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As Bem-Armadas

AS BEM ARMADAS

A VERSÃO FEMININA DE MÁQUINA MORTÍFERA DE PAUL FEIG DEIXOU A DESEJAR. Em As Bem-Armadas, o diretor de Missão Madrinha de Casamento tentou se aproveitar da sombra da série Miss Simpatia e colocou Sandra Bullock para contracenar com a queridinha da vez Melissa McCarthy. A dupla até funciona, mas o longa-metragem é apenas mais uma comédia descartável que nada acrescenta para o público, e pior ainda: raramente arranca risadas verdadeiras. Há um tom fantasioso dominante por toda a trama, algo que acaba sendo o principal defeito do roteiro de Katie Dippold (da série Parks and Recreation).

Bullock interpreta uma agente do FBI detestada por todos os seus companheiros. Tudo bem, ela é chata mesmo. Sabe aquela pessoa certinha, arrogante, tipo o CDF que só tirava notão e ficava esfregando a sua superioridade para os colegas? Pois é. Ela é enviada para investigar um caso de tráfico de drogas e cruza o caminha da policial maluca vivida por McCarthy. Após um ÓBVIO conflito inicial, as duas unem forças para capturar os bandidos.

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A personagem de Bullock seria a versão de saia do Roger Murtaugh (Danny Glover). Desconsiderando algumas diferenças, ambos se preocupam em fazer o trabalho da maneira mais correta e mais “limpa” possível. Já McCarthy é a encarnação de Martin Riggs (Mel Gibson), incluindo a parte de ser uma conquistadora e lidar com vários homens com quem saiu no passado. Infelizmente, nem há muito tempo para o roteiro trabalhar essa piada melhor, e acaba ficando sem graça e até difícil de perceber a intenção. A homenagem segue com a recriação da fórmula básica de produções com duplas: primeiro, elas se odeiam; depois começam a trabalhar juntas por motivos maiores; e finalmente, desenvolvem grande amizade e respeito. Nada de novo para o cinéfilo mais experiente, mas pode agradar em cheio quem está preocupado apenas com se distrair sem o menor pudor.

AS BEM ARMADAS 2

Assim como acontece em Missão: Madrinha de Casamento (filme bem superestimado, por sinal), apesar da maioria das piadas não funcionarem, existe um momento em que as personagens efetuam um procedimento de emergência dentro de uma lanchonete que faz valer o ingresso. Os mais observadores se lembrarão que o roteiro deixou a pista no ar logo no começo, quando Bullock assiste a um programa de televisão. O politicamente incorreto é o forte das produções de Feig, e As Bem-Armadas não decepciona nesse aspecto.

A trilha sonora merece elogios. Tem Jack White (“Sixteen Saltines”), The Hives (“Tick Tick Boom”), Boston (“More Than a Feeling”), LCD Soundsystem (“Daft Punk is Playing in My House”), Santigold (“Rock This”), Dee Lite (“Groove is in the Heart”), Kimbra (“Come Into My Head”), dentre outras. Pelo menos um acerto inquestionável o longa-metragem merecia. Essa seleção musical eclética é uma boa maneira de resumir a obra: tudo é tão raso, bagunçado e descompromissado, que mais parece um vídeo-clipe musical de duas horas de duração do que uma produção para o cinema.

Dos três filmes em que Melissa McCarthy participou em 2013, As Bem-Armadas é o mais fraco. Ainda assim, possivelmente agradará aquela parcela do público que não faz questão de ir ao cinema para ver um futuro clássico do cinema e se sentirá em casa com o clima non-sense de sessão da tarde do filme de Feig. Como comédia, ele fracassa por não conseguir fazer rir na maioria das oportunidades, e a atuação das protagonistas parece meio engessada, como se não estivessem completamente à vontade com o texto. As Bem-Armadas é mais uma demonstração do quanto a comédia está fraca em 2013, para a tristeza dos amantes das boas gargalhadas.

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Nota:[duas]

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