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Resenha: Alucinadamente Feliz

Jenny Lawson ganhou o meu coração. É bem isso. Simples assim. Não precisou nem pagar o jantar, sabe? Me apaixonei perdidamente por ela e sua loucura porque me identifiquei pra caralho. Portanto, ler Alucinadamente Feliz foi uma experiência que combinou momentos de choro, risadas e muita reflexão. Ao compartilhar todo o seu drama pessoal, Lawson inspira profundamente o seu público.

Meu interesse por Alucinadamente Feliz nasceu do jeito mais óbvio e simples possível: a capa. A droga de um guaxinim empalhado sorrindo me chamou a atenção de cara. Pensei que ou seria o livro mais engraçado dos últimos tempos ou o mais chato. A segunda impressão foi o subtítulo: “Um livro engraçado sobre coisas horríveis.” Meu humor é meio esquisito e tal, acabei não resistindo e comprei o meu exemplar.

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Confesso que demorei meses para começar a ler. Mas tudo bem. O Felipe Borba tá me cobrando um texto de Deuses Americanos há uns quatro meses e eu sequer abri o livro. A vida é meio assim mesmo. A própria Jenny Lawson fala disso no seu livro. Para fugir da pressão e dos fracassos, nós precisamos escolher a felicidade. Escolher ser alucinadamente feliz.

Faço parte de uma geração de pessoas fodidas da cabeça. Feliz são aqueles que seguem fielmente o conceito de Matrix (“A ignorância é uma benção.”) e nunca conseguirão olhar para si mesmos e encarar toda uma avalanche de transtornos, compulsões e traumas. Infelizmente, eu lido com essas coisas diariamente. Não cheguei ao ponto de colecionar animais empalhados, mas precisei disfarçar as coisas focando em trabalho, metas e resultados. Está funcionando, mas sei que existem outras milhares de pessoas que não tiveram essa mesma sorte e permanecem sufocados pelos próprios pensamentos e hormônios. Daí a importância de um livro como Alucinadamente Feliz.

Lawson compartilha com os leitores a sua história (e intimidade) com uma naturalidade assustadora. Existem coisas tristes e pesadas no livro, mas a narrativa é apresentada de uma forma que nos faz rir até dos momentos mais depressivos. Talvez não seja algo que qualquer pessoa irá entender ou apreciar, como disse, é um pré-requisito ser meio estragado para se apaixonar por Alucinadamente Feliz, mas é uma obra essencial. Quando a gente compartilha nossos dramas e mostramos que apesar deles conseguimos seguir em frente, outras pessoas se sentem confiantes e estimulados para tentarem também.

Alucinadamente Feliz é uma leitura deliciosa e emocionante. É como se fosse um abraço de uma pessoa muito querida em formato literário. Chorei e ri na mesma proporção, muitas vezes dentro de ônibus a caminho do trabalho ou de casa. É um tipo de livro daqueles que você não quer que acabe nunca, pois Jenny Lawson realmente nos cativa e se torna alguém com quem nós gostaríamos muito de sair para conversar.

Recomendo!

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