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Crítica: Capitã Marvel (2019)

poster capitã marvelO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Capitã Marvel possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

CAPITÃ MARVEL ESTREOU NOS CINEMAS BRASILEIROS NA VÉSPERA DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES. Coincidência? Dificilmente. A verdade é que finalmente a Marvel lançou uma obra estrelada por uma de suas heroínas, e acertou em cheio com uma narrativa nostálgica, descontraída e que serve como uma prequel desse universo.

Acredito que a maioria das pessoas não tinha a menor ideia de quem diabos era Carol Danvers (vivida por Brie Larson) ou Capitã Marvel. Talvez quem tenha crescido assistindo ao desenho do X-Men deve lembrar que a Vampira ficou superpoderosa depois de roubar os poderes da Capitã. Mas é de bom grado imaginar que seja uma personagem desconhecida, o que torna obrigatório todo aquele lance de contar a origem.

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Às vezes me pergunto qual a treta com filmes que contam a origem dos heróis. Não que seja grande entusiasta, mas a verdade é que precisamos nos importar com esses personagens. Como é que vamos despertar emoções por heróis que não conhecemos?

Dito isso, é verdade que Capitã Marvel demora bastante para engrenar. Existe uma sequência num planeta hostil em que a ação é extremamente confusa e deixa o espectador sem entender que porra está acontecendo na tela num primeiro momento.

A própria heroína não ajuda muito. Com um jeitão mais sério e que usa o sarcasmo como uma arma ácida na moral de quem está por perto, carisma não é algo que ela conheça ou queira desenvolver. Não chega a ser um problema depois que entendemos melhor o contexto da personagem e sua verdadeira missão.

Outro probleminha é tentar entender toda a questão quando o Agente Coulson (Clark Gregg) vira um Skrull. É como se os “vilões” já soubessem que a SHIELD se envolveria… Mas não me lembro de clarividência ser uma das habilidades especiais desses monstros verdes esquisitos…

A nostalgia é o que transforma Capitã Marvel numa produção encantadora. Quer dizer, desde que você tenha sido um adolescente nos anos 1990, né? A narrativa acontece em 1995 numa época em que o grunge ainda dava seus últimos suspiros (não que seja uma banda grunge, mas Carol Danvers usa uma camiseta do Nine Inch Nails por boa parte do filme), a Blockbuster tinha mais que apenas uma loja que se recusa a fechar as portas, a conexão de internet era discada e demorava, assim como os computadores custavam a processar os dados.

A trilha sonora tem “Come as You Are”, do Nirvana; “Just a Girl”, do No Doubt; “Celebrity Skin”, do Hole; e “Only Happy When It Rains”, do Garbage. Fora a banda do amigo do Boddah, as outras são lideradas por mulheres e reforçam a mensagem de empoderamento presente na obra. Como não se divertir com a voz de Gwen Stefani como trilha da sequência em que a heroína começa a usar seus poderes de verdade e dá um sacode geral?

Não sei você, mas vejo tanta gente elogiando tanto Guardiões da Galáxia, que achei curioso que Capitã Marvel tenha a maior homenagem/referência a Star Wars de todo o universo cinematográfico da Marvel. Em uma sequência em que a gente fica na ponta da poltrona, acompanhamos a parceira de Carol mostrando seu talento pilotando uma nave espacial em um cenário que lembra MUITO Tatooine.

Além de Clark Gregg e Brie Larson, o elenco ainda tem um outro rosto conhecido. Samuel L. Jackson surge com uma versão mais jovem do Nick Fury, na época com dois olhos e uma personalidade muito mais forte, mas sem ocupar a liderança da SHIELD. Inclusive, uma das piadas da produção explica exatamente COMO Fury perde seu olho e você certamente ficará boquiaberto achando graça.

A fórmula da Marvel segue sendo repetida com sucesso. As tradicionais gags e tiradas engraçadas do roteiro estão presentes funcionando pelo bem da narrativa. Existe uma inesperada reviravolta no roteiro que apresenta a verdade sobre Carol Danvers e os verdadeiros vilões da produção, mas nada que realmente chegue a chamar a atenção ou valer nota. Exceto, claro, pela presença do vilão Ronan, o Acusador, e o jeito que ele fica com o cu na mão quando percebe o quanto a Capitã Marvel é poderosa.

Capitã Marvel garante o entretenimento e cumpre o prometido: apresentar a origem da personagem que terá grande importância em Vingadores 4 e de quebra ter seu primeiro projeto estrelado por uma mulher. Pode assistir sem medo, porque tem o melhor do DNA Marvel.

PS: Existe uma homenagem emocionante para Stan Lee nos créditos iniciais.

Cenas pós-créditos em Capitã Marvel

Existem duas cenas pós créditos em Capitã Marvel. A primeira delas, é a cena que importa mesmo, e se passa logo após os eventos de Vingadores: Guerra Infinita. Capitão América, Bruce Banner, Viúva Negra e o Máquina de Guerra estão com o pager que o Nick Fury usou para chamar a Capitã e ficam se perguntando porque diabos o treco parou de funcionar. De repente, a própria Capitã Marvel está na sala perguntando do paradeiro de Fury. É pra cair o cu da cadeira, bicho.

Já a cena seguinte é uma brincadeira com o Tesseract e mostra o gatinho bizarro vomitando a Joia do Infinito mais famosa na mesa do Fury. É uma cena que serve como piadinha e totalmente descartável, caso você esteja com pressa ou apertado para ir ao banheiro.

365 Filmes em um Ano #67 – Capitã Marvel [COM SPOILERS!]