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Matrix

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Matrix poster
Matrix poster

Este post se destina a pessoas que:
1 – Não assistiram Matrix;
2 – Assistiram mas não entenderam Matrix;
3 – Assistiram mas não gostaram de Matrix (o que provavelmente te encaixa no grupo 2).
Observação importante: falarei sobre o PRIMEIRO FILME deixando os outros dois da trilogia para posts posteriores.
Bem, todos avisados. Acho que podemos começar.


Lançado em Março de 1999, Matrix se tornou imediatamente um dos clássicos contemporâneos do Sci-fi, trazendo às telas uma realidade alternativa baseada no gênero Cyberpunk, que basicamente significa “punk cibernético” e tem como lema o seguinte esquema “High tech, low life” (alta nível tecnológico, baixo nível de vida.) em uma comparação extrema é imaginar mendigos com braços biônicos mexendo em seus iPads 2 e enchendo a cara de cachaça por não ter nenhuma perspectiva de vida. Isto é cyberpunk.

Só faltou o braço biônico

Ele reparou bem, eu nunca teria visto.

Prosseguindo com a história, o personagem principal é Thomas A. Anderson (Keanu Reaves)  um simples programador de uma grande empresa durante o dia, e a noite se “transforma” num dos Hackers mais fodões reconhecido como NEO.
A vida do Sr. Anderson, ou  NEO  se preferir, é como a de qualquer um de nós, exceto pelo fato de que havia algo que o incomodava constantemente. Um vazio injustificável e uma vontade de ir embora sem saber para onde, uma sensação de não saber se já tinha acordado ou se continuava sonhando. Até que um belo dia (ou melhor numa bela noite) a tela do seu computador começa a piscar uma mensagem inquietante: “Acorde Neo, a Matrix te pegou. Siga o coelho branco” e é o que ele faz até chegar a uma festa onde encontra uma mulher  que se identifica como Trinity (Carrie-Anne Moss), no caso o nome de um outro Hacker responsável por ataques grandiosos a servidores, e que surpreende Neo por ser uma mulher.

Durante este encontro Trinity conta a Neo que ele corre um grande risco e que Morpheus (Lawrence Fishburne), outro hacker fodão, deseja vê-lo. Neo acha aquilo tudo uma grande baboseira e vai para casa, na tentativa de continuar sua vida como se nada tivesse acontecido.
Bem, deixando de ser tão descritivo, Neo encontra com Morpheus que lhe oferece a oportunidade de ver a realidade e entender o porque destes sentimentos, ou de simplesmente esquecer de tudo e seguir em sua vida cheia de incertezas e de sensações esquisitas.

É claro que você já sabe do que eu estou falando, Morpheus oferece a NEO a possibilidade de SAIR de Matrix. Mas AFINAL, o que é Matrix?

Senta que lá vem a história

Bem, neste e nos outros dois filmes da trilogia, não fica bem explicito o que aconteceu, afinal entende-se que os únicos que sabem o que realmente aconteceu são as máquinas que dominam Matrix, e alguns programas como o Oráculo. O que deixa a explicação sobre Matrix para dois dos episódios da serie ANIMATRIX chamada O segundo renascer parte 1 e parte 2 (que estavam no Youtube, mas não consegui encontrá-los mais) vale a pena assistir, mas se não tiver paciência é só continuar lendo.

adao e eva animatrix

O homem estava feliz e tudo mais no planeta Terra, até que resolveu criar máquinas com inteligência artificial. Estas maquinas começaram a se reproduzir e logo eram tantas que decidiram criar uma cidade chamada 01. Um local pacífico criado e formado somente por maquinas, e que por questões óbvias de produção rapidamente ultrapassou economicamente todas as grandes potencias mundiais.

As maquinas solicitaram o reconhecimento de 01 como uma nova nação e queriam ter, assim como os humanos,  direitos civis e liberdade.  Pedido que foi rejeitado de maneira violenta.
Depois desta recusa, e com base no desempenho assustador da economia de 01 a raça humana teve a maravilhosa ideia de atacar e destruir todas as máquinas, afinal o que nós havíamos os criado podia ser facilmente destruído por nós.

Resposta dos humanos.

Muitas batalhas foram travadas até que um gênio teve a brilhante ideia: Vamos tirar a pilha desses brinquedinhos e ver se eles continuam funcionando.

O problema é que a pilha dos brinquedinhos era o SOL. Claro, afinal uma raça intelectualmente superior não utilizaria combustíveis fósseis (e muito menos pagaria mais de R$3,00 por litro).
Os humanos então soltaram na atmosfera substancias que bloqueavam a entrada dos raios solares na superfície terrestre acabando com a energia solar das maquinas. mas não contavam que com tal atitude estúpida também acabariam com toda a biodiversidade na terra.
Como dizem por ai, é quando aperta que o sapo pula, e então as maquinas tiveram que buscar outra fonte de energia. É neste momento que elas descobrem que o cérebro humano é capaz de gerar essa energia necessária e em muita abundancia.

Então as máquinas criam uma plantação de humanos e os mantém vivos e com o cérebro funcionando para que assim possam capturar energia deles.

Máquinas fazendo testes no sistema nevoso para geração de energia elétrica

Por isto, os humanos ficavam em cápsulas cheias de liquido aminótico se alimentando e sonhando com Matrix enquanto os seus cérebros forneciam a energia necessária para que a raça das máquinas continuasse a sua existência.

Pilhas ligadas à Matrix

Trocando em míudos, Matrix é um second life onde as pessoas acham que estão vendo e vivendo coisas enquanto de fato tudo é uma ilusão para que o seu cérebro continue trabalhando em stand-by para fornecer energia para as maquinas continuarem vivendo.

CARACAS. Acho que se Morpheus tivesse explicado tudo isso para o NEO de cara ele não ia querer sair de Matrix.
Mas então voltando à historia do primeiro filme, as pessoas acreditam estar vivendo no final do século XX por estarem dentro de Matrix mas na realidade, na terra que foi destruida, o ano é 2200.

Morpheus é um general da resistência humana que acredita que Neo é o escolhido que veio para libertar todos os homens do domínio das máquinas. Fato que fica comprovado, mas que se desenvolve ao longo dos outros dois longa-metragem (Reloaded e Revolutions) e dos jogos (Enter the Matrix e Matrix Online).

Eu pessoalmente gosto MUITO da trilogia e de todo o universo matrix (se é que você ainda não percebeu isto.) e ao contrario de muitos fãs que odiaram as sequências eu gostei delas. Achei o fim válido e bem aceitável.
Então é isso,  por conta de todas as inovações proporcionadas em 1999 eu dou 5 caipirinhas pra este filme, e caso você discorde é só clicar ali em baixo e comentar. Mas por favor, me venha com argumentos válidos, nada de “esse filme é muito viajado” por que ele realmente é!
[cinco]

Acorda nenem!

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6 Comments

6 Comments

  1. Wendel Wonka

    18 de maio de 2011 at 19:36

    Post foda! Film tb! Os descriptions das fotos são as melhores! HAHAHA!

    O filme exige um nível tenso de compreensão. Msm assim, é mt bem feito =)

  2. 2T

    21 de maio de 2011 at 19:29

    Simplesmente detesto as sequências. Elas estragaram tudo que esse filme oferecia de bom. Foderam a filosofia. Não me importo com a pancadaria, mas desde que seja justificada. A parte 2 e 3 viraram desculpas para efeitos especiais e Bruce Lee de terno ataca novamente.
    Fala sério.

  3. Nathália Martins

    23 de maio de 2011 at 17:02

    Vou contar pra vcs.. eu assisti a toda trilogia e só hj, lendo esse post, eu consegui entender o que o filme quer passar.. e digo mais.. daqui 3h27 eu irei esquecer e vou continuar achando que não sei nada de Matrix.. pode até ter sido be feito, com grande efeitos especiais, mas não foi um Sci-fi que me prendeu e me fez cair de joelhos reverenciando o diretor e atores e etc.. tô com o 2T.

  4. Nathália Martins

    23 de maio de 2011 at 17:03

    ps.: 2T, CONCORDAMOS em alguma coisa!!!.. Uhuuuu!!.. HAHAHAHAAHAHAHAHAHHA..

  5. eu

    23 de maio de 2011 at 20:35

    Oi, eu adoro Matrix, gosto muito mais do primeiro filme, mas não me decepcionei com os outros. Esse filme tem dá uma sensação de engajamento, ideologia que é difícil de encontrar hoje em dia,acho que é por isso que gosto tanto dele.
    Eu tinha uma leve desconfiança sobre meu entendimento da história e fico feliz de ver que não delirei não, pelo menos não sozinha…hahahahah

    bjs

    Cin

  6. Joubert

    26 de maio de 2011 at 20:19

    ahaehauieih Cin, a maior lição que eu tirei da trilogia Matrix é esta:
    Nunca, mas NUNCA MESMO, entre numa luta pelas outras pessoas. faça o que tu queres, pois se for uma coisa boa, as pessoas que querem te seguirão.

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O Homem Do Norte: brutal, mitológico e emocionante épico de Robert Eggers

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O Homem do Norte estreia dia 12 de maio nos cinemas brasileiros e é o terceiro filme dirigido por Robert Eggers. O cineasta é responsável pelos filmes de terror independentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), e, para este projeto contou com uma produção de um grande estúdio (Focus Features) e com um orçamento de 90 milhões de dólares. Estão no elenco: Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, e Willem Dafoe.

Dessa maneira conseguimos perceber que O Homem do Norte é um filme ambicioso tanto pelos talentos envolvidos no longa, quanto pela história escolhida por Eggers, um épico baseado na mitologia nórdica. Na trama seguimos o jovem viking Amleth, interpretado por Alexander Skarsgard que após ver seu pai, o rei Aurvandill, vivido por Ethan Hawke, ser traído e morto pelo irmão, foge de sua vila e prometendo voltar para se vingar. Alguns anos depois, Amleth, agora adulto, inicia o planejamento de sua vingança.

É interessante ressaltar que o longa tem uma montagem em capítulos, tornando assim a experiência muito próxima a da literatura. O roteiro navega pelos passos do protagonista como quem nos conta uma história em partes, conseguindo capturar a essência da cultura e transferi-la para a tela de forma acessível. Veja bem, não é necessário ser um estudioso da cultura viking para acompanhar o filme. Embora ele tenha simbolismos que podem parecer confusos e específicos, como a religião e os esportes praticados por eles, a trama principal traz elementos conhecidos e simples: destino e escolhas, intriga familiar, amor, ódio e traição.

O Homem do Norte utiliza de uma fotografia atmosférica que é fria e cinzenta em certos momentos mas também quente e escarlate em outros. Ela amplia alguns cenários em detrimento dos seus personagens, mas quando faz uso de close-ups nos coloca ao encontro das emoções brutais que eles sentem e externalizam. Tudo isso, aliado a uma trilha sonora bem executada e inovadora. Alguns sons são tão diferentes que parecem nos transportar para dentro do filme de forma tão imersiva. Também parabenizo a equipe de Design de Produção, a riqueza de detalhes aqui impressiona.

Outro destaque de O Homem do Norte está, sem surpresa, em seu elenco. Elogiar as performances aqui é até redundante, pois é impossível assistir o filme sem ser impactado por elas. Começando por Alexander Skarsgard (de A Lenda de Tarzan), se você é um grande fã do ator, precisa conferir toda a potência, força e intensidade que ele apresenta aqui. Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos) faz a mãe do protagonista, a rainha Gudrún, sua personagem discorre um monólogo que é de arrepiar.

Além disso, a excepcional atriz Anya Taylor-Joy (de A Noite Passada em Soho) repete sua parceria com o diretor e dá vida para Olga da Floresta de Bétulas, outra figura indispensável para o andamento da narrativa, que ajuda Amleth em sua missão,juntos eles são destemidos e inteligentes. Ademais, os atores coadjuvantes ou com menos tempo de tela, não passam despercebidos. Isto é, nota-se a qualidade da produção, quando todos seus personagens conseguem brilhar de alguma forma e nenhum deles é desperdiçado.

 

 Por outro lado, é relevante dizer que sim, o filme é brutal, em razão do universo inserido. Os vikings retratos aqui são guerreiros violentos que executam matanças e escravizam seus inimigos. Para aqueles que assim como eu, são um pouco sensíveis a imagens mais gráficas vale o aviso de que algumas cenas podem ser desconfortáveis para você.

De todo modo, essa odisseia é maravilhosa de acompanhar, é impressionante como um diretor com visão pode fazer seja com pouco ou muito dinheiro. O Homem do Norte irá enfrentar mais uma batalha nos cinemas do Brasil: a disputa por salas com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Por entender que guiar o público a experiências distintas e marcantes pode ser  um dos objetivos de uma crítica, indico fortemente que caso você tenha que escolher entre um dos dois filmes, que seja assistir O Homem do Norte.

Veja bem, esta dica não tem a intenção de diminuir um filme em relação ao outro, e, entende que as duas obras devem ser respeitas. Todavia, é importante incentivar as pessoas a assistirem projetos como este, pois tem sido raros de serem encontrados nas telonas. Um épico histórico, sangrento, arrebatador, visceral, repleto de suspense e reviravoltas, pensado minimamente para que sua ida ao cinema seja recompensadora e singular, assim é O Homem do Norte. Não perca!

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Crítica do Filme: The Batman (2022)

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THE BATMAN CATWOMAN

O Cinema de Buteco adverte: A crítica de The Batman possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação

THE BATMAN POSTERA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR É: Martin Scorsese está orgulhoso da realização de Matt Reeves nesse mundo de “Parque de Diversões” que o cinema virou desde que os fãs de HQ’s tiveram a impressão que a Marvel inventou a sétima arte?

Reeves (Cloverfield; Deixe-me Entrar; Planeta dos Macacos – O Confronto; Planeta dos Macacos – A Guerra) não se intimidou com a responsabilidade de não apenas substituir Ben Affleck, como também cuidar de uma nova versão da joia mais preciosa da DC/Warner. Ao lado de Peter Craig (roteirista de Atração Perigosa) escreveu um roteiro pesado e cheio de mistérios para mostrar pela primeira vez o lado detetive do herói.

Os minutos iniciais, com uma breve referência ao clássico Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, dão o tom violento e escuro que aproximam The Batman mais do suspense que da ação. O prefeito de Gotham está distraído com os resultados da campanha e nem percebe a presença perigosa de alguém na sua sala. Quando o vilão finalmente entra em ação, Reeves escolhe filmar sem cortes e o resultado é uma cena crua e real. Nunca, nem mesmo em O Cavaleiro das Trevas, tivemos uma morte tão chocante nas adaptações de Batman. Olhar para o visual do vilão Charada e não pensar em Zodíaco, de David Fincher, é praticamente impossível. Inclusive, The Batman também tem ecos de Seven, do mesmo diretor, quando dedica tempo para as sequências de investigação.

A introdução é sucedida por uma sequência de cenas mostrando vários grupos de criminosos da nova Gotham City, uma cidade dominada pela corrupção e violência. Reeves coloca em prática os ensinamentos de Billy Wilder em Pacto de Sangue e Crepúsculo dos Deuses para estabelecer o universo usando o voice over (narração) de forma inteligente e não expositiva. Assim ele não apenas poupa tempo, como garante a melhor introdução do Homem-Morcego nos cinemas.

Como não se arrepiar quando os vilões começam a encarar um corredor escuro e escutam o barulho de passos lentos e pesados se aproximando? Reeves declarou ser fã do cinema de Sergio Leone, o que pode explicar a total ausência de pressa para o personagem entrar em ação. O novo Batman surge como um cowboy do inferno para aterrorizar os criminosos. E isso se repete em outra sequência, após uma eletrizante perseguição de carro.

THE BATMAN CATWOMAN

A apresentação do personagem continua na próxima cena. A câmera subjetiva mostra um homem caminhando entre um corredor de policiais, que olham diretamente para o espectador com expressões negativas. O ambiente é propositalmente sufocante, incômodo e desconfortável, algo que nos faz pensar em Seven mais uma vez. O Batman não conta com o apoio da classe policial, afinal ele é uma ameaça contra todos aqueles que infringem a lei. E quem é que vai gostar de quem pode acabar com a sua festa?

Muito se perguntava sobre a atuação de Robert Pattinson como Bruce Wayne/Batman. Em uma ou outra cena, Reeves demonstra um sadismo cruel para evocar o “clássico” (só que não) Edward Cullen, personagem de Pattinson nas adaptações de Crepúsculo. Fora esses momentos, Pattinson está excelente na encarnação do protagonista. Ao lado dele podemos destacar a breve (mas eficiente) participação de Andy Serkis como Alfred. A relação pai/filho do eterno mordomo nunca foi tão bem trabalhada quando se pensa na construção de conflitos para criar profundidade no personagem. O novo Alfred (até na idade) é ativo e demonstra um sentimento de culpa muito forte pela morte dos Wayne. Jeffrey Wright surge como o Gordon mais competente de todas as adaptações (e olha que sou fã do Gary Oldman).

As primeiras cenas com Zoe Kravitz, que interpreta a Mulher-Gato, prestam uma das referências mais legais de The Batman: um remake do lendário momento em que Michelle Pfeiffer cai em cima de Michael Keaton e dá uma lambidinha felina, mas desta vez invertendo os papéis. Existe uma cena parecida no final, ainda mais parecida com a eternizada no filme de 1992. Kravitz faz um trabalho incrível e não me surpreenderia se ganhasse um projeto só seu no futuro.

Falando dos vilões, o Charada funciona repetindo os mesmos princípios do Coringa em O Cavaleiro das Trevas. A diferença é que ao invés de querer apenas tacar fogo no mundo, o vilão vivido por Paul Dano tem um desejo de vingança contra todos a que considera como culpados pela situação de Gotham. Ou seja, é um autêntico delinquente acreditando que faz a coisa certa ao punir aqueles considerados como vilões. Ao lado dele temos John Turturro vivendo o mafioso Carmine Falcone, que faz um trabalho excepcional. Sem precisar de muito esforço, caras e bocas, Falcone é uma daquelas encarnações perfeitas da corrupção, dos vilões da vida real. Ainda assim, mesmo com um elenco desses, quem realmente tocou o terror e se destacou mais foi o irreconhecível Colin Farrell, como o Pinguim. Com uma maquiagem incrível (me faz pensar em Robert de Niro em Os Intocáveis, de Brian de Palma), o vilão é responsável pelos raros momentos de humor e também pela já citada sequência de perseguição, uma das melhores do filme.

THE BATMAN PINGUIM

Aliás, aqui vai um outro elogio para o roteiro de Reeves e Craig: sempre foi muito comum incluir piadinhas nos filmes do Batman. Nem mesmo o “realismo” proposto por Christopher Nolan, escapou dos momentos de leveza. Isso não acontece em The Batman. Quando o Pinguim faz seus comentários espirituosos (e criticando os norte-americanos e sua famosa xenoglossofobia) é totalmente dentro do sarcasmo do personagem e não para atender desejos dos executivos por “mais cores, mais humor”.

Citei a perseguição de carro e não poderia deixar de citar a forma como o Batmóvel aparece em cena. Assim como o seu motorista, o veículo surge no meio da escuridão, mas possui um barulho super sônico, sei lá que porra é essa, arrepiante e assustador. No hall das homenagens e referências, Reeves não brincou quando indicou as semelhanças com Christine, de John Carpenter. Especialmente quando surge no meio de uma explosão para aterrorizar o Pinguim.

A trilha sonora original de Michael Giacchino é um outro ponto fora da curva dentro do universo das adaptações do Batman, que já teve Danny Elfman e Hans Zimmer como compositores. O tema principal tem um encaixe perfeito com as introduções e sequências de ação do herói. Para somar (e aumentar o clima depressivo e pesado da narrativa), a faixa “Something in the Way”, do Nirvana, é usada para encerrar as introduções e concentrar somente com o desenvolvimento da narrativa.

Mesmo com tantos méritos, The Batman sofre com a irregularidade no seu ritmo na sua metade final. Não dá mesmo para manter o espectador tenso 100% do tempo ao longo de 2h45min, mas a impressão é que Reeves quis ser ambicioso demais e precisou lidar com as consequências de prosseguir com a história mesmo após tantos momentos para encerrar e subir os créditos. Não chega a ser um grande problema ou mesmo novidade nas adaptações de Batman: O Cavaleiro das Trevas passa a mesma impressão, em menores proporções, verdade seja dita. Não é o suficiente para diminuir o feito e a qualidade da obra.

Respondendo a pergunta que te fiz no começo do texto, eu diria que Scorsese está sim orgulhoso de ver um trabalho ousado e fora da zona de conforto estabelecida pelo multicolorido universo da Marvel. Que as continuações sigam a mesma linha para consolidar essa nova versão do Batman como a “melhor de todos os tempos da última semana”.

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Crítica: Matrix Resurrections (Com Spoilers)

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O Cinema de Buteco adverte: A crítica de Matrix Ressurrections possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

MATRIX RESURRECTIONS COMEÇA COMO SE FOSSE UMA REFILMAGEM do filme original, de 1999. Existem pequenas diferenças, mas para o espectador acompanhando o desenrolar dos eventos é mais fácil se apegar às semelhanças até Lana Wachowski deixar claro que está brincando com as nossas expectativas. E isso funciona. 

 

Melhor sequência da franquia, deixando para trás os medíocres Reloaded e Revolutions, Matrix Ressurrections acerta em cheio ao fazer piadas com os recentes remakes disfarçados de continuação, como Star Wars: O Despertar da Força e Jurassic World. 

 

Wachowski deixa esse aparente desprezo por produções do tipo ao apresentar os coadjuvantes discutindo sobre a “continuação” de Matrix. É uma deliciosa metalinguagem para relembrar o passado e mostrar consciência sobre o significado/importância da nova continuação. 

 

Após seus minutos iniciais homenageando um dos melhores filmes dos anos 1990, Matrix Resurrections parte para outro caminho. Novamente conduzindo as nossas expectativas, reencontramos Neo (Keanu Reeves), como um premiado desenvolvedor de games, cujo maior sucesso foi a trilogia Matrix. Sem entender o significado desse reencontro, somos levados a acreditar que todos os três filmes anteriores eram a imaginação de um programador. Mas as coisas vão lentamente se revelando. 

 

Se no original a gente conheceu um Thomas Anderson inquieto e em busca do verdadeiro significado da vida, agora acompanhamos um homem acomodado e deprimido, com cabelo e barba de quem está a fim de ultrapassar a linha da chegada da corrida da vida o quanto antes. 

O que impede o protagonista de ter outro surto e tentar o suicídio novamente, são as pílulas azuis administradas pelo seu analista vivido por Neil Patrick Harris. Os fãs da franquia nem precisam de muito esforço para lembrar o simbolismo das pílulas, pois a própria narrativa se encarrega de apresentar cenas dos filmes antigos para refrescar a memória. 

 

O nosso protagonista está tão consumido pela realidade da Matrix, que começa a questionar a própria sanidade. Quando o novo Morpheus surge (aliás, a versão do antigo mentor é bastante divertida e substitui os coturnos e sobretudos pretos por roupas coloridas e nada discretas), Neo toma um choque. Afinal, tudo que criou e colocou nos games era, de fato, real. 

 

Esses questionamentos do protagonista geram momentos tão engraçados que nem parece que estamos assistindo Matrix. E ainda que seja um ponto alto, também faz a gente ficar confuso com a metralhadora de informações que é despejada no nosso colo. Quando Neo é finalmente resgatado e chega para reencontrar sua velha conhecida Niobe, o ritmo alucinante é quebrado e causa desconforto. 

 

Durante todo esse momento para estabelecer o universo e seus personagens, eu fiquei tão concentrado que nem consegui ouvir os infelizes ruídos comuns de uma sessão de cinema. No entanto, após conhecermos o novo contexto, o filme demora um pouquinho até engrenar novamente durante o plano de resgate de Trinity. Resta saber se é realmente um problema estrutural da narrativa ou simplesmente uma impressão causada após a avalanche de surpresas e cenas de ação. 

 

Matrix ganhou a atenção do mundo por sua invejável capacidade de trabalhar a jornada do herói dentro de uma narrativa sobre identidade e inconformismo, belas sequências de luta e com efeitos visuais de última geração. Resurrections parece menos interessado em coreografias de combate memoráveis ou revolucionar o mundo novamente. Desta vez, o foco de Wachowski está mais na introdução de novos personagens e construção de uma história de amor com o casal separado por diferentes realidades. Isso não significa, claro, que as lutas são ruins ou que os efeitos visuais deixam a desejar. Muito pelo contrário. Seja nos minutos iniciais ou na ação final que remete diretamente ao original, existem momentos capazes de gerar muita tensão. Existe ainda uma perseguição de moto para comprovar, talvez a sequência mais atraente visualmente falando.

 

Yahya Abdul-Mateen II (A Lenda de Candyman) e Jessica Henwick (Amor e Monstros) estão brilhantes e fazem a sua parte liderando o elenco de coadjuvantes, mas como disse, Lana Wachowski quis falar de uma história de amor. E reencontrar Reeves e Carrie Ann-moss é o maior presente de Matrix Resurrections. A dinâmica da dupla é especial demais e como o próprio roteiro deixa claro: quando os dois estão juntos, tudo é possível. 

 

Matrix Resurrections cumpre seu papel na franquia, ressuscita o interesse do público e chega muito perto de entrar na lista de melhores continuações de todos os tempos. Agradando fãs novos e antigos, a nova sequência se revela como uma história que a gente não precisava ver, mas que ficamos agradecidos por existir. 

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