Resenha: Mulher-Maravilha – O Círculo

O Cinema de Buteco irá embarcar em mais uma empreitada: quadrinhos!

A partir desse mês teremos resenhas, listas, matérias especiais sobre personagens, autores, editoras e muito mais. Iremos explorar a fundo tudo que há para se saber sobre a Nona Arte. E como estamos no Mês das Mulheres, resolvi iniciar nosso novo empreendimento com uma resenha sobre O Círculo, uma das histórias mais importantes da primeira (e até hoje a mais importante) grande super-heroína dos quadrinhos: Mulher-Maravilha, que foi lançada no Brasil como parte da coleção de Graphic Novels da DC Comics organizada pela Eaglemoss Collections.

Escrita por Gail Simone, responsável pela fase mais recente fase da Batgirl, O Círculo apresenta um cenário bastante desanimador: A Mulher-Maravilha, usando seu alter-ego Diana Prince, está trabalhando como agente no Departamento de Assuntos Meta-humanos e agora só tem seus poderes quando está usando sua armadura; as Amazonas foram banidas da Ilha de Themyscera, que agora se tornou o principal alvo das forças do Capitão Nazista; e Alcione, líder do Círculo (grupo de amazonas que eram responsáveis pela proteção da Rainha Hipólita até a traição de Alcione), está determinada a cumprir sua missão de destruir Diana, que segundo ela é uma aberração da natureza. Diana precisa ajudar sua mãe Hipólita a defender Themyscera e ainda defender a si mesma contra a fúria de Alcione.

Gail Simone é famosa por criar grandes histórias para grandes personagens femininas, e por isso ela foi quase uma escolha unânime dos fãs para comandar as histórias da Princesa das Amazonas, e o resultado foi mais que satisfatório, com muitos fãs considerando sua fase como uma nova era de ouro da personagem. E em O Círculo, Simone não só apresenta uma origem para a Mulher-Maravilha extremamente bem estruturada e que faz jus a tudo que ela representa, mas também cria uma excelente e empolgante história que consegue trazer à tona todos os elementos que a tornam a grande heroína que ela é.

Além de seus poderes e suas habilidades de combate, a Mulher-Maravilha também é conhecida por sua resiliência e por sempre se manter fiel aos valores e ideais com os quais ela foi criada, e em O Círculo todas essas suas características são colocadas à prova, e tanto sua força exterior e interior são questionadas. Além de livrar Themyscera da ameaça da invasão nazista, ela precisa provar à Alcione que sua vida tem um propósito, independente do que ela pense, e isso é algo que pode nos fazer refletir quanto nossas próprias vidas, em que sempre pode surgir alguém que nos faça duvidar do nosso próprio valor, e cabe a nós mesmos não deixar isso abalar nossa auto-estima e provar que somos bons o suficiente, independente do que as outras pessoas pensem.

Também podemos ver outras grandes características que permeiam o universo de Diana: o seu cotidiano como agente do Governo, prestando uma homenagem ao início da personagem na década de 40; sua origem como um presente dos deuses para Hipólita e como ela foi criada para se tornar um símbolo de esperança e otimismo para as Amazonas e todas as mulheres do mundo; sua relação com sua mãe e com as outras Amazonas, que é marcada por sua lealdade e amor inabaláveis; e claro, seu incrível poder como guerreira e como heroína.

O Círculo é um verdadeiro ode à Mulher-Maravilha e seu legado não só para o universo dos quadrinhos, mas também para a própria sociedade, e só reafirma o porquê de ela ainda ser um dos maiores ícones feministas de todos os tempos.

Lucas Victor

Estudante de Produção Multimídia, nerd e escritor de contos inacabados que ninguém lê. Percebeu que era cinéfilo aos 4 anos, quando estragou um vídeo cassette assistindo A Bela e a Fera sem intervalos, e desde então o vício só aumentou. Prefere DC à Marvel (fato pelo qual é extremamente criticado) e seu maior objetivo é escrever um episódio de Doctor Who.