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Buteco Literário

Conheça O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

O Buteco Literário de hoje trás a crítica do sucesso infato-juvenil “O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares”, que será lançado em dezembro de 2016 nos cinemas com direção de Tim Burton. Confira!

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Aproveitamos a notícia do lançamento da continuação da série “O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares” pela editora Intrínseca, para falarmos um pouco sobre o primeiro volume da série. Essa aventura infanto-juvenil mescla ficção e fotografias de um jeito imersivo, dando cara aos personagens e vida aos locais em que a historia se passa, tornando a história ainda mais enriquecedora e envolvente.

downloadO orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares narra  a vida de Jacob, um adolescente que cresceu ouvindo histórias fantasiosas do seu avô sobre a sua infância em uma ilha na costa do País de Gales. O tempo passou e o neto deixou de acreditar nas ‘bobagens’ que o velho contava, até que um dia Jacob recebe uma ligação de seu avô perguntando sobre a chave de seu armário de armas. Percebendo o desespero na voz do avô, Jacob resolve ir até ele, mas acaba encontrando apenas seu corpo estirado no chão com sinais de terríveis cortes. Antes de morrer, seu avô passou-lhe algumas instruções – aparentemente sem sentido – sendo uma delas: encontre a Ave. Para piorar a situação, Jacob tem a sensação de ter visto um monstro, com tentáculos no lugar da boca. Ao tentar contar para os familiares o que presenciou, acaba sendo taxado de louco e acham que se deve ao fato do mesmo ter passado por uma situação traumática.

Para tentar se recuperar e aceitar o fato de que tudo fora sua imaginação, Jacob decide viajar junto com seu pai para a ilha de Cairnholm e se depara com um pedaço de terra modesto e de poucos habitantes. No desespero, nosso protagonista percorre toda a ilha até se deparar com o palco das histórias que seu avô contava: as ruínas do antigo orfanato em que ele cresceu. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, percebe que as crianças que viveram no orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo… E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.

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“Achei que estivesse sonhando. Queria responder, mas eu estava tão completamente congelado que parecia preso. […] Então uma lanterna surgiu viva lá em cima, e estiquei o pescoço para ver meia dúzia de garotos ajoelhados em volta das mandíbulas recortadas no chão quebrado, olhando para baixo.
De algum modo, eu os reconheci, mas não sabia de onde eles eram, como se fossem rostos de um sonho de que não nos lembramos direito. Onde será que eu os vira antes? E como eles sabiam o nome do meu avô?
Então eu entendi. As roupas deles eram estranhas mesmo para o País de Gales. Tinham rostos sérios e pálidos. Os retratos espalhados no chão ao meu redor olhavam para mim do mesmo modo que os garotos lá em cima. De repente eu compreendi.
Eu os vira nas fotografias.”

Assim como Asylum, O Orfanato da Srta Peregrine não é de perto um terror como você pode imaginar, mas, uma deliciosa fantasia que te faz lembrar Harry Potter e outras séries juvenis que envolvem magia e misticismo. Os pequenos toques de suspense criados pelo autor deixam a narrativa bastante envolvente, afinal, quem não gosta de uma história com personagens peculiares e viagem no tempo? Sim! O livro se passa no “presente” e no dia 3 de Setembro de 1940, com personagens cativantes e vilões bem construídos. O sucesso de O Orfanato da Srta Peregrine para crianças peculiares foi tão grande lá fora, que a 20th Century Fox se encarregou de adaptar a obra literária para o cinema. Com direção de Tim Burton e Eva Green, Samuel L. Jackson e Asa Butterfiel no elenco, a franquia tem tudo para ser um grande sucesso! O filme estreia 29 de setembro. Confira o trailer:

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Conheça o segundo volume da série:

Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.

Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época – tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

Confira nossa resenha do segundo volume da série clicando aqui.

Sobre o autor:

Ransom Riggs cresceu na Flórida, mas agora reside na terra das crianças peculiares, Los Angeles. Ao longo da vida, formou-se no Kenyon College e na Escola de Cinema e TV da Universidade do Sul da Califórnia, além de fazer alguns curtas-metragens premiados. Nas horas vagas é blogueiro e repórter especializado em viagens, e sua série de ensaios de viagem, Strange Geographies, pode ser lida em ransomriggs.com.

 

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Prazer! Sou a Ana.

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Prazer! Sou a Ana.

Aos 30 de setembro, vim ao mundo, parto natural, recebi o nome de Ana. Casa cheia. Eu, meus pais e irmãos. Tinha também o Floquinho e a Belinha, nossos peludos. Andei, falei, corri, brinquei, aprendi a escrever, como toda criança! Vivi uma infância feliz.

Ah, não! Espinhas na cara. Chegou a menarca? Que saco! Conflitos, insegurança, noias na cabeça, raiva, brigas, tédio… odeio estudar! Ainda perguntam “qual é a faculdade que quer fazer?” Vestibular, dezenas de apostilas, horas de estudos. Aprovada! Agora sou universitária. Faculdade, liberdade, a turma de amigos. Finalmente, sou “de Maior”. Posso tudo! Tenho os passaportes da vida adulta: CNH, diploma e carteira de trabalho.

Trabalho, trabalho, trabalho, contas a pagar, muitas responsabilidades. Bem-vinda à maturidade! Onde fica a diversão? Prazeres? Só por algumas horas. Trânsito, estresse, injustiças, puxa-saco promovido. Já te falei que odeio meu chefe?! Estudei tanto para fazer isso?! Não quero mais esse emprego. Se eu pedir as contas, o que vou fazer? A vida tá um saco! Tô tão triste. Nada tem sentido. Comecei a terapia. Desacelerei, mudei de estilo de vida, parei de dar bola para minha mente. Ela me deixava maluca. A vida tá legal. Acho que conheci o amor da minha vida. Vamos nos casar? Filhos? Não! Quero independência, um amor leve e do meu jeito. Ele no seu canto e eu no meu recanto. Assim está tão bom!

Silhouette of little girl raising hand to freedom happy time

Olho no espelho e ainda reluto a acreditar: estou velha! Os anos passaram tão rápido. Demoro para perceber que aquelas rugas e as manchas na pele são minhas! Minhas? Não é possível! A realidade só toma corpo quando lembro das despedidas. Despedir nunca foi fácil. Lembrar de quem já partiu me deixa mal. Melhor mudar de assunto. Assim, sem perceber, um dia, o corpo não acompanhava mais a mente. Esse descompasso causou alguns acidentes. No último tive de fazer dezenas sessões de fisioterapia. Era isso ou entrar na faca. Deus me livre! Ufa, ainda bem que meu corpo ajudou. Conversava com minha perna todo dia “pode tratar de curar ou prefere passar por uma cirurgia e ficar com uma cicatriz?” Ela, como filha obediente, foi gradativamente melhorando. De resto, tudo vai bem. A cabeça às vezes dá uns apagões. Alguns até desconcertantes. Em reuniões familiares, noto os olhares entre os mais jovens como que dizendo “será que é Alzheimer?” Dou risada por dentro. Sinto vontade de falar “não tô gaga ainda, só velha mesmo!”. Em casa, os dias passam, sem nenhum compromisso marcado, sem pressa, não há chefe me esperando, marido aguardando o almoço ficar pronto, filho perguntando se vi a calça que ele tanto gosta. Não, não pensem, que a minha vida é triste e solitária. Essa é a vida que escolhi. Nem pior ou melhor, mas a que escolhi!

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Vó Raissa

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Desde a liberação de novas áreas de assentamento na Cisjordânia, a Intifada voltara furiosa. Os confrontos eram diários e a violência crescente.

Meus irmãos, Ahmed e Khaled, já não iam à aula há três dias, o tempo inteiro nas ruas do bairro, se escondendo atrás dos carros e arremessando pedras nas patrulhas israelenses. No início eles respondiam com gás lacrimogênio, mas depois que alguns soldados israelenses se feriram, balas de verdade passaram a ser utilizadas provocando mortes. Sem choro; seria bobagem mesmo.

Morávamos com nossa avó Raissa desde que nossos pais se foram, nem vou detalhar como. Seria bobagem mesmo.

Vó Raissa passava o dia todo na cozinha fazendo nossas refeições. Fazia comida e milagres com a precariedade de recursos e mantimentos que tínhamos, alheia a tudo além de suas panelas. Parecia uma sombra. Eu nunca percebera, o mais minimamente, o que se passava em sua cabeça. Nem tentava, seria bobagem mesmo.

E eu, estudava o Alcorão. Há três anos entrara para a Escola Corânica e o Sufi que me orientava, um verdadeiro homem santo, à medida que se entusiasmava com meus progressos, ficava cada vez mais exigente. Tinha três Suras para estudar por semana e, acredite, isso é muita coisa se você quer mesmo penetrar no seio de Alá.

Minha avó via meus irmãos saírem toda manhã com a cabeça coberta pelo Keffiyeh e só voltarem, já tarde da noite, sempre com alguns ferimentos. Ela não dizia nada, seria bobagem mesmo.

Também me via lendo o Livro horas a fio e igualmente não dizia nada. Sua cabeça era um mistério.

Certo dia, tão similar aos anteriores, eu estava sozinho em casa estudando o Sura do Trovão, um dos mais difíceis, e ela passou por mim, tocou muito levemente minhas costas e disse:

“Escolha uma pedra, coloque-a na mão e dê a volta no quarteirão”.

Fechei o Livro sagrado e obedeci imediatamente.

Só Alá é Deus e Maomé, o seu Profeta.

SOBRE O AUTOR

JUSTINO VIEIRA – Engenheiro de Estruturas, Professor de
Engenharia na UFF e Arquitetura na PUC-RJ, leitor obsessivo,
e que passou a vida inteira às voltas com números e contas,
mas aprendeu com Drummond que “a luta com palavras é a luta mais vã”

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Marcas desumanas em paredes brancas

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Os arbustos pareciam distantes. As colinas, de um verde jovial, reluziam ondulantes no horizonte. Algumas folhas regiam a sinfonia do vento com clássica doçura, enquanto outras sacolejavam e insistiam na segurança da raiz. O riacho conversava com as pedras em tom ameno, recitando versos de ternura. O céu, mesclado de azul e cinza-claro, se modelava e se deformava, adaptando a manhã aos desejos da natureza.

A janela de vidro ainda tinha sinais embaçados da madrugada. Gotas solitárias escorriam de uma madeira a outra. A temperatura interior estalava na lenha contorcida da lareira. O clima parecia aconchegante, apesar de gélido. O sol, ainda parcialmente desperto, e sabendo de seu poder, evitava lançar seu charme de forma abrupta sobre o gramado. As árvores respiravam pausadamente, trabalhando sem pressa.

Ao lado da lareira, as estantes enfileiravam e organizavam o repertório de uma Era. Os livros, sem lar vertical, se amontoavam pelos cantos em lógicas definidas. Dois deles, por motivos distintos, repousavam na mesinha de centro, juntos a riscados e rabiscos. A gaveta emperrada guardava segredos de décadas. No criado-mudo, fotografias e recortes de jornais antigos contavam mentiras de povos perdidos.

Os lençóis, trocados recentemente, ostentavam uma brancura quase transparente. Nas cortinas de seda cara imperava um branco fosco, duro e intransponível. As paredes eram sujas, manchadas com marcas humanas e desumanas. Pouco era possível recordar do tempo em que elas também eram brancas. Do tempo em que a janela permanecia aberta e o coração permanecia vívido. Do tempo em que o infinito aparentava estar mais distante que os arbustos das colinas. Do tempo em que o infinito estava do lado de lá, das gotas solitárias.

Suspirei.

Tudo estava branco novamente.

 

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Bombando!