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A Viagem

APESAR DE DURAR QUASE TRÊS HORAS e ser um tanto arrastado, foi uma surpresa refletir positivamente sobre o ambicioso A Viagem, adaptação de uma obra literária que por muito tempo foi considerada complicada de ser levada para o cinema. Diante de inúmeras histórias paralelas e com tudo interligado, imagino como deve ser difícil entender a obra original. Felizmente, apesar de complicadinho no começo, os roteiristas conseguiram realizar um bom trabalho e o novo filme dos irmãos Wachowski (Matrix) merece uma atenção especial.

Co-dirigido por Tom Tykwer (Corra, Lola, Corra), a produção, que tem o mesmo nome daquela antiga novela global, apresenta seis histórias distintas conectadas de algumas forma. Mais ainda: o grande elenco reunido pelos diretores está presente em cada uma das histórias, mas para encontrar todos é preciso ver e rever A Viagem algumas vezes. Explorando muito de filosofia budista e dos karmas de nossas várias vidas, o roteiro revela ter outra semelhança com a novela estrelada por Christiane Torloni: como os nossos erros do passado retornam no presente (e futuro, como é visto), a tal da lei de causa e efeito.

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Tom Hanks, Hugh Grant, Hale Berry, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Jim Broadbent, Susan Sarandon, Doona Bae e Hugo Weaving (que retoma sua parceria com os diretores da trilogia Matrix) são os protagonistas de A Viagem. Hanks estrela uma versão futurista de um mundo apocalíptico; Berry é uma jornalista investigando uma usina nuclear; Sturgess está na época dos escravos e embarca numa longa viagem para casa; Broadbent é vítima de uma vingança cruel de seu irmão e vai parar num asilo; Whishaw é um ambicioso compositor tentando criar sua obra-prima; e Bae narra todos os eventos que a transformaram em uma líder revolucionária no futuro. As histórias são interligadas sutilmente, inclusive com uma bela transição de uma cena para outra, mas os méritos principais estão nas atuações de Broadbent e Weaving, que estão brilhantes.

 Antes de dizer que estou apenas elogiando o filme por temer uma reação semelhante à de um dos personagens de Tom Hanks depois de ser criticado, A Viagem não é perfeito. Pessoalmente, tive um problema com a duração do filme (o que ficou explícito no começo do texto). Nada contra obras longas, sou fã das trilogias de O Poderoso Chefão e O Senhor dos Anéis, por exemplo, mas é diferente. Ainda que a montagem seja cuidadosa e o filme não tenha grandes quebras de ritmo, é forte a impressão dele ser cansativo. Talvez a culpa seja de algumas histórias mais fracas, como Jim Sturgess sofrendo durante uma interminável viagem de navio ou Tom Hanks e Hale Berry buscando uma maneira de sobreviver num futuro apocalíptico. Mas as tramas envolvendo o velhinho fugitivo (Jim Broadbent) da versão sádica do Exótico Hotel Marigold ou toda a trama do compositor conquistam desde o começo.

Misturando sci-fi com comédia, conspirações corporativas e dramas envolvendo a escravidão, o destaque maior vai para a direção de arte e fotografia. Em uma das tramas, a que envolve um sósia do Spock (Jornada nas Estrelas) no universo de Blade Runner – O Caçador de Andróides, fica praticamente impossível não se lembrar do resultado visto no filme de Ridley Scott. Já na versão do futuro apocalíptico estrelado por Hanks e Berry, a primeira lembrança é dos planetas apresentados na trilogia mais recente de Star Wars.

Se você for um espectador em busca de um “filminho pipoca mimimi” para gastar o seu tempo dando uns amassos, peço um favor: não saia dizendo que detestou tudo, pois certamente não é verdade, considerando que seus olhos estavam fechados na maior parte do tempo. A Viagem é uma experiência pretensiosa, que acabou sendo injustamente mal recebida por muitas pessoas, mas que realmente cresce depois de uma boa reflexão. Abra o seu coração, faça uns treinos de Yoga para exercitar a paciência, e então vá para o cinema. Talvez você se surpreenda e descubra que… ahnm, tudo está conectado.

Nota:[tresemeia]

27 Comentários
  1. Tiago Ferreira Diz

    bem assim! confuso a principio mas bem articulado como unidade.

  2. Daniela Oliveira Diz

    Adorei o filme! Recomendo, mas só para aqueles que queiram se esforçar um pouco para prestar atenção, para depois não sair dizendo que quer o dinheiro de volta, como aconteceu na sessão que eu fui.

  3. Marcos Batista Diz

    Um dos melhores filmes que assisti…

    1. Fredson Vieira Costa Diz

      esperando uma oportunidade pra ir assistir tbm…

    2. Dorival Vieira Junior Diz

      Nossa excelente o filme e marivilhoso!" Quem espera os creditos finais entende neh Marcos Batista……. heheh

  4. Gabriel Ribeiro Diz

    Como sou meio lerdo achei o filme um pouco confuso. Saí do cinema com aquela sensação: QUE PORRA FOI ESSA?!. Acredito que não foi só eu. O cinema todo ficou com cara de WTF! na parte que o pessoal do futuro revela que estão fora da Terra. Considerações finais: o filme é louco, mas interessante e reflexivo.

    1. Marcos Batista Diz

      Dica, assisti de novo rs rs. Vai começar a entender. E ver os créditos do filme no final!

    2. Patricia Veiga Ferreira Diz

      Desligaram o projetor antes de começar os créditos no cinema que eu fui. =/ Realmente tem alguma coisa depois da frase "não se levante agora…" ??

    3. Vitor Hugo Pereira Diz

      Praticia, um pouco depois tem todos os personagens que um só ator interpretou .Em todas as épocas eles estavão lá. Mas somente nos créditos que você realmente irá identificar eles . Foi surpreendente como eles foram maquiados para se parecerem outra pessoa.

    4. Marcos Batista Diz

      Pois é Patrícia, os créditos é uma forma de "pequeno" tutorial de entendimento do filme, pois dá pra entender um pouco sobre as "vidas" dos personagens na forma de sequência… Tipo, da primeira "encarnação" até as posteriores, e conforme o bem ou mal que Eles iriam fazendo o futuro vai se moldando!

  5. Gustavo Melo Diz

    Saí do filme com um único pensamento na cabeça: "preciso ver de novo e ler a obra original". Não é um filme para se tirar conclusões de primeira.

  6. Gilberto Filho Diz

    Na metade do filme ainda não tinha entendido nada. Confuso, muito confuso. São muitas histórias paralelas e em tempos diferentes. Assisti até o final para ver se alguma coisa começava a fazer sentido, mas nada que valesse à pena apareceu. Perdi meu tempo. Se o filme é tão confuso que é preciso assistir duas ou mais vezes para entender, deveriam avisar no início: "fizemos uma confusão tão grande que você terá que pagar a entrada do cinema várias vezes para entender".

  7. Walker Corradi Diz

    Nem a crítica especializada tem uma conclusão a respeito. Roteiro de interpretação complicada,mas vale a pena tentar achar nexo entre as histórias.

  8. Emili Peruzzo Diz

    Eu olhei o filme uma vez só e entendi direitinho, curti pq adoro filmes complicados e perturbadores.. só acho que esse pessoal aí que fica criticando tem que parar de assistir BBB e ir ler um livro ou fazer algo que exercite o cérebro antes de olhar um filme como esse.

  9. Katia Eichenberg Diz

    assisti ao file duas vezes e não me arrependi .. imagens novas a cda vez e quem sabe assuntos para reflexões… no mínimo

  10. Ilaine Tiago Diz

    Bom, estava com dúvidas … mas, depois de ler seu texto com certeza irei assistir.

  11. Carolina Cruz Diz

    O começo é um pouco confuso mesmo, mas depois as histórias vão se acertando e se conectando. É filme para prestar atenção e raciocinar. Achei muito bem feito, principalmente as maquiagens. Alguns atores ficaram irreconhecíveis em algumas vidas.
    Infelizmente não vi os créditos, acenderam as luzes antes… –'
    Não sabia do livro, mas já achei na Saraiva e entrará pra minha lista de desejos de 2013.

  12. Heloisa Biagi Diz

    Nunca vou me esquecer de quando Matrix estreou em 98. O mimimi em torno dele foi imenso. Por motivo simples: NINGUEM entendeu de primeira. Hoje na era do Facebook parece meio anacrônico falar de "matrix" e "alter egos virtuais" como algo revolucionário e/ou de difícil compreensão. Mas na época, bicho…. quantos debates não se formaram a respeito, quanta gente saiu do cinema mesmerizada com os saltos de Trinity, mas com cara de conteúdo em relação à história. O filme precisou abocanhar alguns prêmios e ser exibido novamente nos cinemas para ganhar o status que tem hoje. Cloud Atlas parece seguir esse mesmo caminho. Histórias cruzadas, karma, reencarnações, lei do retorno… parecem ser demais para muita gente. O que prejudica Cloud Atlas em relação a Matrix é que em 1998, as pessoas se sentavam no sofá e conversavam horas a respeito, o que permitia epifanias e reconsiderações. Hoje, 3 linhas de status update no Facebook (ou 140 caracteres no Twitter) são tudo o que muitos assuntos têm antes de caírem no total esquecimento pelas pessoas. Mas o tempo é o senhor da razão.

    1. Guilherme Viana Diz

      Comentário Excelente

    2. Roger Martins Diz

      vdd, otimo comentario…..

  13. Julian Probst Diz

    Achei o filme fantástico, sensacional. No início você fica intrigado pela quantidade de informação e personagens, mas depois tudo vai se encadeando de forma fantástica. Existem vários conceitos do Espiritismo codificado por Allan Kardec, tais como: reencarnação, lei de causa e efeito, imortalidade da alma, pluralidade dos mundos habitados. É um filme pra ser visto e revisto, mas entrou no meu top 10. Interessante também é o conceito de que tudo está conectado, que já havia sido mostrado em filmes como avatar.

    1. Carolina Cruz Diz

      Perfeito seu comentário!

  14. Luciana Pinheiro Diz

    O filme tem uma mensagem! Foi feito para reflexão! Gostei muito e assistirei mais uma vez!

  15. Jessica Fernanda Diz

    mds achei esse filme mó porcaria mds nunka mais quero ver na minha frente

  16. Virginia Venega Diz

    Tô me preparando mentalmente para assistir esse filme novamente. A ideia e o final
    são muito interessantes, de verdade. No entanto, terminei de assisti-lo e fiquei com
    aquela sensação de "excesso de informação". Como a troca de histórias se
    dá muito rápido e de maneira confusa eu diria (até você entrar no ritmo do filme),
    você fica (eu fiquei) com a sensação de que poderia ter gostado mais do filme
    se tivesse conseguido compreendê-lo melhor!

  17. Luciane Cristina De Oliveira Diz

    Esse filme é um filme para ser visto e revisto… A questão do karma é bem clara e da nossa quase incapacidade de mudarmos o que nos é incultido através de nossas vidas… o rumo só é alterado, se nós não nos deixamos ser tentados pelo anjinho mal do nosso subconsciente que nos alerta de como devemos agir e se o escutamos, temos sempre os mesmos resultados…O mote do filme é como não escutar essa vozinha do mal e passarmos a escutar os nossos próprios presságios, nossa intuição…

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