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O Casamento do Céu e do Inferno & Outros Escritos:

Acredito que William Blake tenha sido um dos artistas mais geniais da história.

Era uma figura de espírito singular e com um talento raro. No tempo em que viveu, seus trabalhos foram amplamente rejeitados, embora mais tarde, tenham se tornado imensamente valorizados.

Não vou adentrar em detalhes biográficos e tampouco analisar ou refletir a respeito de suas habilidades, pois, afinal, o objetivo deste texto é outro, a saber: comentar sobre o livro “O Casamento do Céu e do Inferno & Outros Escritos”.

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A edição que li e que indico para qualquer interessado, é da L&PM Pocket, com tradução de Alberto Marsicano e revisão poética de John Milton.

No final do livro há um ótimo complemento, que é uma cronologia da vida e obra de William Blake.  Logo no início da edição, há uma série de frases que constituem os “provérbios do inferno”. Em seguida, encontram-se alguns dos principais poemas já escritos por Blake, que são: “O Livro de Urizen”, “América”, “Milton” e “Jerusalém”, sendo que dos três últimos há apenas fragmentos. Sequencialmente, há ainda uma excelente e cativante seleção de poemas bilíngues.

Um detalhe importante e que agradou é que antecedendo dos poemas de Blake, há sempre notas informativas de enorme valia.  

De maneira geral, os textos carregam uma tonalidade profundamente hermética que é construída em cima de uma linguagem simbólica.

Tais fatores tornam a leitura um tanto desafiadora e não é tão simples compreender o significado de certas frases ou passagens do livro. Mas é exatamente esse aspecto “desafiador” que assegura a qualidade e a singularidade da arte de William Blake e esses são justamente os pontos que particularmente acho mais atrativos em suas obras.

Uma observação importante em relação ao conteúdo literário de nosso artista e que certamente pode cooperar para melhor entendimento de suas produções, é o fato de que a trajetória de vida de Blake sempre esteve traçada pela forte presença da espiritualidade e do misticismo religioso, aspectos que, de uma maneira ou de outra, costumam estar presentes na maior parte do legado do artista – é possível notar isso em textos como “O Livro de Urizen”, “Milton” e outros poemas e frases.

 

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