Resenha: Tristão e Isolda | Cinema de Buteco
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Resenha: Tristão e Isolda

Conheci Tristão e Isolda através do filósofo Schopenhauer. Não que eu tenha me deparado com qualquer referência a essa história nas obras do pensador alemão. Na realidade, é que os estudos de Schopenhauer, guiaram-me até Nietzsche, que por sua vez, me fez conhecer o compositor Richard Wagner, e este me encantou com uma de suas mais célebres óperas, que no caso, chama-se Tristão e Isolda.  Por favor, encare essa introdução feita até o momento, como um relato pessoal e uma maneira (assumida) de tentar lhe apresentar e/ou aproximá-lo de algumas boas referências filosóficas e artísticas.

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Pronto. Agora podemos prosseguir o texto focando-o em seu aspecto principal, que é a história do cavaleiro Tristão e da princesa Isolda, a Loura. Esta obra consiste numa lenda celta e seu criador (ou criadores) é desconhecido. Apesar disso, o que sabia-se sobre o conto foi sendo traduzido e organizado ao longo do tempo por vários autores diferentes, e assim, Tristão e Isolda imortalizou-se.

Esta é uma história de amor encoberta com um toque gracioso de fantasia. Ela é composta por um herói e uma mocinha que se apaixonam. Clássico e aparentemente clichê. Ah, claro, para confirmar o perfil supostamente enlatado, existe um vilão que assombra o casal. Só que este vilão foge de estereótipos e aqui, portanto, entramos num conto criativo, impactante e sublime, já que este grande vilão trata-se do próprio amor que existe entre o casal. Este sentimento é absolutamente impossível de ser concretizado. Tristão era um fiel e virtuoso cavaleiro da Cornualha. Servia seu querido tio e rei, Marcos.

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Certa vez, a pedido do tio, viajou em busca de Isolda para levá-la à sua terra com objetivo de que ela se tornasse esposa do rei Marcos e rainha da Cornualha. Mas durante o caminho, por uma infelicidade (ou felicidade?) do destino, Tristão e a princesa Isolda tomam uma poção mágica que desperta nelas um intenso, imediato e eterno amor. Porém, não o cavaleiro não quer decepcionar seu tio. Isolda não pertence a ele. Mas é dificultoso lutar contra seus sentimentos.

Dentro deste trágico quadro de acontecimentos, os amantes não podem viver juntos, mas se eles estiverem separados, também não sobrevivem, pois foram vítimas de uma poção mágica que os mantém em encantamento e paixão eterna. Uma situação complexa, eu sei. Aliás, é um amor verdadeiramente metafísico, pois é intangível. O sentimento não é suficiente.

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Logo, através desse rebuliço que conduz a lenda, não há mais nada que a torne previsível. Muito pelo contrário, conforme se segue a leitura, cada vez menos sabe-se que rumo a história tomara, já que fica cada vez mais claro que essa narrativa traduz a existência de um amor trágico e que dificilmente terminará com um final feliz.

Recomendo a leitura por se tratar de uma lenda antiga, que inspirou e encantou muitas mentes, e que sempre continuará despertando emoções intensas em seus leitores.

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Ficha Técnica

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Título | Tristão e Isolda Coleção Obra-prima De Cada Autor

Autor | Anônimo – Lenda Medieval Celta de Amor

Editora | Martin Claret

Idioma | Português

ISBN | 8572326340

Especificações | 134 páginas/ 1ª Edição – 2006

 

Juliana Vannucchi