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Review O Protetor 3: Despedida honesta para a trilogia estrelada por Denzel Washington

poster o protetor 3 review O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A review de O Protetor 3 possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

DENZEL WASHINGTON ESTÁ DE VOLTA PARA ENCERRAR A PARCERIA COM ANTOINE FUQUA NA TRILOGIA O PROTETOR. Em O Protetor 3 (The Equalizer 3, 2023), a dupla adota um tom mais leve, de paizão protetor, para contar uma história de redenção e busca pela paz — ainda que em locais totalmente inesperados.

Em um cenário digno de comédias românticas, a dupla deixa o recado que até um cenário saído de um filme do Woody Allen pode virar uma sessão de pancadaria estilosa.

Robert McCall (Washington) é ferido depois de colocar um grupo de bandidos na fila para conversar com Deus. Ele é encontrado desacordado no meio da estrada e levado para uma pacata cidade no sul da Itália. De forma inesperada, McCall começa a sentir um forte apego à vida na cidade e às pessoas, e quando um grupo de “mafiosos” começa a incomodar demais, ele precisa retomar velhos hábitos.

Caso você não conheça a história de O Protetor, uma boa referência é considerar filmes de ação como Jack Reacher, Anônimo, e, claro, John Wick. Aliás, o primeiro longa da série estrelada por Keanu Reeves foi lançado em 2014, mesmo ano que Washington estreou como o antiherói McCall. A diferença maior entre as duas obras é que Fuqua é um diretor mais preocupado com forma de contar a sua história do que em criar cenas violentas e mirabolantes, como acontece em John Wick. Isso não significa que O Protetor é leve e sem cenas elaboradas de massacre.

Por exemplo, os minutos iniciais de O Protetor 3 mostram um mafioso caminhando por dentro de uma casa cheia de corpos e sangue espalhado. A gente não sabe exatamente como tudo aconteceu, assim como o personagem. Esse é um grande acerto de Fuqua, que trabalha a sugestão e obriga o espectador a pensar. Querendo ou não, a gente se aproxima muito desse vilão. Pelo menos nessa introdução.

Logo descobrimos dois seguranças com as armas apontadas para a cabeça de um homem sereno, de boa na lagoa, esperando calmamente pela chegada do mafioso. Não demora para, finalmente, acompanharmos um novo banho de sangue em tempo real, o que apenas reforça a bela (re)apresentação do protagonista.

Fuqua não cria um filme com cenas de ação empilhadas. O cineasta adota na direção a mesma calma e maturidade do seu personagem, que está cansado de volta e meia precisar explodir a cabeça de alguém. Esse descanso é fundamental para a essência de McCall se aflorar e convencer o público de que as suas ações fazem sentido. Quando a violência retorna, é em grande estilo com uma sequência de mortes de quatro bandidos de meia tijela.

A partir desse momento, O Protetor 3 abraça a ação porque sabe que está em sua reta final e depende disso para dar a tão sonhada paz do personagem. A invasão na mansão do vilão é quase como um filme de terror, quando o assassino mata todo mundo sem deixar rastros. Podemos até nos questionar o que torna McCall tão incrível ao ponto de eliminar todas as ameaças sem nunca se colocar em risco, mas é um detalhe que não incomoda.

O Protetor 3 é uma bela pedida para os amantes da ação. Em um ano que já tivemos John Wick 4 e Sisu, Fuqua e Washington cumprem o combinado e entregam uma obra que se não é perfeita, pelo menos não é desgraçada da vida como o sofrível O Som da Liberdade.

Veja também a crítica em vídeo de O Protetor 3: