Em Busca de Uma Nova Chance (de refazer o filme) | Cinema de Buteco

Em Busca de Uma Nova Chance (de refazer o filme)

Quantas vezes já vimos nas telonas a temática do filho que morre e toda a família fica desestruturada? E em quantas delas o irmão que morreu era o querido e o caçula era rejeitado? Quantas vezes já vimos Susan Sarandon interpretando a mãe desequilibrada por motivos de saúde ou de morte (“Vida que segue”, “Lado a lado”)? Quantas vezes já vimos a história do marido que trai a esposa e se sente culpado depois que o filho morre? E o golpe da barriga então? Quantas vezes?
Pois é, em cima de todos esses clichês que a novata Shana Feste tenta desenvolver um roteiro personalizado, com um cunho familiar, emotivo, para toca os seus espectadores. Bem no estilinho de filme que o Sundance gosta: dramas familiares, histórias que passam todo o desenvolvimento do filme travado por algum impasse e personagens que se debatem durante toda a história. Pois é, mas no caso do filme de Shana Feste fica só na tentativa mesmo. A autora vai passar mais de uma hora e meia tentando te emocionar e não vai conseguir.
“Em Busca de Uma Nova Chance” conta a história da morte de Bennett (interpretado pelo já queridinho Aaron Johnson de “Kick Ass”) e como sua família reagiu a sua morte. Sua mãe não consegue aceitar a sua perda e tenta se consolar esperando o homem responsável pelo acidente sair do coma para saber quais foram as últimas palavras do filho; seu pai acaba de sair de um relacionamento extra-conjugal e não consegue encarar a perda de seu filho, seu irmão ex-viciado se sente rejeitado e culpa Bennett por ser sempre o melhor. Adiciona-se a tudo isso Carrey Mulligan batendo a porta da família dizendo estar grávida do falecido, e temos um dramalhão dos mais carregados possíveis.
Carrey (que faz o par romântico do falecido) é a única coisa que tem frescor no filme. E é a responsável pelas cenas leves do filme, relativas ao nascimento da criança e não a morte do pai. E de plano de fundo ela ainda protagoniza às lembranças do romance ao lado de Aaron Johnson, que particularmente são os únicos momentos realmente interessantes do filme. O roteiro dessa parte tem um quê de anestesiante que faria agente torcer pelo casal, se não fosse a trágica morte do rapaz.




Susan Sarandon deixa muito a desejar ao incorporar a mãe do rapaz. Aliás confesso que já estou cansando da atriz, toda personagem é o mesmo dramalhão, a insensível que no fundo está sofrendo muito, parece que não muda o estilo e está sempre interpretando Susan. Salvo apenas as cenas em que ela se aliena da família e vai para o hospital tomar conta do responsável pela morte de seu filho, e fica falando com ele para ver se acorda do coma.

Aliás quem faz o personagem é Michael Shannon, que quando acorda dá um banho de interpretação e competência, e acredito que se aparecesse mais teria salvo o filme. No mais temos um Pierce Brosnan que em momento nenhum do filme consegue passar a medida exata de emoção exigida pelo personagem, e Johnny Simmons que apesar de ter “Loser” escrito na testa não consegue alcança a profundidade de seu personagem.
O filme não é uma cagada em grandes proporções, percebe-se que apesar ter escrito um roteiro muito exagerado e falho, Shana Feste até que dirige direitinho. As angulações e enquadramentos geralmente são certinhos, as tomadas são num tempo rasoável, porém é só isso. Não sai do basicão. Não tem um enquadramento mais interessante, uma fotografia ousada, nada disso. E além de não possuir brilhantismo ainda pegou um ótimo elenco em um momento, que digamos, não muito bom para todos. Com certeza o filme vai parar nas prateleiras de uma BlockBuster perto de você.
Nome Original: The Greatest


Direção e Roteiro: Shana Feste
Elenco: Pierce Brosnan
Susan Sarandon
Carrey Mulligan
Michael Shannon
e Aaron Johnson
Ano: 2010
Duração: 1 hora e 40 min.

Jairo Borges

Comentários

  1. O que se pode esperar de um blog que tem como título: Cinema de Boteco, ou seja, nada. vá aprender mais um pouco.

  2. Querido Anônimo,

    Como o seu comentário foi feito às 4:44 da manhã, imagino que você estivesse muito cansado para perceber que o nome do site é cinema de buteco, com u mesmo. Espero que retorne em breve e obrigado pelo comentário produtivo.

  3. A crítica não foi justa com o filme. Ele comove, e acho que foi a primeira vez que Pierce Brosnan me parece um ótimo ator, convincente no papel do pai que sofre, mas não consegue dar vazão ao sofrimento. Mas, claro, Carrie Mulligan, com "Educação", já tinha provado que viraria uma estrela. Deliciosa de olhar, ótima atriz. Susan Sarandon atravessa tudo com grande dignidade e Michael Shannon aparece pouco, mas impressiona vivamente. O filme não é uma obra-prima, mas está acima da média.