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Quarentena de Contos: Colorir no Chão o Vermelho – Ato 1

Hoje é o dia 22 de março de 2020 e eu não durmo há uma semana. Já acredito que o mundo que conhecemos deixou de existir. Não existe mais o “voltar ao normal”. O que virá a seguir será uma versão mais raivosa do que existia antes. Leio essa filosofia do Planeta fazendo uma limpeza energética e tentando nos convencer que precisamos modificar nossos hábitos. Posso dizer que eu concordo com essa ideia. Acho lindo, de verdade, mas também uma bobagem. O Planeta não tem mais dinheiro que os líderes que estão se acusando nesse momento. Esses caras estão cagando e andando para o Planeta.

O Palhaço da peruca loira norte-americano agora dá entrevistas provocativas dizendo coisas como “vírus chinês”, depois de ter passado um tempo debochando do perigo. “É uma invenção da imprensa”, ele dizia. Bem, ele certamente não continuar repetindo isso… Enquanto isso, no Brasil, temos o nosso próprio palhaço canarinho maluco que berra que “a economia não pode parar”, chama a pandemia de histeria, xinga governadores e prefeitos de irresponsáveis traidores da pátria amada Salve-salve.

Eu só consigo pensar quando foi que o governador do Rio de Janeiro passou a ser uma pessoa coerente… Eu só consigo pensar quando foi que o governador de São Paulo passou a ser uma liderança responsável e respeitosa… Aqui em Minas Gerais temos um governador que, apesar de ouvir muito bem, mostra toda a sua incapacidade de gerenciar problemas e, se não fosse o prefeito, a gente estaria fodido. Fodido com F maiúsculo. Fodidão beleza. 

O Ministro da Saúde, assim como qualquer liderança responsável sem tendências genocidas ao redor do mundo, avisou que nosso sistema de saúde entrará em colapso em pouco mais de 30 dias se as pessoas não ficarem em casa. É algo fácil, é algo simples, é algo que qualquer pessoa pode fazer. Mas é exatamente por isso que vamos todos morrer. 

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Brasileiro não cumpre regras. O brasileiro ri na cara do perigo porque acha que vai escapar. Adultos longe do grupo de risco seguem suas rotinas como se nada estivesse acontecendo. São esses brasileiros que vão matar seus familiares, colegas de trabalho, e qualquer outra pessoa que tenha o desprazer de confrontar com o egoísmo encarnado num corpo de pele, osso, burrice e coração batendo. Esses brasileiros vão chorar depois. Vão dizer que “não sabiam que era grave”, vão dizer que “precisavam trabalhar para não morrerem de fome”. Vão dizer que “a economia não podia parar”.

Diabos. 

A maioria dos brasileiros vai mesmo morrer de fome sem trabalhar. Tem gente que nunca ouviu falar de home office. Tem gente que não pode trabalhar de casa e descobre que trabalha para o capeta. E têm as Igrejas que continuam com seus cultos religiosos, que, segundo o Presidente Borsalini, precisam permanecer abertas porque são refúgios nesse momento de dor e desespero. Inclusive, o álcool em gel ungido em Cristo está disponível por somente R$ 500 em alguns templos. É para Glorificar de pé e afastar o reino de Satanás. 

Pensar nisso faz meu cu doer mais que naquele Carnaval na praia durante a penúltima turnê da minha banda, quando achamos que seria engraçado nos desafiar usando os consolos das putas que nos cercavam como pernilongos. (E chupavam como pernilongos também). Alguém achou engraçado brincar com aqueles cacetes rosas enormes e eu me dei mal. Sorte a minha que não existiam celulares, ou meu maior legado seria uma foto de quatro com uma puta chamada Tiffany me enrabando com um cacete rosa numa cinta-caralho prateada.

Bons tempos. 

Tenho muitas dúvidas sobre o Presidente eleito. Afinal, será que ele é louco de verdade ou só muito burro? Ou será que ele realmente é um psicopata? Qualquer que seja a resposta, esse cara é o grande culpado pelo brasileiro estar mais burro do que nunca e entender que ficar em casa é um “exagero”, e então continuar saindo de casa. Pegando essa bactéria filha da puta. Micróbio do caralho. Contaminando outras pessoas. Seguindo com suas vidas egoístas.

Eu odeio esse atleta olímpico incompreendido com faixa presidencial.