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Anjos da Lei

ASSIM COMO ACONTECEU NA SEMANA PASSADA COM A ESTREIA DE OS VINGADORES, DE JOSS WHEDON, novamente o público terá a oportunidade de se surpreender com o humor eficiente e divertido da versão cinematográfica da série Anjos da Lei. Para quem não se recorda (ou quem era novo demais para poder se lembrar), a série foi responsável por lançar a carreira de Johnny Depp. A nova versão é uma espécie de “continuação” de tudo que era apresentado no seriado, mas com personagens completamente diferentes.

A dupla Phil Lord e Chris Miller não precisou se esforçar muito para desenvolver uma trama cativante e que prendesse a atenção do público. Com a química perfeita entre Channing Tatum e Jonah Hill, fica fácil ganhar o espectador. A dupla surpreende com uma performance extremamente engraçada, mas que em momento algum soa idiota ou forçada. Longe de dizer que Tatum é um ator talentoso, já que ele ainda não conseguiu provar que é bem mais que apenas um dos principais galãs da atual cena de Hollywood. Mas Hill demonstra amadurecimento e dosando momentos bestas com outros mais sóbrios, deixando claro que não foi a toa que recebeu uma indicação ao Oscar por seu trabalho em O Homem Que Mudou o Jogo.

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Anjos da Lei narra a história de dois jovens policiais tapados que são enviados para uma missão especial infiltrados dentro de uma escola. Lá eles precisam se misturar com as várias tribos diferentes e descobrir quem está fornecendo uma perigosa droga para os alunos. O detalhe é que os dois policiais estudaram juntos sete anos antes e se detestavam, mas viraram grandes amigos durante o curso de formação da Polícia.

O roteiro de Michael Bacall surpreende por não apelar para o caminho mais fácil e utilizar o sexo como elemento essencial da trama. Infelizmente Anjos da Lei não escapa dos clichês negativos do cinema e cria situações onde a amizade dos personagens de Hill e Tatum fica abalada e também a mocinha agindo da forma como todo mundo previa e virando vítima dos vilões durante a conclusão. Só que graças ao humor afiado do roteiro de Bacall, os deslizes são facilmente perdoáveis. São várias cenas impagáveis, incluindo uma crítica para a forma como o cinema é produzido atualmente, o que não deixa de ser uma espécie de reconhecimento do que o próprio filme representa.

Como o filme está concentrado exclusivamente na ação da dupla, não sobrou muito espaço para os diretores estragarem a produção. O roteiro divertido e o timing cômico afinado do elenco ajudou muito na forma de fazer a trama fluir, deixando o trabalho fácil. As cenas de ação não oferecem nada de inovador ou diferente daquilo que o público está acostumado, mas a maneira como o desfecho é conduzido merece elogios. Da revelação surpresa até o desfecho da sequência, parece que Anjos da Lei mergulhou no universo dos filmes de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, chocando o espectador de uma maneira engraçada.

Sem medo de ser feliz e divertir o público, Anjos da Lei não economiza nas piadas e em momentos non-senses, mas o grande trunfo da produção está no quanto os personagens secundários conseguem segurar a trama e preparar o território para as peripécias dos personagens principais. Preste atenção na performance de Dave Franco (irmão de James Franco), como um adolescente arrogante e metido a ser um protetor do meio ambiente. Igualmente interessante, mas de uma forma bem mais engraçada, é a professora de química e os nerds que viram os grandes amigos de Tatum.

Nota:

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