Histórias de Cinema #2: Batman Eternamente

A coluna Histórias de Cinema é uma visita ao passado com os nossos escritores relembrando como foi a experiência de assistir a determinadas obras. Caso você queira participar, veja como no final do texto!

Historias de Cinema - Batman Eternamente
O ano era mil, novecentos e noventa e cinco.

Eu tinha 10 anos e aguardava ansiosamente o lançamento de Batman Eternamente. Depois de ter visto O Máskara e Débi & Lóide, fiquei empolgadaço ao saber que o Jim Carrey seria o vilão do novo bat-filme. Já tinha até o bonequinho do Charada (de uma coleção baseada na ótima série animada que passava na época) e estava preparado para recriar todas as cenas do filme lá em casa.

Fui com meu pai num belo final de semana, um sábado, assistir ao filme no BH Shopping. Nessa época, o principal shopping da capital mineira possuía apenas três salas de cinema. Duas ficavam no segundo andar, onde hoje é o Hot Zone, e a terceira num canto escondido de uma praça de alimentação, perto da saudosa Sweet Sweet Way.

Em frente à sala 1 havia uma fila enorme para Batman Eternamente, enquanto a sala 2 exibia Gasparzinho. Descobrimos que os ingressos haviam se esgotado e, para não perder a viagem, compramos ingresso para a sala 2 mesmo. Para uma criança de 10 anos foi até bacana: tinha umas referências a Caça-Fantasmas e efeitos visuais de primeira (bom, pelo menos para 1995). Mas o Gasparzinho não dirigia um Gasparmóvel, não tinha frases de efeito como “I’m Casper” e não tinha dado origem a trocentos bonequinhos legais.

Voltamos no dia seguinte para cumprir a nossa saga. Fiquei satisfeito na época. Era o Batman, pô! E daí que Jim Carrey e Tommy Lee Jones pareciam mais o Coringa de “Feira da Fruta” do que Charada e Duas-Caras? E daí que Val Kilmer era um Batman bem chinfrim, sem química nenhuma com a Nicole Kidman e que pegava pra criar um Robin que já tinha 25 anos nas costas? Pelo menos era melhor do que chegar com toda aquela expectativa pelo Cavaleiro das Trevas e ter que se contentar com o pálido Fantasminha Camarada.

A coluna Histórias de Cinema é colaborativa e o espaço está aberto para os nossos leitores. Caso você tenha alguma história legal relacionada com algum filme, envie para contato@cinemadebuteco.com com o assunto “Histórias de Cinema”.

Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e desde 2013 vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.