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Cats – Crítica do Filme

Tom Hooper dirige a adaptação cinematográfica do famoso musical da Broadway.

Precisamos admitir que nunca houve bastante empolgação em relação a Cats. Apesar de ser uma produção extremamente popular no teatro, sendo uma das peças que está em cartaz há mais tempo na Broadway, não existiam grandes expectativas para o filme. O que gerou certo interesse do público foi o fato de Tom Hooper (A Garota Dinamarquesa, O Discurso do Rei) dirigir o longa, uma vez que já havia comandado o bem-sucedido Os Miseráveis (2012). E o elenco estelar também ajudou: Judi Dench, Idris Elba, Ian McKellen, Jennifer Hudson, Jason Derulo, James Corden, Rebel Wilson e Taylor Swift.

Após cerca de 1h40 no cinema, passei por três fases. A primeira durou entre 10 e 20 minutos, quando eu não sabia o que estava fazendo ali e queria sair correndo; a segunda foi até o clímax, quando eu finalmente me acostumei com os atores fingindo ser gatos e consegui me envolver com a história; a terceira foi o final, quando cheguei à conclusão de que Cats não é horrível, mas também não deveria ter sido feito.

Nem tudo combina com cinema. Não é porque uma peça de teatro fez e ainda faz sucesso, que ela pode ser adaptada para as telonas. Quer dizer, pode ser sim, mas não necessariamente vai dar certo. Como Hollywood é mestre em investir dinheiro em projetos que todo mundo sabe que vai dar errado, não deveríamos ficar surpresos com os $ 95 milhões gastos aqui.

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Por um lado, a coreografia, caracterização e os movimentos de corpo são muito bem feitos. Dois personagens de destaque no enredo, aliás, são bailarinos profissionais: Francesca Hayward e Robbie Fairchild. Isso nós temos que dar mérito à equipe do filme. A questão da interpretação é um desafio maior, mas você se adapta. No começo é difícil, é meio tosco, mas passa.

O problema de Cats é que a história, aquele cenário e aqueles personagens não têm nada a ver com a linguagem cinematográfica. Ver aquilo no teatro é adequado; no cinema, por sua vez, é esquisito. E como o enredo não nos marca e não provoca nos espectadores muitas emoções, a produção nunca decola, de fato. Você só se acostuma com a linguagem de Hooper, entende o que acontece com os personagens e acabou.

Vale lembrar que 95% do filme é cantado. Ou seja, pra quem gosta do gênero e da peça, pode ser interessante ver o trabalho feito. Mas é só.

Cats estreia dia 25 de dezembro no Brasil e 26 de dezembro em Portugal.