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Adoráveis Mulheres (2019) – Crítica do filme

O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica do filme Adoráveis Mulheres possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

poster adoraveis mulheresA NOVA ADAPTAÇÃO DE ADORÁVEIS MULHERES (Little Women, Greta Gerwig, 2019) torna a produção de 1994 não apenas descartável como um melodrama desprovido de ritmo, emoção e graça. Mérito do roteiro e da direção de Gerwig, que desta vez justifica todos os elogios que seu trabalho recebeu – ao contrário do superestimado Lady Bird anos atrás.

A trama apresenta quatro jovens irmãs que convivem com seus dilemas e sonhos enquanto buscam seu lugar no mundo. Jo March (Saoirse Ronan) deseja se tornar uma escritora e a narrativa é vista a partir da sua perspectiva. Enquanto vive em harmonia com sua irmã Meg (Emma Watson) e Beth (Eliza Scanlen), é justamente com a caçula Amy (Florence Pugh) que Jo tem mais problemas.

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Quem tem irmão ou irmã sabe muito bem como é. Sempre tem aquele com quem temos mais afinidade e aqueles que despertam nosso lado mais competitivo. Amy e Jo são exatamente assim. Ambas sonham com a arte, ambas buscam sua independência e sucesso, mas convivem com essa “disputa” invisível motivada pelo ciúme da mais nova.

Afinal, Amy é apaixonada pelo jovem Laurie (Timothée Chalamet), que por sua vez, ama a sua irmã Jo. Às vezes com sutilezas e outras nem tanto (como a parte em que Amy joga um dos primeiros manuscritos da irmã nas chamas), essa rivalidade se torna uma das partes mais interessantes de Adoráveis Mulheres, mas longe de ser o trunfo da produção.

Como espectadores em 2020 somos infinitamente mais sofisticados que aqueles que tiveram acesso ao longa de 1994, que apesar de muito bem estrelado por Winona Ryder, Claire Danes, Kirsten Dunst, Susan Sarandon e Christian Bale, era um melodrama arrastado e sem emoção. Gerwig transforma a história das irmãs em algo mais complexo nessa nova versão através de uma montagem que vai e volta no tempo ao longo do desenvolvimento da narrativa.

Até pode causar uma certa confusão no espectador mais distraído, mas certamente faz com que a gente se esqueça completamente da adaptação anterior ao mesmo tempo que aumenta o nosso interesse na jornada de Jo e sua busca pela realização profissional, seus sacrifícios pela família etc.

De qualquer forma, a narrativa perde um pouco da sua força dramática ao mostrar a morte da irmã Beth. Justamente por trabalhar de forma não linear, surpreende negativamente que Gerwig faça uma cena mostrando Jo acordando e se assustando com a cama da irmã vazia duas vezes em sequência. Enquanto a primeira tem um desfecho “feliz”, com Beth melhorando da doença, a segunda é exatamente o contrário e, mesmo com todo o bom trabalho de fotografia escurecendo o ambiente com a mãe sozinha chorando, não funciona tão bem.

Adoráveis Mulheres é um belo trabalho de direção, montagem, figurino, e principalmente de elenco. Meryl Streep (com sua breve participação) e Laura Dern emprestam seu talento para amadurecer a força das jovens talentosas que mostram seu potencial para se tornarem atrizes de alto nível no futuro. Exceto, claro por Ronan, que desde sempre se mostrou uma profissional fora da curva, e que recebe todo o reconhecimento por seu trabalho.

Um belo filme indicado para todos que cresceram vivendo na companhia de seus irmãos, mas principalmente para as mulheres que certamente entendem a mensagem da obra como um outro olhar bem mais profundo e sentem tudo que Adoráveis Mulheres tenta transmitir para seu público.