Resenha: O Chamado do Monstro

Histórias são coisas selvagens, disse o monstro. Quando você as deixa à solta, quem sabe os estragos que podem causar? ”

Se você gostou de Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak e adaptado para o cinema por Spike Jonze, vai adorar este livro! O Chamado do Monstro está longe de ser um terror, como o título sugere. Nesta obra escrita por Patrick Ness baseada na ideia de Siobhan Dowd, somos apresentados a uma história dramática e dolorosa em que uma criança de 13 anos precisa ser bastante madura para lidar com os problemas que vem passando.

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“Às vezes as pessoas precisam mentir para elas mesmas, mais do que para qualquer outro. ”

A escuridão, o vento, os gritos. Os olhos estatelados, a respiração entrecortada. É o pesadelo de novo, como em quase todas as noites depois que a mãe de Conor ficou doente. A escuridão, o vento, os gritos – e o despertar no mesmo ponto, antes de chegar ao fim. Tudo é tão aterrorizante que Conor não se mostra nem um pouco assombrado quando uma árvore próxima à sua casa – um imponente teixo – transforma-se em um monstro. O drama vivido por Conor é bastante real e, sua realidade é bastante dolorosa. Seu pai se separou de sua mãe quando o garoto era muito criança e acabou se tornando muito ausente após se mudar para outro país. Sua mãe sofre um câncer em fase terminal. Sua avó e ele não tem nada em comum e, para piorar, Conor é vítima de bullying diariamente em sua escola e os professores não sabem a melhor maneira de tratar o aluno. No meio de uma infância tão conturbada, surge um monstro no meio da madrugada.

“Você não escreve sua vida com palavras, você escreve com ações. Não importa o que você pensa. Só importa o que você faz. ”

Esse monstro não é tão assustador quanto os monstros dos sonhos de Conor. Na verdade, o monstro é uma árvore gigantesca que surge com uma proposta: o monstro contará 3 histórias e Conor terá que contar a quarta, sendo que ela tem de ser “a verdade”, no qual o garoto será o protagonista. Conor não teme o monstro, mas teme a verdade que ele quer saber. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia. Por fora, ele parece uma criança tímida, retraída, mas dentro, carrega uma grande raiva do mundo e de todos que o cercam.

“Nem sempre há um bonzinho. Nem sempre há um vilão. A maior parte das pessoas fica entre um e outro.”

sete minutos depois da meia noite

Para o garoto, as histórias contadas pelo monstro não fazem o menor sentido, afinal, a criança está acostumada apenas com finais felizes, mas o mostro chega para mostrar que todo ser humano tem seu lado bom e seu lado mau. O Chamado do Monstro é um livro surpreendentemente belo. É doloroso e delicado. A maneira que o autor encontrou de contar para as crianças que a morte chega e como devemos lidar com a perda e o abandono é incrível. Apesar das poucas páginas, este livro carrega uma mensagem linda que precisa ser trabalhado com as crianças. As ilustrações em preto e branco completam a sutileza e a reflexão proposta pela obra.

“É apenas um sonho”, repetiu.

Mas o que é um sonho, Conor Om´Malley?, perguntou o monstro, curvando-se até aproximar seu rosto do de Conor. Quem ousará dizer que não é o reste que é um sonho?”

Para quem não sabe, a ideia original da história foi criado pela escritora Siobhan Dowd, que assim como a mãe de Conor, sofreu com o câncer e acabou falecendo em 2007. Infelizmente ela não teve tempo de terminar a obra, dando a Patrick Ness a proposta de desenvolver a trama. Mesmo hesitando, Ness conseguiu criar uma obra memorável e que com certeza encheu Dowd de orgulho.

Sobre a adaptação:

Com lançamento previsto para estreia dia 27 de outubro de 2016, a história fantástica tem o mesmo diretor de O Orfanato e O Impossível. No elenco, Felicity Jones, Liam Neeson, Sigourney Weaver e Lewis MacDougall.

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Ficha Técnica:

 

Título | O Chamado do Monstro
Autor | Patrick Ness
Tradutor | Antônio Xerxenesky
Editora | Ática
Edição | 1a
ISBN | 9788508147311
Especificações | 216 páginas

 

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.