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A Primeira Noite de um Homem

(The Graduate). De Mike Nichols. Com: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross.

Se fosse lançado hoje, A Primeira Noite de um Homem seria classificado como uma dessas comédias moderninhas, tipo Pequena Miss Sunchine e Juno. Mas o fato é que o filme foi filmado em 1967, e foi considerado (é até hoje) como um dos mais importantes representantes de um filão de filmes que estava sendo realizado com o intuito de renovar o mercado cinematigráfico americano, até então tomado por superproduções, que não retratavam a realidade da época: os grandes romances e épicos já não correspondiam aos anseios daqueles jovens cineastas, entre os quais se incluíam Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Robert Altman e Mike Nichols.

Este último já havia recebido uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor pelo ótimo Quem tem medo de Virgínia Woolf?, sua primeira incursão no cinema (até então era um diretor reconhecido de teatro). Mas foi com A Primeira Noite de um Homem que teve seu talento reconhecido, ganhando a estatueta na categoria, e sendo indicado às outras categorias principais da premiação (filme, ator, atriz e atriz coadjuvante, entre outras). É a história de Benjamin (Dustin Hoffman), que com 21 anos, acaba de se formar na faculdade. O tempo que passou longe de casa, o fez enxergar a futilidade de seus pais e da vida que levava, mas ao voltar percebe que as coisas não mudaram muito. Forçado a “fazer média” com os amigos chatos da família, vê que só aquilo que seus pais projetaram para ele é levado em consideração, em detrimento de seus verdadeiros interesses e sonhos (alguma semelhança com a realidade??).

É num dos jantares que sua família oferece, que conhece a Sra. Robinson (Anne Bancroft) esposa de um dos sócios de seu pai. Para fugir da rotina, ou devido a atração que aquela mulher exerce sobre ele, os dois acabam tendo um caso. As coisas mudam quando Benjamin conhece a filha de Sra. Robinson, Elaine (Katherine Ross) e se apaixona por ela. Começa então uma verdadeira jornada para que o jovem consiga realizar o que quer, a despeito da desaprovação dos pais da moça: casar-se com ela.

Como na maioria dos trabalhos de Nichols, (Closer por exemplo, só pra citar o melhor dos que vi, na minha opinião) a força do filme está em enquadramentos e movimentos de câmera que simbolizam o distanciamento/aproximação dos personagens (a cena em que Elaine descobre o caso dos dois por exemplo), a trilha sonora clássica, feita por Simon & Garfunkel (a abertura com “Sounds of Silence”, a linda “April Come She Will”, e claro “Mrs. Robinson“), a direção que prioriza o trabalho dos atores (todo o elenco principal está ótimo) e nos diálogos muito bem escritos (as conversas entre Sra Robinson e Benjamin, onde aquela demostra total controle da situação ao mesmo tempo em que acha graça das atitudes imaturas de Benjamin, por exemplo).

É um ótimo filme, que conta ainda com uma crítica bem interessante no final: na vida real existem “finais felizes” realmente? Não. A vida segue depois deles, e aí vem a responsabilidade que todos tempos que ter sobre nós mesmose sobre os ações (às vezes impensadas) que temos.