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A Roupa Vermelha Esconde as Manchas de Sangue #2 – O lado luminoso da Força

Débora e Henrique são um exemplo de respeito para todos desde os tempos de namoro e noivado. Assim continuam desde que se casaram e dessa união nasceram dois filhos: Bartolomeu e Francisco, melhor dizendo, o água e o vinho, como eram chamados, com certo humor, pelos pais.

Bartolomeu é o primogênito e era a única criança em casa, até completar 5 anos. Então tudo era para ele e por ele, sem precisar compartilhar nada com ninguém, era totalmente mimado. De repente seu reinado parece ameaçado com a chegada de Francisco, seu irmãozinho mais novo.

Claro, seus pais, avós, tios e até primos mais velhos só tinham olhos para o bebê. Que além de precisar de mais cuidados era todo risonho e conquistava assim o coração familiar. Mas não pense o leitor que os pais bondosos agora tinham um amor parcial, eles continuavam a amar Bartolomeu, mas o garoto sentia que esse amor era dividido com aquele “serzinho” recém-chegado.

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Francisco crescia e se mostrava um garoto cheio de amor e compaixão, especialmente por seguir o exemplo silencioso dos pais. À medida que o caçula crescia, o lado sombrio da força de Bartolomeu também aumentava. Daí o apelido de água e vinho que os pais davam aos filhos. O irmão mais velho não gostava de dividir absolutamente nada com Francisco. Em todas as oportunidades o maltratava e o excluía de tudo o que podia. E o pequeno estava sempre alegre, não ficava nenhum pouco incomodado com as investidas egoístas de Bartolomeu, por piores que fossem. Talvez não tivesse consciência do que era perdão, mas já era um hábito utilizar esse sentimento. Bartolomeu tentava, com dificuldade, tolerar a bondade espontânea de seu irmão.

Certa manhã, Débora estava preparando o café para a família com vitamina de morango e panquecas com nutella, as preferidas do irmão mais velho. Era véspera de Natal. Bartolomeu comia as panquecas com gosto, estava se empanturrando. Enquanto isso Francisco, sem dar muita atenção às panquecas, falava sobre a peça teatral que estavam ensaiando na igreja para apresentar naquela noite. A peça era sobre o menino Jesus e falava de seu amor imparcial por todos, sem nenhuma distinção e Francisco se sentia inspirado e entusiasmado com tamanho amor.

Quando a mãe percebeu que as panquecas estavam acabando e Francisco sequer as tinha tocado, ela lançou uma pergunta, influenciada pela conversa sobre o menino Jesus: “Meus amores, por que não dividem a última panqueca? Com certeza Jesus a deixaria para seu irmão.” Mais do que depressa, Bartolomeu completou: “Então agora você é Jesus e deixará a última panqueca para mim, tá bom Francisco? “ E devorou sem esperar a resposta do irmão.

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