da mesma maneira que vejo Atividade Paranormal. Sem querer comparar os dois (seria como comparar vodka Natasha com Orloff), muitas pessoas se decepcionam com o jeito que Atividade Paranormal é conduzido, pois esperam ação, suspense e muito terror, quando na verdade, o filme quer justamente mexer com os nervos do espectador e deixa-lo confortável em longas cenas em que nada acontece explicitamente. Filha do Mal não tem esse apuro conceitual e mesmo estético, mas está longe de ser o desastre completo que muitos afirmaram.

O grande problema talvez seja a escolha de um caminho previsível e clichê para a conclusão do longa-metragem, que deixa várias possibilidades abertas para uma eventual sequência. A ideia de Filha do Mal se transformar em uma franquia é mais assustadora que o próprio filme, especialmente se não houver preocupação com uma escolha de um roteiro melhor e que se arrisque mais no terror psicológico ou que saiba explorar bem as possibilidades de uma possessão demoníaca.

Nota:  

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