One Man Guy: Romance, culinária armênia e Rufus Wainwright

O livro One Man Guy é mais um da safra “romance LGBT para adolescentes” e aborda de forma super positiva a temática – algo que não era tão comum em livros com persongens gays lançados alguns anos atrás. Assim como os romances Young Adult (YA) escritos por John Green e David Levithan, esta é mais uma obra leve, com pouco desenvolvimento, mas que garante uma boa diversão durante a leitura, além do importante papel de representatividade.

O que Michael Barakiva, autor de One Man Guy fez de realmente bom ao escrever este livro foi desconstruir alguns padrões já estereotipados, nos apresentar a cultura armênia por meio da família Khederian e uma trilha sonora que combina bastante com os personagens.

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O livro narra a história de Alek, um garoto de 14 anos que vive com sua família em New Jersey e passa a frequentar um curso de férias de verão para elevar as suas notas e frequentar aulas mais avançadas futuramente. E é nesse curso que Alek conhece Ethan, conhecido como o “bad boy da escola”. Ethan é alguns anos mais velho que Alek, se veste com roupas estilosas, anda com a turma de alunos reprovados e mata aula para andar de skate por aí. É quando Ethan convence Alek a matar aula e ir a um show de Rufus Wainwright no Central Park, em Nova York, Alek embarca em sua primeira aventura fora de sua existência no subúrbio de Nova Jersey e da proteção de sua família e tudo começa a mudar. Em apenas um dia ele faz coisas que não fez ao longo da sua vida por conta da família super tradicional que julga tanto o estilo de vida dos americanos.

Nesse mesmo período, a família de Alek faz uma viagem até as cataratas do Niagara e deixa o filho sozinho em casa e livre para fazer novas descobertas. Durante esses dias, a amizade de Alek e Ethan começa a se transformar em um romance, e, acaba pecando ao nos mostrar um processo de aceitação muito raso e rápido acerca da homossexualidade do protagonista. O problema principal de One Man Guy está exatamente na falta de romance, deixando a família armênia com seus costumes e tradições muito mais interessantes que o próprio casal protagonista. Outro problema que vejo em 99% dos livros atuais, é que parece que os autores escrevem pensando em um roteiro de cinema com cenas icônicas ou memoráveis e isso me dá um tanto de agonia e atrapalha bastante na construção do livro.

Independente das falhas do autor (este é o seu primeiro livro), One Man Guy tem um importantíssimo papel ao apresentar diálogos possíveis de se acontecer na casa de uma família conservadora e pode ajudar muitos adolescentes que passam por essa fase de descoberta. Pensando dessa forma, a linguagem simples, o humor bobo e as aventuras que os garotos passam para se divertir pode ser a melhor forma de contar a um adolescente de 13/14 anos como é se apaixonar por alguém do mesmo sexo sem parecer a pior coisa do mundo.

O livro One Man Guy leva este título por se tratar de uma música do cantor Rufus Wainwright, que também compõe a trilha sonora do livro. Ouça:

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.