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Crítica: Cidade dos Anjos (1998)

poster cidade dos anjosO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: Tem mais de 20 anos que Cidade dos Anjos foi lançado, então essa crítica pode ter spoilers sim.

PODEMOS DIZER QUE CIDADE DOS ANJOS É UM TIPO DE “PRIMO DISTANTE” DE GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA. Um primo distante mais bonito, bem-acabado, inspirado, e com uma narrativa mais eficiente sem aqueles furos grotescos do longa-metragem estrelado por Demi Moore, Patrick Swayze e Whoopi Goldberg. Afinal, o DNA dele vem do filme alemão Asas do Desejo, de Wim Wenders.

Na trama conhecemos um anjo vivido por Nicolas Cage, que se apaixona por uma médica intensa interpretada pela rainha das comédias românticas Meg Ryan. O amor do anjo é tão forte, que ele começa a considerar abrir mão de toda a eternidade e paz divina para dividir uma vida ao lado da loira.

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Pois é basicamente sobre isso que o filme fala na superfície, mas eu quero compartilhar nessa crítica de Cidade dos Anjos aquilo que entendi da obra. Existem três temas principais em Cidade dos Anjos:

1- Voyeurismo
Os anjos vivem ao nosso redor 100% do tempo observando e guiando as nossas vidas. Ainda que a onipresença claramente não signifique que os anjos estão de olho na gente até naquelas horas lá, a observação dos nossos erros, atitudes e comportamentos parece sim uma questão que gera uma satisfação em quem está cumprindo sua missão.

2- Livre Arbítrio
Quando o personagem de Cage conversa com Nathaniel, por exemplo, ouve que o grande presente de Deus para todas as suas criações foi o livre arbítrio. Ele fala que também foi um anjo e decidiu trocar tudo para viver ao lado de uma mulher, criar uma família e ser mortal.

3- Consequência de Nossas Escolhas
O livre arbítrio está diretamente conectado com as consequências das nossas escolhas. Cage percebe que está prestes a perder o amor da médica, e que precisa parar de adiar sua decisão. Ele dá um verdadeiro leap of faith (coisa que eu nunca consegui fazer na vida) e troca todas as suas garantias para viver aquilo que mais sonha.

Para o azar do nosso anjo, seu período ao lado do seu grande amor foi curto. O suficiente para sentir o cheiro do seu cabelo, o suficiente para dividir uma noite, para sentir o seu gosto e aquele frio na barriga que nos consome ao lado de pessoas especiais, mas breve. A médica sofre um acidente e morre, deixando o ex-anjo inconsolável e diante de uma grande questão:

Se ele soubesse o que aconteceria, teria tomado a mesma decisão?

Acredito que essa seja a questão que resume Cidade dos Anjos e a lição que a obra nos ensina. Não importa necessariamente quanto tempo vivemos determinadas coisas, desde que tenhamos a oportunidade de senti-las.

A trilha sonora é uma das melhores dos anos 1990 e, provavelmente de todos os tempos, mas afirmar isso seria um exagero de um fã do U2. “If God Will Send His Angels”, sequer é o tema principal de Cidade dos Anjos, mas acredito que seja uma das peças musicais mais incríveis de toda a obra dos irlandeses. Também temos Alanis Morissette e, claro, Goo Goo Dolls, com “Iris”, que você pode ouvir logo abaixo.

Cidade dos Anjos é uma dica imperdível para os cinéfilos com corações sensíveis e que não resistem a boas histórias de amor, na qual o que sentimentos é o suficiente para tomarmos decisões extremas simplesmente porque vira o nosso propósito de vida.