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Bruna Surfistinha

deborah-secco-bruna-surfistinha-6421QUANDO VOCÊ É BRASILEIRO E ACOSTUMADO COM INTERNET, não é nada difícil encontrar informações sobre atrizes e prostitutas famosas do país e do estrangeiro. A Bruna Surfistinha virou um mito da cena pornográfica nacional, especialmente depois do lançamento do livro O Doce Veneno de Escorpião, que é a base do roteiro da adaptação dirigida por Marcus Baldini.

Estrelado por Deborah Secco, que está sem noção com todas aquelas cenas sem roupa, insinuante, provocante e deliciosa, enfim, a atriz mostra que consegue segurar a onda em um filme mais adulto (ainda que as cenas não sejam tão explícitas assim) e que requer um certo cuidado na construção de uma personagem mais profunda, na medida em que o roteiro permite isso. O livro é interessante, mas o filme deixa muito a desejar e abafa completamente a essência de toda a história real da ex-profissional do sexo chamada Raquel Pacheco. Independente das linguagens literária e cinematográfia serem distintas, o filme depende exclusivamente da performance (e nudez) de Secco para se sustentar.

bruna-surfistinha-deborah20110221-size-598O que nós assistimos em Bruna Surfistinha é apenas mais um conto de fadas distorcido, onde uma menina pobre e insegura vai lutando para superar as dificuldades e encontrar o seu lugar ao sol. Acho que o público fica entediado por ano após ano ser obrigado a assistir filmes com temas tão parecidos, clichês e que raramente oferecem alguma coisa diferente. No caso desse filme, o ponto positivo (e diferencial) é a nudez constante de Secco. Deveria ser o suficiente, especialmente para os meus padrões, mas não é.

A trilha sonora conta com duas canções do Radiohead. Meio inexplicável, mas um pedido da Bruna Surfistinha da vida real, a banda coloca “Fake Plastic Trees” e “Creep” na trilha sonora. Dizem que Thom Yorke e companhia assistiram ao filme antes de todo mundo para aprovar a liberação das músicas. A presença da banda deveria ser motivo de elogio, mas a situação se inverte e só fica a necessidade de criticar a escolha do repertório, que fora alguns funks e uma divertida versão tecnobrega de uma canção norte-americana, quase que ignora músicas produzidas no país. Nada contra a utilização de músicas gringas em produções nacionais, mas nunca irei ser a favor de deixar de lado a cena nacional.

Em tempos onde Mônica Mattos tenta se transformar na Sasha Grey nacional, não existem motivos para endeusar ou se interessar em um filme voltado para o público alvo da Globo. Mais interessante é esperar o resultado dos curta-metragens estrelados por Mattos ou pelo próximo filme “sério” de Grey, essa sim uma pessoa que merece reconhecimento por todos os interessados em conhecer mais sobre a pornografia.

Título original: Bruna Surfistinha
Direção:  Marcus Baldini
Produção: Marcus Baldini
Roteiro: Antônia Pellegrino
Bruna Surfistinha
Homero Olivetto
José de Carvalho
Elenco: Deborah Secco
Cássio Gabus Mendes
Drica Moraes
Fabiula Nascimento
Cristina Lago
Guta Ruiz
Lançamento: 25/02/2011
Nota: