Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Armadilha do Destino

ADRIEN BRODY, MEU QUERIDO, o que foi que aconteceu com a sua carreira? Como é possível assistir ao excelente ator de Os Vigaristas e O Pianista fazendo bombas, como Predadores, Splice e esse horroroso Armadilha do Destino? Não sei a resposta, exceto o óbvio de dizer que basta sentar e apertar o play, mas você entendeu onde quero chegar…

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Talvez eu esteja sendo injusto. O thriller do diretor Michael Greenspan pode ser mais inteligente do que o meu intelecto de mesa de bar permite alcançar. Quem sabe um estudioso da psicanálise possa encontrar algo profundo no drama do personagem e em como ele reage em meio aos eventos narrados durante os 90 minutos de tortura. Deve ter alguma coisa inteligente (muito bem) escondida no meio dos traumas passados pelo personagem e a fragmentação da história, que durante boa parte me lembrou Enterrado Vivo, estrelado por Ryan Reynolds. Deveria ser um elogio, mas Armadilha do Destino não chega nem perto da qualidade desse filme.

Imaginem um filme que começa com um cara (Brody) todo machucado, com o nariz quebrado (o nariz dele já é grande sem precisar de machucado, imaginem dobrando de tamanho) e sem ter a menor lembrança (aparentemente) de como foi que chegou lá. A premissa tem quase zero de originalidade, mas os fãs de um bom suspense não iriam reclamar de um bom filme, mas a promessa fica apenas para o trailer, já que o resultado final é tedioso. E arranca tantos bocejos que você nem percebe que dormiu e perdeu metade do filme.

Sem pé, cabeça ou açucar na caipirinha, Armadilha do Destino vira uma pedrada no saco sem fim quando começa a misturar os delírios do personagem com a realidade. Nós adoramos essas questões que nos confundem, mas desde que o roteiro seja bom e exista um ponto de apoio. Greenspan parece ter se esquecido das lições básicas de como se faz uma boa trama de suspense e capengou completamente ao tentar criar mais do que tinha capacidade. 

Armadilha do Destino pode agradar sim, mas está bem abaixo daquilo que se espera de um filme que se baseia na resolução de um mistério e de como os traumas podem afetar uma vida. Brody não desempenha bem o seu papel e parte disso se deve ao roteiro fraco e a direção previsível e deselegante de Greenspan. Ainda não foi dessa vez que Camisa de Força foi superado no currículo descendente de Brody…