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A Hora da Escuridão

SE VOCÊ NÃO FOR UM CINÉFILO MALUCO QUE ASSISTE FILMES DIARIAMENTE, provavelmente irá se divertir com A Hora da Escuridão, de Chris Gorak, produção sci-fi estrelada por Emile Hirsh, Max Minghella, Rachael Taylor, Joel Kinnaman e Olivia Thirlby. O filme foi bombardeado com críticas negativas em todos os cantos da internet, nenhuma delas injusta, diga-se de passagem, mas chega a ser surpreendente quando um filme consegue atrair o ódio de tantas pessoas diferentes. Existem até mesmo comparações com o horroroso Skyline – A Invasão, que foi uma das piores coisas lançadas no ano passado (e claro que existe um texto do filme aqui no seu boteco favorito da internet).

O grande problema do longa-metragem (além do fato dele existir, óbvio) é a quantidade exagerada de clichês. Dá até para aceitar a falta de inteligência/criatividade do roteiro, a trilha sonora horrorosa, o clima de série televisiva sem dinheiro para investir em efeitos especiais e monstros realmente convincentes, além das atuações nada inspiradas do elenco. Dá até para ignorar o fato de um pobre cachorrinho russo ser uma das vítimas dos “perigosos” invasores. Só que para qualquer pessoa que ama cinema e sempre que pode perde horas preciosas na frente da televisão, é meio que uma ofensa sentar para assistir A Hora da Escuridão. A sensação que fica é a mesma que sentimos quando o garçom esquece de trazer nosso pedido no bar ou a caipirinha vem com pouco açúcar. Não é nada gostoso, certo?

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Como entretenimento para passar o tempo, se você é desses que tem muitas horas livres e gosta de derreter seus neurônios com produções ruins (existem formas bem melhores de detonar sua cabeça, believe), talvez os defeitos da produção não incomodem tanto. Corre até o risco de (se você não tiver assistido aos milhares de outros filmes bem melhores sobre invasões alienígenas) de gostar e achar legal. A Hora da Escuridão é o típico filme que torna difícil o público comum entender o trabalho de quem faz críticas relacionadas ao cinema. Longe de querer achar que é realmente um dos piores filmes da temporada, mas é tão descartável que logo será esquecido justamente por seus defeitos e superficialidade. Mesmo assim, para quem gosta de entretenimento inteligente, acaba sendo uma diversão só descobrir que todas as previsões se concretizam: do romance, passando pela morte de um personagem “principal”, dos atos heróicos, do patriotismo, do final que deixa margem para uma continuação, até a menina que desaparece e precisa ser resgatada no final. Absolutamente sensacional e imperdível.

Hirsh interpreta um jovem playboy que após passar por uma desastrosa reunião na Rússia, resolve curtir a noite e tudo mais que vier de brinde. Acaba conhecendo duas norte-americanas de férias e logo começam a flertar, até que a luz acaba e um monte de vagalume gigante começa a surgir no céu. Maravilhados com a visão, a turminha da melhor Vodka do mundo vive um momento meio semelhante ao mostrado em Independence Day, de Roland Emmerich, quando as pessoas ficam no alto de um prédio saudando os discos-voadores. Quando os inimigos se revelam, Hirsh e sua “turma” conseguem escapar e lutam para sobreviver e lidar com uma ameaça invisível.

Fica impossível não pensar no que passou na cabeça dos produtores que tiveram a ideia de fazer o filme, aposto que acharam uma ideia muito esperta e sagaz. “Existem milhares de filmes sobre invasões de extra-terrestres no planeta, especialmente nos Estados Unidos. Que tal se a gente fazer uma invasão na Rússia? Ninguém fez isso antes, uai.” De quebra ainda roubaram uma das armas usadas pelos Caça-Fantasmas, de Ivan Reitman, para combater os invasores. A Hora da Escuridão não é uma merda completa por ser capaz de arrancar uma risada ou outra diante os absurdos, mas é melhor procurar um título melhor para se divertir.

Nota:  

 

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