Os 51 Melhores Filmes dos Anos 2000

20- Fale Com Ela (Hable con Ella, 2002, Pedro Almodóvar)

Fale com Ela é um filme que se revela aos poucos. Novamente o tema do amor está em questão (e também o da falta de comunicação e da obsessão), mas parece que o tema central é a forma como a vida une e separa, esvazia e preenche, e como mesmo contra nossas vontades temos que lidar com isso, o que só concluímos segundos antes dos créditos finais. É quando a obra nos deixa a sensação de que todos aqueles acontecimentos (fortes e extremos cada um à sua maneira) só serviram para que aqueles personagens ficassem juntos! É como se o andamento da vida fosse (e de fato é) totalmente independente das nossas vontades, passionais ou mais racionais, e que mesmo sem nos dar conta, nos adaptamos e aprendemos com isso.”

19- Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuaron, 2006)

“O que aconteceria com a humanidade se as mulheres deixassem de engravidar?

Além de uma ótima distopia com crítica social e um thriller de ação, Filhos da Esperança excede no quesito técnico ao nos apresentar um plano seqüência de tirar o fôlego. É sempre ótimo quando o cinema desenvolve novas tecnologias, mas o maior triunfo do filme é o uso da nova tecnologia como um diferencial que reforça e melhora a experiência narrativa. Este misto de conteúdo e técnica cinematográfica um lugar de destaque da obra nessa lista de melhores filmes dos anos 2000 do Cinema de Buteco.”

18- Os Outros (The Others, Alejandro Amenábar, 2001)

“Estrelado por Nicole Kidman no seu auge, o longa-metragem de Alejandro Amenábar possui um daqueles roteiros que deixam o espectador arrepiado no final sem ter a menor ideia de que aquilo poderia ser uma possibilidade. As pistas estavam todas lá, mas existe um cuidado tão grande em levar o público por um caminho diferente que tudo acaba sendo uma imensa surpresa. Os Outros merece todo o nosso respeito e as noites em claro que nos roubou.”

17- Amnésia (Memento, Christopher Nolan, 2000)

O filme apresenta Leonard Shelby (Guy Pearce) como um homem atormentado e que sofre de uma curiosa condição: ele é incapaz de memorizar coisas recentes. Ele sofreu um sério ferimento na cabeça ao tentar evitar que a mulher fosse estuprada e assassinada, e anos depois, seu único objetivo é encontrar o homem que acabou com sua vida. Para isso, Leonard faz várias tatuagens com “avisos” pelo seu corpo e costuma seguir uma lista de regras: evita falar ao telefone e faz anotações nos versos de cada fotografia que tira das pessoas ao seu redor. É assim que ele conhece o chato Teddy (Joe Pantoliano) e a ambígua Natalie (Carrie Anne-Moss), que é mais conhecida por ter interpretado a Trinity na trilogiaMatrix.

É uma daquelas histórias em você não pode piscar os olhos para evitar o risco de perder qualquer detalhe, por menor que seja. Existem pessoas que detestam esse tipo de longa-metragem, especialmente quem costuma afirmar que assiste filme apenas para se distrair e que gosta de desligar o cérebro. Nada contra esse tipo de público, mas preciso admitir que o cinema de Christopher Nolan não é para os preguiçosos que não sabem desfrutar uma boa história, de uma narrativa complexa, ou enxergar de verdade o que existe nas entrelinhas. A droga do peão não vai parar de rodar para esse público. Então, sem tentar fazer média: Amnésia é do caralho.”


16- Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007, Paul Thomas Anderson)

“No longa, acompanhamos Daniel Plainview (Lewis) em sua jornada na busca por petróleo. Já no início, o personagem surge em um ambiente totalmente escuro e sombrio, o que reflete sua personalidade. Essa lógica se repete várias vezes durante a obra, inclusive em aparições nas quais Daniel aparece banhado em petróleo. Além disso, o filme deixa bem claro o que significaria achar o óleo – considerando que em uma das cenas a poça de petróleo recém-encontrado lembra uma caveira.

Paul Thomas Anderson é um dos grandes cineastas atuais e Sangue Negro é um de seus melhores trabalhos. O filme realiza um sensível estudo de personagens e da influência do poder em suas relações, além de apresentar diversas sutilezas, como a ironia no nome do protagonista. Uma obra realmente brutal e magnífica, e, não creio ser exagero afirmar, um dos melhores filmes da década passada.”

15- Closer – Perto Demais (Closer, Mike Nichols, 2004)

“Olhar para nossos relacionamentos sem os costumeiros joguinhos amorosos ou pequenas máscaras sociais pode ser excruciante, mas em alguns momentos necessário. Em Closer, vemos relacionamentos serem tratados de forma bastante peculiar, ainda mais se levarmos em conta como eles geralmente são romanceados no cinema. A dimensão do quanto um relacionamento pode ser complexo é expandida pelo bom roteiro, elenco afiado e pela câmera do experiente diretor.”

14- O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, Ang Lee, 2005)

O Segredo de Brokeback Mountain tem ao seu favor um elenco inspirado. Sob a direção sempre eficiente de Ang Lee (que venceu o Oscar pelo seu trabalho), Jake Gyllenhaal e Heath Ledger nos convencem desde a primeira cena juntos. É um desempenho cheio de intensidade, paixão, sensibilidade e sutilezas.”

13- Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears, 2000)

“Adaptação de um romance homônimo do escritor inglês Nick Hornby, Alta Fidelidade é um must-see obrigatório que sempre costuma aparecer nas listas preparadas pelo Cinema de Buteco. John Cusack interpreta um dono de uma loja de discos viciado em listas, que enquanto enfrenta as baixas vendas do seu negócio, relembra seus piores relacionamentos amorosos. Tudo isso com muita música boa na trilha sonora.”

12- Antes do Pôr do Sol (Before Sunset, Richard Linklater, 2004)

“Um filme de amor em tempo real, em Paris, com um americano em crise no casamento e uma francesa desiludida em relação ao amor. Se passaram dez anos desde o primeiro encontro deles em Viena e o recheio do sanduíche (caso Richard Linklater não faça Antes da Madrugada em 2022) é considerado por muitos como a melhor parte da trilogia. Os diálogos inteligentes e sinceros continuam, a chama entre Jesse e Celine permanece acesa e acompanhá-los durante um passeio de 1h20 pela Cidade da Luz é talvez um dos maiores prazeres que o cinema pode proporcionar para os românticos incuráveis.”


11- Na Natureza Selvagem (Into the Wild, Sean Penn, 2007)

“Talvez seja uma grande injustiça da nossa parte não ter eleito Na Natureza Selvagem como o melhor filme de aventura dos anos 2000. Sean Penn comandou uma das obras mais profundas produzidas nos últimos anos e apresentou uma verdadeira jornada em busca de autoconhecimento, paz e alegria. Tudo ao som de Eddie Vedder. Se você é uma pessoa que pensa constantemente em achar o seu lugar no mundo, pegar uma mochila e viajar por aí, Na Natureza Selvagem é o seu filme favorito (e você nem sabia disso ainda).”

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Comentários (3)
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  • Davi Vilela

    Certeza que A fonte da vida na lista tem o dedo do Túlio

    • Joubertbr

      Acertoooouuuu!

  • Taboada

    Nossa, acabei de descobrir vcs. Legal, bacana !! … nao saquei o criterio da lista, mas tem cinema da melhor qualidade nela. Putz, deixo aqui uma pentelhacao minha. Como seu eu tivesse na mesa do buteco com vcs e fosse o chato da vez. Na vale demorar muito pra responder. Tem que ser pa pum ! Por que o filme 500 dias com Summer está na lista ? (eu concordo que esteja) … outra; Por que o two lovers de James Gray ou o Shame do Steve McQueen nao estao na lista ? (tem que estar poxa !!) …. é que se nao estivesse escrito melhores filmes eu teria deixado essa minha pentelhacao de lado. Todo mundo que gosta de animal e cinema tem a minha amizade. beijo grande