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A Jaula

Um suspense, a culpa do sistema, a exploração midiática e o ódio entre classes.

A Jaula é um suspense estrelado por Chay Suede (Minha Fama de Mau-2019) e Alexandre Nero (Império -2014)e tem lançamento marcado para dia 17 de fevereiro de 2022 nos cinemas do país. O longa marca a estreia do jornalista e fotógrafo João Wainer, dos documentários Junho – O Mês Que Abalou o Brasil e Pixo, na direção de tramas fictícias. 

A premissa do filme é bem direta: o jovem ladrão Djalma, interpretado por Chay Suede, vê um carro de luxo estacionado em uma rua comum e decide roubá-lo. Com facilidade ele consegue entrar no veículo e retirar o rádio, porém, ao tentar sair percebe que as portas e vidros estão trancadas e acaba ficando preso dentro do carro. Após inúmeras tentativas frustradas e vários machucados, ao recolocar o rádio, ele recebe a ligação do médico Henrique, vivido por Alexandre Nero, que confessa ter transformado o automóvel em uma armadilha, uma verdadeira jaula impossível de sair.

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A partir desse momento, o filme estabelece um verdadeiro embate entre os dois personagens em um jogo psicológico de gato e rato. Embora a trama não mostre muito dos antecedentes desses dois homens opostos, é possível saber sobre suas vidas por meio dos diálogos trocados. Djalma fala sobre a esposa e filho e confessa ter matado uma pessoa em um dos seus crimes. Henrique diz frases como “estou cansado de esperar do governo, resolvi agir com as próprias mãos” ou “desmatamento e aquecimento global são fake news”

Além disso, podemos assumir que os dois perderam ou nunca tiveram a capacidade de confiar no sistema e nas instituições. Henrique, principalmente, demonstra muito ódio e rancor e direciona isso às classes C e D, aos quais ele chama de “vagabundos que não querem trabalhar”. Assim, a intenção do roteiro é levantar questionamentos sobre desigualdade social, política brasileira e banalização da violência, ainda que não se aprofunde muito em nenhum desses temas. 

Por falar em violência, o filme expõe a exploração dela pela mídia sensacionalista. Principalmente no terceiro ato, há crítica clara a programas de televisão policialescos como Brasil Urgente e Cidade Alerta. No longa, a personagem de Astrid Fontenelle, uma apresentadora que remete à figuras como Datena e Sikeira Jr, transforma o caso do médico que sequestrou o bandido em um show de horrores, chegando ao ponto de fazer uma enquete perguntando aos telespectadores se Henrique deve ou não matar “o marginal“. 

Outro ponto alto de A Jaula são as atuações. Chay Suede, provou mais uma vez, estar entre os melhores de sua geração e Alexandre Nero traz a revolta, a raiva e o rancor de seu personagem de forma convincente. A Jaula, que é um remake do filme argentino 4×4, além de adaptar ao cenário brasileiro, deixa que a audiência faça o julgamento moral da história e de seus personagens. Assim, no momento em que os créditos finais subirem, você poderá debater sobre os tópicos propostos por ele. 

1 comentário
  1. Joubert Maia Diz

    Interessante a premissa, vou tentar assistir ao filme.

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