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Críticas de filmes

Constantine

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Quando se trata de uma adaptar uma obra literária ou direto das páginas das hq`s, sempre existirá um conflito. De um lado a vontade dos produtores em fazer algo com um longo alcance e conquistar o público que não é familiarizado com a história original e do outro lado, não menos importante, os fãs que deram o suporte para que um filme fosse realizado. Agradar esses dois públicos não é tarefa das mais simples e poucos foram os diretores que conseguiram conciliar bem a missão ingrata. Peter Jackson é o mais famoso de todos, e com toda razão, pois conseguiu transformar as páginas da obra de J.R.R. Tolkien em uma das trilogias mais incríveis que o cinema já produziu. Sam Raimi, fã assumido das aventuras do Homem Aranha, acabou se perdendo em meio aos interesses do estúdio e conseguiu desagradar todo mundo com a terceira – e última – parte de sua participação na franquia. Isso para falar apenas de obras e personagens com maior renome. O diretor Zack Snyder ficou encarregado de adaptar duas obras cults dos quadrinhos e o resultado foram dois dos melhores filmes de suas respectivas temporadas. Watchmen, o mais recente, é um verdadeiro soco no estômago e repete as mesmas inovações técnicas de 300. Snyder foi fiel aos elementos básicos da trama original e contando com uma trilha sonora sensacional (que tinha Bob Dylan, Leonard Cohen, Jimmy Hendrix e vários outros), conseguiu agradar tanto o público cativo das hq`s clássicas como os marinheiros de primeira viagem.

O mesmo não pode ser dito da adaptação das hq`s de Hellblazer (título original das revistas com as histórias de John Constantine). O diretor Francis Lawrence (que anos depois iria dirigir mais uma adaptação em Eu Sou a Lenda) e seus roteiristas, erraram a mão e fizeram alterações que desagradaram a maioria dos fãs de Constantine. Quando se trata de uma adaptação, é comum existirem alterações para encaixar em um formato diferente, isso tudo é compreensível, mas quando resolvem trocar as localidades onde a história se passa (de Londres passaram para Los Angeles) ou a cor do cabelo do personagem (Ok, eu também não consigo imaginar o Keanu Reeves loiro, mas…) as coisas acabam soando como uma completa falta de respeito com o legado do personagem e seus fãs. Devo confessar que, além de ter gostado do filme, eu nunca cheguei a ler nenhuma revista com as histórias de Constantine. A única coisa que sei (e senti falta) foi do espírito de uma criança que o persegue durante as tramas. Provavelmente seria um detalhe pesado no enredo e que acabaria rendendo uma censura maior, ou seja, menos bilheteria. E todo mundo sabe como é que os grandes estúdios pensam…

O que poderia ser um grande filme de suspense e da carreira de Keanu Reeves (ele aparece vestindo terno na maioria das cenas e é inevitável lembrar de Matrix), acaba se transformando em apenas mais uma aventura sobrenatural e numa crítica pesada ao consumo do cigarro. E ainda com o agravante de tratar de um tema polêmico como a Biblia e sua versão do inferno. Porém o filme conta com um elenco de apoio fora de série, com destaque para Tilda Swinton, que interpreta o anjo Gabriel. Ela rouba a cena com uma atuação brilhante e angelical. Com uma participação ainda menor, Peter Stormare (o John Abruzzi de Prison Break) vive um Lucifer irônico e esfomeado. E ainda tem nomes como o de Shia  LaBeouf (em começo de carreira) e Djimon Hounsou.

Curioso é perceber que, em mais de duas cenas, a personagem Angie (Rachel Weisz) pensa que Constantine irá beijar-la. Existe aquela tensão sexual forte entre os dois personagens, mas em momento algum o filme caminha para um desfecho feliz e romântico. Eu me pergunto que tipo de demônios interiores existem na alma do personagem para ele conseguir resistir tão bravamente à uma beldade como Rachel Weisz. Talvez ele, mais que todos os personagens do filme, precise de um exorcismo…

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1 Comment

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  1. Elihimas

    15 de fevereiro de 2011 at 16:01

    O filme Constantine é bastante bom, mas tirando o fato de ser ocultista, o personagem tem muito pouco a ver com o original…
    Além de ser inglês (o que muda muita coisa) e de ser loiro (descendente de russos), o Constantine que figura na revista Hellblaser é um cara estremamente controverso e diferente.
    Ao mesmo tempo que muita gente tem alguma pendência com ele e meio que o odeia, ele é super carismático e essas mesmas pessoas acabam o ajudando, chegando mesmo a fazer alguns sacrifícios e correr riscos.
    O personagem de Keanu Reeves se mostra muito fechado. John Constantine é extremente confiante e sedutor. E jamais tiraria a própria vida. O seu problema com os Céus é por ter feito um pacto com um demônio, não ter tentado suicídio…
    Tem tanta coisa errada no filme que só vale lembrar mais uma: ele é um taradão. Até com homem já foi pra cama, o Constantine galego não deixaria passar a investigadora de jeito nenhum.

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O Telefone Preto

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A Blumhouse, produtora americana conhecida pelas franquias Halloween e Atividade Paranormal, traz uma boa surpresa para o cenário do terror mainstream em 2022 com o lançamento de O Telefone Preto. O longa dirigido por Scott Derrickson (Doutor Estranho, 2016), chega aos cinemas brasileiros dia 21 de julho e traz Ethan Hawke (Cavaleiro da Lua, 2022) sequestrando adolescentes nos anos 70.


O roteiro segue Finney Shaw, interpretado por Mason Thames (Walker, 2017) um adolescente de 13 anos introvertido e que sofre bullying na escola. Ele e sua irmã Gwen, vivida por Madeleine McGraw (Homem Formiga e a Vespa, 2018), são muitos próximos e enfrentam dificuldades em casa devido ao alcoolismo do pai, papel de Jeremy Davies (A Casa Que Jack Construiu, 2018).


Um ponto alto do filme está no carisma das crianças. Finney e Gwen são personagens com os quais nos importamos desde o ínicio, não apenas por serem crianças desprotegidas, mas por possuírem instinto de sobrevivência e superação. A amizade dos irmãos proporciona momentos comoventes e fofos em tela e, mesmo quando estão separados, a conexão entre os dois continua muito forte.


Dessa forma, ao colocar crianças como protagonistas, o diretor que também é um dos roteiristas do filme juntamente com C. Robert Cargill (A Entidade, 2012), assumiu o risco de confiar nas habilidades delas para transmitir a tensão do filme. É certo que o elenco de apoio, composto pelos adultos também atua bem, o próprio Ethan Hawke, sempre competente, porém, ele passa todo tempo do filme mascarado e, as situações mais aflitivas, são lideradas pelos atores mirins.


Na cidade de Denver, Colorado, onde a família mora, alguns garotos que estudam na mesma escola dos irmãos começam a desaparecer. Finney, ao voltar para casa depois da aula, também é pego pelo sequestrador mascarado que o leva para um porão à prova de som. No local, há apenas uma cama e um telefone preto desconectado, porém, Finney começa a ouvir chamadas do aparelho desligado.


As ligações recebidas por Finney são os fantasmas dos meninos assassinados anteriormente pelo sequestrador. A princípio, Finney fica assustado com essa interação sobrenatural, mas logo começa a se comunicar melhor com os garotos mortos e usar isso para tentar escapar do cativeiro. Nesse momento, conhecemos melhor o caráter sádico do vilão e quem foram as primeiras vítimas dele.


Além disso, a atmosfera sombria, a violência e a constante ameaça de que Finney não irá escapar de seu destino terrível, aliadas ao uso contidos de jump scares, fazem com que o suspense seja eficiente. O longa foi baseado no conto de mesmo nome de Joe Hill, filho do famoso escritor Stephen King, e, os fãs de King irão perceber várias referências e inspirações do autor de It: A coisa.


O Telefone Preto não é um filme perfeito e pode não impressionar a todos, porém, quem aprecia uma combinação entre os subgêneros sobrevivência e investigação, irá sair da sessão muito satisfeito. As jornadas dos personagens e a entrega das performances conseguem prender nossa atenção. Vale a pena conferir!

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Elvis: Austin Butler é o Rei do Rock em cinebiografia de Baz Luhrmann

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O ator de 30 anos, Austin Butler, era conhecido por participações em programas adolescentes dos canais Disney Channel e Nickelodeon e por protagonizar a série The Carries Diaries (2013-2014). No ano de 2019, além de uma ponta em Era Uma Vez…Em Hollywood de Quentin Tarantino, Butler foi escalado para viver Elvis Presley na cinebiografia Elvis (2022), de Baz Luhrmann, neste que provavelmente é o papel que colocará o jovem ator como um dos mais promissores artistas do cinema atualmente. 

Elvis, que estreia no Brasil no dia 14 de julho de 2022, a primeira vista pode parecer uma cinebiografia tradicional e, de certo modo, o roteiro segue uma estrutura linear conhecida de ascensão e queda do astro do rock. Contudo, a direção e estilo de Baz Luhrmann (O Grande Gatsby, 2013), trazem um diferencial para o filme e, principalmente, para quem é fã do diretor, elevem a experiência cinematográfica. 

Como de costume, Baz utilizou de toda sua criatividade para maximizar os eventos que ele decidiu contar. O filme é extremamente vibrante e frenético. Logo nos minutos iniciais pode-se perceber que a montagem, nada convencional,  realiza transições diferentes, mistura gêneros diferentes e potencializa as partes musicais com cortes rápidos e variações de filtros e cores em sua fotografia e figurinos.

Para acompanhar essa vibração alucinante, era preciso contar com uma performance marcante que conseguisse capturar a essência de Elvis. Levando isso em conta, Austin Butler foi a escolha perfeita. Austin é uma estrela em ascensão e, é impossível não se apaixonar por ele. Em entrevistas para promover o longa, Butler detalhou um longo processo de dois anos de estudo para fazer justiça à figura de Presley. 

A dedicação e preparo do ator compensaram bastante porque Austin Butler é o filme! Para dar luz ao personagem, além de cantar e dançar muito bem, eram necessárias atitudes e comportamentos que fossem além de imitações caricatas. Dessa maneira, o ator transmite todo o magnetismo, energia e carisma que encontramos em Elvis Presley. 

Por outro lado, o personagem vivido por Tom Hanks,  o empresário Tom Parker, que foi responsável por lançar o cantor ao estrelato, não fugiu muito de um caráter caricaturesco. Isso se deve, não tanto pela interpretação de Tom Hanks, mas sim, pelas escolhas do roteiro e direção. Ao definirem Tom Parker como um antagonista muito claro, eles o transformaram em um vilão exagerado. De fato, os abusos emocionais e financeiros que Parker praticava com Elvis, são angustiantes e  é nítido que a proposta do filme era aumentar a comoção e nos deixar revoltados com a manipulação sofrida por ele. 

De maneira geral, Elvis emociona, entretém e destaca as contribuições do ícone do rock para a história da música. Comparada às dezenas de cinebiografias que os estúdios produzem todos os anos, Elvis consegue se sobressair. O filme foi ovacionado por 12 minutos no Festival de Cannes em maio deste ano, e vem conseguindo ótimos números de bilheteria nos Estados Unidos. O sucesso do filme é merecido, vida longa a Austin Butler e Baz Luhrmann! 

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Lightyear: Buzz recruta turma de desajustados em aventura do Comando Estelar

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A franquia Toy Story é sem dúvidas um dos maiores sucessos da história do cinema, tanto no desempenho nas bilheterias quanto na aclamação da crítica e do público em geral. Um dos motivos que explicam tamanho êxito é o carisma e simpatia de personagens como Woody, Rex, Sr. Cabeça de Batata e Buzz Lightyear. Este último ganhou seu spin-off que estreia dia 16 de junho no Brasil.

Os fãs de Toy Story, provavelmente devem se lembrar que em 1995, Andy  ganhou um exemplar do brinquedo Buzz, personagem principal do seu filme favorito. Assim, Lightyear, como indica o nome, se propõe a contar a história original de como Buzz se tornou o lendário patrulheiro espacial. 

No enredo, Buzz é ainda um jovem astronauta e junto de sua parceira de equipe, Izzy, estão a explorar um planeta desconhecido, porém as coisas se complicam quando plantas hostis atacam a nave de Buzz. A tentativa de escapar do local dá errado e Buzz e a tripulação são forçados a ficar no local e elaborar um plano arriscado de fuga. 

Dessa forma, o filme percorre várias referências e alusões a clássicos da ficção científica. De fato, em sua missão para conseguir retornar à Terra, Buzz precisa encontrar uma maneira de viajar entre o tempo e o espaço.  Assim, em suas tentativas, o patrulheiro envelhece alguns minutos, enquanto seus amigos envelhecem por anos e, a cada falha de Buzz, ele se distancia da idade das pessoas. 

Além disso, esse fato traz diversos conflitos para o protagonista: Buzz se sente muito frustrado por não conseguir cumprir a missão e não consegue se integrar à nova realidade. Dessa maneira, o roteiro usa as investidas que falharam para mostrar características da personalidade de Buzz, ele ainda é muito teimoso e se recusa a aceitar ajuda. 

Todas essas qualidades são acentuadas quando Buzz se junta à uma turma de patrulheiros desajustados. Nesse momento, o protagonista precisa aprender a lidar com seus defeitos e, principalmente, a trabalhar em equipe. Os elementos de nostalgia são explorados na medida mas nunca em exager. Assim, o filme destaca valores de amizade, companheirismo e força de vontade. 

Outro momento especial que acompanhamos são as mudanças de traje do Buzz, que vão evoluindo no decorrer da história. De modo geral, Lightyear é divertido e tem personagens carismáticos que vão agradar a todos os públicos. O enredo se mantém consistente e no terceiro ato traz elementos novos mas sem grandes reviravoltas.  A Pixar trouxe uma experiência cinematográfica depois de dois anos sem lançamentos no cinema e vale a pena conferir. 

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Bombando!