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Além da Linha Vermelha

Além da linha vermelha nick nolte e sean penn

ALÉM DA LINHA VERMELHA É UM FILME DE GUERRA COMPLETAMENTE DIFERENTE DA MAIORIA DAS OBRAS DO GÊNERO, basta compará-lo com O Resgate do Soldado Ryan, do mesmo ano e podemos ver que enquanto a produção do Spielberg choca o público, o trabalho do Malick deixa o espectador pensativo, o que é raro de um filme de guerra.

Terrence Malick se formou em filosofia em Harvard e dirigiu dois filmes antes de Além da Linha Vermelha: Terra de Ninguém e Cinzas do Paraíso. Após ter dirigido essas duas consagradas obras, o diretor sumiu por aproximadamente 20 anos, retornando nesse Além da Linha Vermelha.

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Embora seja um filme de guerra, é também uma obra sobre a natureza humana, sobre a natureza e a relação do homem com ela, sobre os conflitos internos de cada um. O trabalho de Malick fala dos homens de um pelotão na Segunda Guerra Mundial e suas reflexões sobre a vida e a própria situação em que se encontram.

A obra usa a guerra como pretexto para reflexões sobre a moral dos conflitos, como a cena em que um certo personagem tem que sentar em cima da granada para salvar seus companheiros e pede para um companheiro mandar uma carta para a mulher dele, e o soldado concorda com isso, mas assim que o personagem morre ele logo afirma que só disse aquilo para confortar o moribundo.

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Ao contrário de uma parte dos filmes do Malick, Além da Linha Vermelha não possui personagens femininas fortes, o filme praticamente não têm mulheres, elas apenas aparecem em memórias e as narrações são todas feitas por homens.

A fotografia é bastante contemplativa, reflexiva. Ela não procura chocar o público com o horror da guerra, mas ela aceita o horror da guerra e o contraste dele com a natureza, belíssima e selvagem. A fotografia nas memórias dos soldados é bem saturada, idealizando o universo fora da guerra, o que exalta o ambiente hostil em que eles se encontram.

Toda essa contemplação do filme é um ponto relevante na carreira do Terrence Malick, em Terra de Ninguém e em A Árvore da Vida, essa visão da natureza se repete, mais no segundo do que no primeiro. Criando uma atmosfera bem apropriada para as obras do diretor.  A obra é um filme de guerra que não se limita ao gênero e se difere bastante do gênero. Um ótimo retorno de um dos maiores diretores da história depois de um hiato de 20 anos.

Para saber mais da vida e obra de Terrence Malick, clique aqui para ler a coluna A Cadeira do Diretor, de Fernanda Minucci.

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Nota:[cinco]

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