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O Amor nos Tempos do Cólera


Meu primeiro contato com o escritor colombiano Gabriel García Márquez foi em Memórias de Minhas Putas Tristes. Achei um livro bem escrito, mas que não merecia todo o mérito que recebia. Recentemente, por recomendação de uma amiga, li Cem Anos de Solidão, e entendi o porque do título de um dos melhores romancistas de todos os tempos. Seus livros são recheados de magia e superstição, onde o surreal e o verossímel se encontram, convivem entre si, disputam um espaço, e de uma forma tão harmoniosa. Assim, me apaixonei pelo autor, e o segundo romance que li foi O Amor nos Tempos do Cólera. Lindíssimo. A maneira pela qual o autor discorre sobre o amor, seus fatos, suas intempéries, seus acasos, seus infortúnios. É como se ele traduzisse todas aquelas sensações que temos por alguém que amamos: calafrios, batimentos rápidos, ânsias de vômito. Todos sintomas que coincidem com o cólera. Recomendo que leiam o autor, investiguem sua obra, retalhem seus contos e romances. Como eu fiz.

Depois de ler, corri atrás da adaptação e o que vejo? UM PECADO. Antes de blasfemar contra essa infâmia, tomei conhecimento do filme pelo relato que o Tullio fez aqui.

Posso afirmar com muita convivção que a escolha do elenco foi horrível. Salvo Javier Bardem e Fernanda Montenegro, vemos atores pálidos, insensíveis, fora do tom. A falta de expressão da atriz que interpreta a Fermina Daza, que, descrita por Marquez, tem um temperamento de mula, simplesmente me chocou. E que atriz feia. Um Juvenal Urbino sem o charme e a cortesia que irritavam Fermina. O filme falha com o livro, contando coisas que não aconteceram, e distorcendo outras. E, por Deus, onde está Leona Cassiani??? E, por favor, atores falando inglês? Cadê a fidelidade com o castelhano? Tenha dó.

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Aqui está, definitivamente, um exemplo de MÁ adaptação. Se você leu o livro, FUJA desse filme que peca com o original. Onde está a magia de Márquez, aquilo que nos envolve como um feitiço, na aura de suas linhas, que nos hipnotiza por horas e horas e horas? Não recomendo. Não. Nananinanão.

Vale 1 capirinha, pela interpretação de Javier e Fernanda Montenegro, e só.

Ps.: Post dedicado à Gabi, que faz 19 anos hoje, mas que não vai ler isso…

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