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A Rocha que Voa

Uma forma de se encontrar e conhecer melhor as memórias do pai, seus trabalhos, seus pensamentos. Nada melhor do que faze-lo utilizando-se da ferramenta com a qual sempre trabalhou: o cinema. É esse um ponto importante do documentário “A Rocha que voa”, do diretor Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha, pai que ele não teve a oportunidade de conhecer. Talvez não tenha sido essa a intenção, mas a produção do documentário, de qualquer maneira, fez com que, de certa forma, ele se aproximasse de um pedaço da trajetória de seu pai.

O documentário retrata a passagem de Glauber Rocha por Cuba, entre 1971 e 1972, quando estava exilado, uma parte de sua história que não é muito conhecida. Trata-se de uma bem-sucedida e ousada tentativa de trazer de volta à tona as inquietações de uma época, que as gerações posteriores fizeram por esquecer.
O tema central de todo o documentário é a exaltação de um cinema latino-americano liberto das influências dos países colonizadores, a idealização de um cinema com uma linguagem própria, libertando o “grito” de um povo que se encontrava sufocado. Esse “grito” é muito bem apresentado por Eryk através das cores, grafismos e texturas, que fazem por estourar a película do filme, representando um grito de libertação.


A Sonoplastia também chama atenção no filme, pois ao mesmo tempo em que ele utiliza as cores para representar algo, a musica também entra com grande poder, mostrando musicas da região, algumas com distorções e ate mesmo citações, como é mostrado no final com Teka.

Vale lembrar que não estamos diante de um filme fiel ao estilo de Glauber, mas de uma obra autônoma que se constrói a propósito dele, uma obra que não necessariamente faz uma direta referência a ele, mas, em todo caso, depende da pessoa e da atitude de Glauber para que possa existir.

Através de depoimentos, é revelado um Glauber é eufórico com a possibilidade de o intelectual revolucionário de abandonar as fileiras da elite burguesa e integrar-se ao processo social e político, como qualquer trabalhador. Por outro lado, o cinema parecia-lhe o agente ideal para promover a unidade cultural e política da América Latina e do Terceiro Mundo.

Enfim, Eryk foi capaz de encontrar as devidas imagens e construir um documentário que expresse o discurso de seu pai, sem que para isso ele necessitasse modificar sua visão própria, onde ele constrói um filme não sobre seu pai, Glauber, mas através de seu pensamento, de seu ponto de vista, e com isso fez um filme diferente que foi vencedor de vários prêmios. Glauber rocha é du caralho. rs

Rocha que Voa

Gênero: Documentário
Ano/Produção: 2007/Brasil
Duração: 95 min.
Direção: Eryk Rocha
Elenco: Eryk Rocha