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Crítica: Anaconda (1997)

poster anaconda critica filme 1997O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Anaconda possui spoilers e você não precisa se preocupar porque saber o que acontece não vai deixar o filme melhor ou pior.

EXISTEM MILHARES DE PRODUÇÕES SOBRE ANIMAIS SELVAGENS SEDENTOS POR SANGUE. Tubarão (Jaws, de Steven Spielberg) ainda permanecerá no topo da lista de filme de horror com bichos mais eficiente de todos os tempos, mas muito disso se deve exatamente à falta de produções de com o mesmo nível de qualidade.

Anaconda, por exemplo, chegou aos cinemas em 1997 e se hoje estou dedicando tempo para escrever essa crítica (e você, curiosamente, dedicando seu tempo para ler) é porque de tão ruim se tornou um verdadeiro filme cult, daqueles que precisamos ler à respeito para encontrar pessoas que dividam conosco uma bizarra admiração pelo longa-metragem estrelado por Jennifer Lopez e Jon Voight.

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A trama é bobona: uma turma de documentaristas tentando encontrar uma tribo indígena na Amazônia cruza o caminho de um tiozão com rabo de cavalo inspirado no Steven Seagal. O que já era um autêntico programa de índio, se torna um pesadelo quando descobrem que o do “rabo de cavalo” é um caçador de cobras decidido a capturar a gigantesca Anaconda.

Claro que cobrar atuações de qualidade de uma obra dessas é pedir demais. Jon Voight claramente estava com uns boletos atrasados. A gente entende a Jennifer Lopez e tal. Mas ainda tem o Eric Stolz num papel mega canastrão, Owen Wilson fazendo um “adulto adolescente” ganancioso, e o Ice Cube, bem, a gente também entende. Nenhum ator parece realmente se divertir, exceto por um coadjuvante que solta um “puta que pariu” em alto e bom portunhol antes de morrer. Esse cara deu graças a Deus por morrer.

Num determinado momento, para ilustrar a falta de conteúdo do roteiro e das falas, uma coadjuvante começa a sensualizar dançando sozinha no barquinho. Talvez ela quisesse encantar a serpente do Owen Wilson ou talvez estivesse chapada de maconha da Amazônia, mas nem isso faria muito sentido.

Se as atuações não salvam, o que dizer dos efeitos visuais? Até que o cineasta Luis Llosa (O Especialista, com Sylvester Stallone) tenta iniciar a narrativa com uma atmosfera de suspense mostrando o coitado do Danny Trejo sendo atacado por uma criatura que o público não vê. A tensão é maior quando trabalhamos com o que é subjetivo e está em nossa imaginação. No entanto, logo isso é deixado de lado e acompanhamos a serpente gigante e seu efeito tosco (e muito datado).

Tem até uma parte em que a cobra está sendo atacada por todos os personagens dentro de um ambiente, mas basta ouvir a queda de alguém no rio, que olha na exata direção como se fosse a porra de um cachorro sem patas. Poderia comentar a parte em que criatura vomita Jon Voight, que dá uma infame piscadinha, mas deixa isso pra lá.

Anaconda é um entretenimento classe B do final da década de 1990 e quem ainda não viu, pode ficar feliz de ter acompanhado esse texto e se livrado de perder 1h30 da sua vida. Se você procura filmes de cobras legais (e não tá a fim de ver Emmanuelle), pesquise por Serpent (2017). Esse sim é um bom filme com cobras.

Confira abaixo a edição 94 do programa 365 Filmes em um Ano dedicado para a análise crítica de Anaconda: