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A Princesa e o Sapo

Toda história de princesa tem princesa, príncipe, vilão, feitiço e fada madrinha. Não muito mais original do que as outras, essa é diferente por ser um pouco às avessas.

A personagem principal, Tiana, não é necessariamente uma princesa, digo, não dessas nascidas em berço de ouro e tudo o mais. Ela é negra, pobre, filha de um cozinheiro que sonha abrir um restaurante. Sua mãe é costureira e faz vestidos lindos como os de princesas dos livros para Charlotte, filha de um homem muito rico. Charlotte, sim, está para princesa, das mais insuportáveis e mimadas possível. E quer um príncipe a qualquer custo, mesmo que tenha que beijar um sapo, como no conto de fadas. Tiana, também cozinheira das de mão cheia, está mais interessada em realizar o sonho do pai de abrir o próprio negócio e faze-lo um sucesso. Ela trabalha muito, desesperadamente, e junta todas as economias pra conseguir o que quer.

Mas como as coisas têm que acontecer, eis que aparece na cidade um príncipe, que de encantado, a princípio, não tem nada. Naveen, príncipe da Maldônia, é um gastador do dinheiro dos pais, que pararam de bancá-lo, preguiçoso e apaixonado por jazz. Vive a vida procurando farra e moças bonitas. Quando ele chega a Nova Orleans, Charlotte trata logo de fazer o pai oferecer sua mansão pra hospedar o bonitão, prepara um baile à fantasia e tudo mais. E oferece um dinheirão pra Tiana pra que ela cozinhe suas especialidades, assim, Charlotte pode conquistar o princeso pela barriga, já que assim que se conquista um homem, dizem por aí. Tiana aceita: o dinheiro pago pelo serviço será de grande ajuda pra que ela possa, finalmente, abrir seu restaurante.

Acontece que, Naveen, muito desassossegado, esbarra pelas ruas com Mr. Facilier, um charlatão que faz feitiços pros seus “amigos do outro lado”. Conhecido também como o homem da sombra, por um motivo bacana e assustador, transforma Lawrence, empregado de Naveen, no patrão, de quem tem inveja. E o príncipe é transformado, adivinha!, em sapo. Lawrence chega na festa pagando de príncipe e já trata de correr atrás de Charlotte, de olho no dinheiro da filhinha de papai. E o príncipe, agora sapo, sai atrás de uma princesa pra beijá-lo e desfazer o feitiço. Aí, ele encontra Tiana, linda e fantasiada de princesa, e a convence, com muito esforço e por meio de chantagem (por que homens adoram isso?) a “destransformá-lo”. Só que Tiana não é princesa de verdade, né? E aí, os dois pequenos répteis acabam se aventurando por uma floresta escura atrás de ajuda pra voltarem à forma humana. E aqui tem o mais legal: os personagens que aparecem pelo caminho são os mais divertidos de todos.

Não vou contar o que acontece pelo caminho (sim, vou deixar todo mundo curioso e obrigá-los a assistirem desenho!), mas a parte que me deixou surpresa foi a atitude de Charlotte quando ela finalmente precisou agir. Não esperava que ela fosse ter o tal comportamento. No final das contas, depois de muita estripulia do povo doido da floresta, musiquinhas que embalam os momentos e todas as coisas dos filmes da Disney, a moral da história é: seja perseverante, mas não fique obcecado pelo seu objetivo, divirta-se também (nossa, olha quem é que foi ver o filme!) e, quando aparecer um problema, tome tempo pra se conhecer melhor e ver o que há de errado pra, então, buscar uma solução.
É um conto de fadas com uma curandeira de vudu no lugar da fada, muito engraçada. Não ganha da Branca de Neve, mas os personagens da floresta me conquistaram. Vai um chopp pra Tiana e dois pra galera da floresta.

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