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Coração Louco

Coração Louco foi o filme que rendeu o Oscar de melhor ator para Jeff Bridges. Ele interpreta um cantor de country, que além de alcoólatra, também sofre com a decadência em sua vida pessoal e profissional. Sua atuação é o que mais chama a atenção ao longo das quase duas horas de filme. Bridges se entrega totalmente com seu Bad Blake, tanto nas qualidades quanto nos seus defeitos.

O roteiro é baseado em um livro do autor Thomas Cobb e é assinado por Scott Cooper (que também dirige o longa). Conseguir construir uma história de drama sem soar apelativo não é muito fácil. Cooper realizou um belo filme, com belas fotografias e uma trilha sonora country capaz de agradar até mesmo quem não acompanha muito o estilo. Porém nada disso funcionaria se não fosse a presença forte de Jeff Bridges, que age como uma liga, conectando cada um desses elementos e fazendo com que tudo e todos girem ao seu redor. Essa força acabou rendendo fortes comparações com O Lutador, filme estrelado por Mickey Rourke e que havia levado para casa o Oscar de melhor ator no ano anterior. Fica difícil comparar os dois atores e seus personagens, mas por melhor que seja a atuação de Jeff Bridges, Rourke fez um filme incomparável. A única semelhança entre os dois filmes é que ambos contam a história de “redenção” de um homem com a ajuda de uma mulher. 

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O elenco conta ainda com a participação da sempre eficiente Maggie Gyllenhaal, que interpreta o interesse romântico de Blake. Mãe de uma criança de quatro anos e que tem a pretensão de ser uma jornalista. Maggie Gyllenhaal é uma daquelas atrizes que consegue tirar o melhor de qualquer outro ator ou atriz que contracene com ela. Uma prova disso pode ser conferida em Batman – O Cavaleiro das Trevas, quando ela substitui a inexpressiva Katie Holmes e faz o Christian Bale mostrar serviço por baixo da capa e máscara de Batman. O charme da atriz é irresistível e mesmo que ela não se enquadre em nenhum desses padrões de beleza incentivados pela mídia, a considero mais bonita (e infinitamente mais talentosa) que muitas modelos que existem por aí. Robert Duvall entra em cena apenas nos últimos 50 minutos de história, mas é o suficiente para mostrar toda sua qualidade e experiência como o dono de um dos bares que Blake costuma se apresentar. Colin Farrell interpreta um cantor de country que era aprendiz de Blake e acabou virando um grande nome de sucesso, com shows lotados e fãs insanas. Não sei qual é a ideia de sensualidade que existe na cultura country, mas não vejo um sujeito com aquele visual metrossexual conseguindo se dar bem nas noites brasileiras…

Altamente indicado para pessoas que apreciam histórias de vida e de superação, Coração Louco é um daqueles filmes que nos fazem refletir sobre os nossos excessos. Até que ponto nós podemos nos deixar levar pelo simples desejo de se manter invisível e abafar a realidade em que vivemos e os impactos de nossos problemas? Será que a solução é beber, beber e beber até engasgar no próprio vômito? E é sempre mágico quando uma pessoa do sexo oposto é a responsável por nos fazer mudar, querer ser maior e melhor. Pensar que tem gente que ainda duvida do poder do amor…

Esse filme merece três acordes na minha guitarra encharcada de cerveja do Cinema de Buteco.