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Crítica de Fonte da Vida (2006)

A MORTE É UM ATO DE CRIAÇÃO. A partir do fim, podemos viver para sempre como estrelas ou simplesmente poeira estelar. Não existiriam mais limites ou preocupações com tudo que nos atrapalha diante a busca pela paz absoluta. Essa é uma das principais mensagens presentes nessa bela jornada reflexiva presente em Fonte da Vida (The Fountain, 2006), filme que nos obriga a sentir. 

Pode parecer um pouco (ou bastante) confuso, mas a trama apresenta três versões de um mesmo homem e uma mesma mulher. Enquanto um vive no passado Maia e luta por sua rainha, o outro vive no tempo presente como um cientista buscando a cura do câncer para tentar salvar a vida da esposa. Por fim, temos uma versão futurista do homem que vivia no presente, e que se tornou um tipo de monge budista flutuando até uma estrela – ou para a morte. 

Dirigido por Darren Aranofsky, a obra é aberta a interpretações e tenho certeza que por tratar de um tabu, muitos tendem a ficar confusos. Seja pela própria narrativa fragmentada ou pela história em si. A grande verdade é que poucas vezes consegui encontrar uma obra capaz de falar tão intensamente sobre o amor como é o caso de Fonte da Vida.

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Izzy é o que move Tommy em suas duas encarnações. É por ela que ele se sacrifica no passado, é por ela que ele trabalha dedicando todo o seu tempo em busca de uma solução para o grande problema que vivem. Tão grande é o amor de Tommy por sua esposa quanto o medo que ele sente da morte, algo que não entende, algo que não pode controlar.

É triste que para tentar conseguir mais tempo com sua esposa, Tommy fique o tempo inteiro trabalhando sem ficar na companhia de Izzy. Por isso, nada mais aceitável que na versão futurista (ou nos seus sonhos delirantes prestes a morrer) de Tommy faça com que ele viva dentro de uma esfera que flutua pelo universo rumo até uma estrela. Naquele pequeno espaço, a única companhia de Tommy é a árvore que fora plantada no túmulo de sua esposa. 

Aranofsky conta a sua história paralelamente. Na medida em que a narrativa desenvolve em cada um dos três arcos diferentes, vamos descobrindo um pouco mais sobre os personagens e suas motivações. Tudo feito com maestria na companhia de uma trilha sonora inspirada de Clint Mansell e da fotografia de Matthew Libatique, que capricha no close que só viria a ser superado em mãe!, quando a câmera parece querer invadir o nariz de Jennifer Lawrence.

Note como o close causa efeitos tão distintos: se em mãe!, a intenção é sufocar o espectador e mostrar uma personagem acuada, em Fonte da Vida funciona exatamente para engrandecer as emoções dos personagens (um trabalho que exigiu muito tanto de Hugh Jackman e Rachel Weisz, que substituíram Brad Pitt e Cate Blanchett) e também o público. 

Fonte da Vida é mais que cinema. É uma aula sobre a vida. Sobre a morte. Sobre o amor. É algo que nos faz pensar por dias e dias, enquanto aquece o nosso coração diante essas questões além do nosso alcance. 

Veja a crítica do filme Fonte da Vida na edição 200 do projeto 365 Filmes em um Ano no nosso canal do YouTube: