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Buteco Literário

Resenha: O Exorcismo é real e agonizante!

Confira a nossa resenha de O Exorcismo e entenda porque esse livro vai tirar o seu sossego.

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01Com mais de 40 anos, o filme O Exorcista se transformou em um marco na história da filmografia de terror e é considerado uma obra atual bastante assustadora mesmo depois de tantos anos. Além de uma boa história, o filme foi marcado de acontecimentos bizarros desde as gravações até a exibição do filme nos cinemas. Fatos sobrenaturais aconteciam nos sets de filmagem e muitas pessoas passaram mal ao assistir. E se você ainda não sabe, o filme foi adaptado de um livro baseado em fatos reais, escrito a pedido de padres jesuítas para alertas as pessoas sobre o mal que existe entre nós.

 

Enquanto o filme pega pesado nos efeitos visuais, gerando maior parte do medo pela experiência sensorial, o livro consegue nos aterrorizar ainda mais por meio de uma narrativa que mescla uma história de terror suspostamente verídica com uma série de depoimentos e relatos, nos convencendo da veracidade dos fatos relatados. Se você já assistiu ao filme, conseguirá ver inúmeras diferenças entre a possessão real em relação ao filme e ao livro de ficção.

“(…) Um dos braços de Robbie se moveu quase imperceptivelmente sob a correia. Ele deslizou a mão para fora da amarra. Ninguém percebeu quando o garoto estendeu a mão pela lateral da maca e, de alguma forma, soltou uma das molas. Hughes gritou e lutou para se levantar, o braço esquerdo pendendo flácido. Sangue manchava a sobrepeliz e a estola. O garoto tinha cortado o braço de Hughes do ombro ao pulso. Foram necessários mais de cem pontos para fechar o ferimento”

Na obra relançada pela Darksidebooks em edição de luxo, o autor Thomas B. Allen aborda de maneira super imparcial e um tanto jornalística os registros e a visão dos estudiosos, desmistificando até alguns casos que foram dados como possessão, quando na verdade se tratava de uma doença como epilepsia, por exemplo. A maneira que o autor aborda toda a questão de possessão nos transmite confiança e nos faz acreditar cada vez mais nisso tudo.

“Escrevi este livro como um jornalista que tenta contar uma história da maneira mais direta e minuciosa possível. Nunca antes tinha sentido a necessidade de mostrar minhas credenciais dessa maneira. No entanto, queria que meus leitores soubessem que o que eles leram foi escrito por um agnóstico criado como católico, educado por jesuítas e que ainda se pergunta a respeito do significado de spiritus.”

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A história do livro acontece em 1949, passeando entre o imaginário e o real sem perder o ritmo da narrativa e conta a história de um jovem com o pseudônimo de “Robben”. O protagonista passa a ser o centro de uma série de atividades paranormais após receber um tabuleiro Ouija de presente de sua tia Harriet, que é envolvida com espiritismo. Uma semana depois, tia Harriet morre em Saint Louis e uma série de incidentes começam na casa da família. Após buscarem ajuda com um médico, psicólogo, vidente e pastor, a família percebe que precisam de uma ajuda divina e recorrem aos padres católicos para realizarem sessões de exorcismo.

O caminho pela cura é longo e a família passa por situações bastante complicadas a partir de então. São inúmeras sessões de exorcismos, inúmeros padres, ambientes e páginas de tirar o seu sossego. É muito interessante acompanhar o ritual de exorcismo e perceber que não se trata apenas de rezar, apontar uma cruz e jogar água benta.  No livro, um padre que vivia na cidade da família tenta realizar o ritual mas não obtém sucesso e acaba soltando as amarras que prendiam o garoto e se ferindo gravemente em seguida.

“O exorcista tinha acabado de dizer em latim ‘diga-me o seu nome, o dia e a hora da tua partida através de algum sinal’, quando começaram a aparecer arranhões em uma das pernas do menino: três linhas paralelas. Então, após a palavra horam (hora em latim), uma marca no formato de um X apareceu…”

Uma característica que enriquece ainda mais esta obra, é que um dos padres (Walter Halloran) registrou tudo em um diário e está disponibilizado na íntegra e sem edições do autor nas últimas páginas desta edição da Darksidebooks. Para você ter ideia, o livro O Exorcismo é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a luta diária entre o bem e o mal”.

É preciso entender que esta não é uma história de terror como você está acostumado. O Exorcismo é uma não-ficção construído a partir de inúmeros depoimentos e documentos. Este relato jornalístico pode ser uma leitura tranquila ou pode te deixar bastante impressionado, como aconteceu comigo. A imparcialidade e o profissionalismo de B. Allen conseguiu me amedrontar e dar bastante aflição ao longo da leitura. Se você acredita ou não em demônios e possessão, este livro irá testar sua crença e deixa-lo reflexivo sobre o assunto.

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Este livro é agonizante e essencial para quem é fã de terror.

Autor: Thomas B. Allen é jornalista desde os anos 1950. Na década seguinte, foi contratado e pela divisão editorial da National Geographic, onde contribui como freelancer até hoje. Tem mais de quarenta livros publicados sobre os mais diversos temas, como política internacional, história dos Estados Unidos, guerras, espionagem, romances, vida selvagem e fauna marinha, incluindo alguns títulos sobre tubarões. Exorcismo é seu primeiro lançamento pela DarkSide Books.

Ficha Técnica

Título | Exorcismo
Autor | Thomas B. Allen
Tradutor | Eduardo Alves
Editora | DarkSide®
Idioma | Português
ISBN | 978-85-66636-98-7
Especificações | 272 páginas, Limited Edition

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Prazer! Sou a Ana.

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Prazer! Sou a Ana.

Aos 30 de setembro, vim ao mundo, parto natural, recebi o nome de Ana. Casa cheia. Eu, meus pais e irmãos. Tinha também o Floquinho e a Belinha, nossos peludos. Andei, falei, corri, brinquei, aprendi a escrever, como toda criança! Vivi uma infância feliz.

Ah, não! Espinhas na cara. Chegou a menarca? Que saco! Conflitos, insegurança, noias na cabeça, raiva, brigas, tédio… odeio estudar! Ainda perguntam “qual é a faculdade que quer fazer?” Vestibular, dezenas de apostilas, horas de estudos. Aprovada! Agora sou universitária. Faculdade, liberdade, a turma de amigos. Finalmente, sou “de Maior”. Posso tudo! Tenho os passaportes da vida adulta: CNH, diploma e carteira de trabalho.

Trabalho, trabalho, trabalho, contas a pagar, muitas responsabilidades. Bem-vinda à maturidade! Onde fica a diversão? Prazeres? Só por algumas horas. Trânsito, estresse, injustiças, puxa-saco promovido. Já te falei que odeio meu chefe?! Estudei tanto para fazer isso?! Não quero mais esse emprego. Se eu pedir as contas, o que vou fazer? A vida tá um saco! Tô tão triste. Nada tem sentido. Comecei a terapia. Desacelerei, mudei de estilo de vida, parei de dar bola para minha mente. Ela me deixava maluca. A vida tá legal. Acho que conheci o amor da minha vida. Vamos nos casar? Filhos? Não! Quero independência, um amor leve e do meu jeito. Ele no seu canto e eu no meu recanto. Assim está tão bom!

Silhouette of little girl raising hand to freedom happy time

Olho no espelho e ainda reluto a acreditar: estou velha! Os anos passaram tão rápido. Demoro para perceber que aquelas rugas e as manchas na pele são minhas! Minhas? Não é possível! A realidade só toma corpo quando lembro das despedidas. Despedir nunca foi fácil. Lembrar de quem já partiu me deixa mal. Melhor mudar de assunto. Assim, sem perceber, um dia, o corpo não acompanhava mais a mente. Esse descompasso causou alguns acidentes. No último tive de fazer dezenas sessões de fisioterapia. Era isso ou entrar na faca. Deus me livre! Ufa, ainda bem que meu corpo ajudou. Conversava com minha perna todo dia “pode tratar de curar ou prefere passar por uma cirurgia e ficar com uma cicatriz?” Ela, como filha obediente, foi gradativamente melhorando. De resto, tudo vai bem. A cabeça às vezes dá uns apagões. Alguns até desconcertantes. Em reuniões familiares, noto os olhares entre os mais jovens como que dizendo “será que é Alzheimer?” Dou risada por dentro. Sinto vontade de falar “não tô gaga ainda, só velha mesmo!”. Em casa, os dias passam, sem nenhum compromisso marcado, sem pressa, não há chefe me esperando, marido aguardando o almoço ficar pronto, filho perguntando se vi a calça que ele tanto gosta. Não, não pensem, que a minha vida é triste e solitária. Essa é a vida que escolhi. Nem pior ou melhor, mas a que escolhi!

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Vó Raissa

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Desde a liberação de novas áreas de assentamento na Cisjordânia, a Intifada voltara furiosa. Os confrontos eram diários e a violência crescente.

Meus irmãos, Ahmed e Khaled, já não iam à aula há três dias, o tempo inteiro nas ruas do bairro, se escondendo atrás dos carros e arremessando pedras nas patrulhas israelenses. No início eles respondiam com gás lacrimogênio, mas depois que alguns soldados israelenses se feriram, balas de verdade passaram a ser utilizadas provocando mortes. Sem choro; seria bobagem mesmo.

Morávamos com nossa avó Raissa desde que nossos pais se foram, nem vou detalhar como. Seria bobagem mesmo.

Vó Raissa passava o dia todo na cozinha fazendo nossas refeições. Fazia comida e milagres com a precariedade de recursos e mantimentos que tínhamos, alheia a tudo além de suas panelas. Parecia uma sombra. Eu nunca percebera, o mais minimamente, o que se passava em sua cabeça. Nem tentava, seria bobagem mesmo.

E eu, estudava o Alcorão. Há três anos entrara para a Escola Corânica e o Sufi que me orientava, um verdadeiro homem santo, à medida que se entusiasmava com meus progressos, ficava cada vez mais exigente. Tinha três Suras para estudar por semana e, acredite, isso é muita coisa se você quer mesmo penetrar no seio de Alá.

Minha avó via meus irmãos saírem toda manhã com a cabeça coberta pelo Keffiyeh e só voltarem, já tarde da noite, sempre com alguns ferimentos. Ela não dizia nada, seria bobagem mesmo.

Também me via lendo o Livro horas a fio e igualmente não dizia nada. Sua cabeça era um mistério.

Certo dia, tão similar aos anteriores, eu estava sozinho em casa estudando o Sura do Trovão, um dos mais difíceis, e ela passou por mim, tocou muito levemente minhas costas e disse:

“Escolha uma pedra, coloque-a na mão e dê a volta no quarteirão”.

Fechei o Livro sagrado e obedeci imediatamente.

Só Alá é Deus e Maomé, o seu Profeta.

SOBRE O AUTOR

JUSTINO VIEIRA – Engenheiro de Estruturas, Professor de
Engenharia na UFF e Arquitetura na PUC-RJ, leitor obsessivo,
e que passou a vida inteira às voltas com números e contas,
mas aprendeu com Drummond que “a luta com palavras é a luta mais vã”

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Marcas desumanas em paredes brancas

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Os arbustos pareciam distantes. As colinas, de um verde jovial, reluziam ondulantes no horizonte. Algumas folhas regiam a sinfonia do vento com clássica doçura, enquanto outras sacolejavam e insistiam na segurança da raiz. O riacho conversava com as pedras em tom ameno, recitando versos de ternura. O céu, mesclado de azul e cinza-claro, se modelava e se deformava, adaptando a manhã aos desejos da natureza.

A janela de vidro ainda tinha sinais embaçados da madrugada. Gotas solitárias escorriam de uma madeira a outra. A temperatura interior estalava na lenha contorcida da lareira. O clima parecia aconchegante, apesar de gélido. O sol, ainda parcialmente desperto, e sabendo de seu poder, evitava lançar seu charme de forma abrupta sobre o gramado. As árvores respiravam pausadamente, trabalhando sem pressa.

Ao lado da lareira, as estantes enfileiravam e organizavam o repertório de uma Era. Os livros, sem lar vertical, se amontoavam pelos cantos em lógicas definidas. Dois deles, por motivos distintos, repousavam na mesinha de centro, juntos a riscados e rabiscos. A gaveta emperrada guardava segredos de décadas. No criado-mudo, fotografias e recortes de jornais antigos contavam mentiras de povos perdidos.

Os lençóis, trocados recentemente, ostentavam uma brancura quase transparente. Nas cortinas de seda cara imperava um branco fosco, duro e intransponível. As paredes eram sujas, manchadas com marcas humanas e desumanas. Pouco era possível recordar do tempo em que elas também eram brancas. Do tempo em que a janela permanecia aberta e o coração permanecia vívido. Do tempo em que o infinito aparentava estar mais distante que os arbustos das colinas. Do tempo em que o infinito estava do lado de lá, das gotas solitárias.

Suspirei.

Tudo estava branco novamente.

 

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Bombando!