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Contra o Tempo

O QUE VOCÊ FARIA SE TIVESSE APENAS OITO MINUTOS DE VIDA? Essa é a grande questão do thriller sci-fi Contra o Tempo, produção que pode ser descrita como a mistura da obra do mestre da ficção-científica Phillip K. Dick com a fantasia transformadora de caráter do clássico O Feitiço do Tempo e o clima de tensão de Deja Vu. A diferença é que além da ausência de Bill Murray e Denzel Washington ou dos replicantes de Blade Runner, a obra do diretor Duncan Jones usa toda a complicação impossível da trama para focar exclusivamente na melhor forma de garantir a atenção do público e mistura os melhores “detalhes” das obras mencionadas, sem deixar de ser criativo e interessante. 

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Estrelado por Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan, o filme conta a história de Colter Stevens, um militar que acorda dentro de um trem e descobre que está dentro do corpo de outra pessoa. De repente o trem explode e ele começa a ser interrogado por uma misteriosa oficial do exército. Então ele descobre que está sendo enviado para o passado para descobrir quem foi o responsável pela detonação da bomba e faz parte de um inovador projeto da inteligência militar, liderada pelo cientista interpretado por Jeffrey Wright

O problema é que as viagens duram apenas oito minutos, que é o tempo exato para a bomba detonar e tudo começar novamente. O personagem de Gyllenhaal começa a investigar os passageiros suspeitos e se mete em várias roubadas, enquanto vai se apaixonando lentamente pela personagem de Monaghan, que flerta com ele em todos os momentos. Essa paixão impossível acaba incentivando Colter a solucionar o crime e retornar mais uma vez para tentar evitar a morte de todas aquelas pessoas inocentes. 

Gyllenhaal mostra um timing perfeito para aliar comédia com suspense. Assim como é comum em produções do gênero, o seu personagem adquire uma consciência muito grande de tudo que se passa ao seu redor e isso acaba sendo entediante. Com menos sarcasmo que Murray faz em O Feitiço do Tempo, ele consegue fazer rir com alguns momentos simples, mas sem cair no exagero ou perder a naturalidade do personagem. O ator também deve ter buscado referências na atuação de Bruce Willis em Os 12 Macacos, já que ele se divide na forma de lidar com Coleen Goodwin (Vera Farmiga), uma das responsáveis por enviar o personagem ao passado. 

A direção de Jones mostra bons momentos e evoluções desde a sua estreia em Lunar, obra que buscava referências em Solaris e 2001 – Uma Odisseia no Espaço, e que tinha Sam Rockwell e Kevin Spacey no elenco. Contra o Tempo é a garantia de que Jones ainda terá muito trabalho pela frente, mas que caminha para se tornar um dos nomes de destaque no campo da ficção-científica, gênero fetiche do diretor. E quando falo em evolução, não estou dizendo que é por conta desse novo filme ter mais de um personagem principal, certo? 

Apesar de ser um tema traiçoeiro (e que provavelmente nos deixa com um dúvida brutal no final da projeção), o importante é que Contra o Tempo é um filme agradável e divertido, daqueles que você não conta os minutos na frente do cinema para chegar logo em casa e colocar as novidades em dia com os amigos. Vale muito a pena.