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Amigos Inseparáveis

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AL PACINO SE AVENTUROU POR UNIVERSOS PARALELOS DO CINEMA DURANTE OS ÚLTIMOS ANOS. Somente por esta razão consigo explicar o declínio de um dos maiores atores de todos os tempos, que chegou ao fundo do poço em Cada Um Tem a Gêmea Que Merece. Para quem não é adepto de costumes sadomasoquistas, e portanto não viu o filme, eu sou obrigado a informar que Pacino se apaixona pela gêmea baranga interpretada por Adam Sandler. É isso aí: Al Pacino desejando a versão feminina de Adam Sandler. Você não leu errado.

Levando em consideração o trabalho dele naquela produção, fiquei um pouco preocupado com o que iria encontrar em Amigos Inseparáveis. Felizmente, o voto de confiança valeu a pena. Ao lado dos veteranos Alan Arkin (Argo) e Christopher Walken (Amor a Queima Roupa e Sete Psicopatas e Um Shit-zu), Pacino faz bonito e consegue recuperar um pouco da moral que parecia se perder cada vez mais. A comédia pode ser considerada uma versão para maiores de Antes de Partir, de Rob Reiner. A diferença é que os personagens de Jack Nicholson e Morgan Freeman tinham mais do que 24h para realizar todos seus últimos desejos, coisa que não se repete aqui.

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Val (Pacino) acaba de sair da prisão e reencontra o velho amigo e antigo companheiro de crime Doc (Walken), que recebeu a missão de matá-lo. A dupla resolve, então, “curtir a vida adoidado” para aproveitar a liberdade do primeiro, decidindo encontrar Hirsh (Arkin) para que os três possam ter a última noite de aventuras antes de Val ser eliminado. Dentre as loucuras realizadas, podemos incluir consumo legal de drogas, excesso de Viagra (lembrando bastante o sofrimento de Chris Rock em Eu Acho Que Amo a Minha Mulher), uma divertida perseguição de carros, uma homenagem para Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese (imagem que ilustra o texto), e, na minha cena favorita, Al Pacino revisitando o clássico Perfume de Mulher.

Muita gente costuma se lembrar de Pacino por seu trabalho em O Advogado do Diabo, O Poderoso Chefão ou Scarface, deixando de lado o brilhante desempenho do ator em Perfume de Mulher. A cena de tango da produção é inesquecível, tanto pela dança quanto pela trilha sonora. Em Amigos Inseparáveis, ele banca o tiozão da Sukita dentro de uma boate e joga o maior 171 nas novinhas. Para a sorte dele, uma das garotas parece ter fetiches com homens maduros, e se deixa levar pelo papo. O casal dança lentamente, sem fugir do básico “passinho pra cá, passinho pra lá”, mas é sempre bom ver o ator dançando, o que nos remete imediatamente à bela cena de Perfume de Mulher.

 Amigos Inseparáveis está longe de ser uma obra-prima, ao contrário de vários filmes que contaram com a participação de Pacino, mas certamente é uma produção digna, capaz de apresentar o seu verdadeiro potencial. Resta torcer para o ator não sofrer recaídas, voltando para trabalhos tão “diversificados”. Pelo bem dos cinéfilos, que Al Pacino não o faça. Nunca mais.

poster amigos inseparaveis
Nota:[tres]