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Críticas de filmes

Crítica: Entre Irmãs (2017)

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A união e a cumplicidade são importantes conceitos em uma relação com base no amor, principalmente porque não dependem da proximidade física. O novo longa de Breno Silveira, conhecido por 2 Filhos de Francisco e Gonzaga: De Pai Para Filho, explora esses fragmentos de um sentimento que não pode ser medido. Entre Irmãs aborda temas recorrentes através da história de Luzia (Nanda Costa) e Marjorie Estiano (Emília), irmãs com opiniões e desejos distintos, mas que se apoiam, mesmo que implicitamente.

A adaptação do livro A Costureira e o Cangaço, da escritora Frances de Pontes Peebles, se passa entre as décadas de 1920 e 1930, e apresenta duas costureiras que trabalham e moram na pequena Taguaritinga do Norte com a tia que as criou. Enquanto Emília sonha em conhecer a cidade grande, o mar e um príncipe encantado, Luzia vive se menosprezando por ter um braço atrofiado. A notícia de que a região está cercada por cangaceiros mexe com a rotina dessas mulheres e provoca uma grande mudança em suas vidas.

Luzia vê a oportunidade de se poupar do sofrimento pela partida da irmã e sai da região de uma maneira que jamais imaginou. Emília, aparentemente, alcança o que tanto almejava, mas descobre da maneira mais dura que casamento não é sinônimo de felicidade e que nem tudo o que reluz é ouro. Integrada à alta sociedade de Recife, a jovem se vê cara a cara com a desilusão, ignorância, preconceito e, principalmente, uma vida de aparências. Mas nem tudo está perdido. Através de uma jovem linda, libertária e cheia de ideias chamada Lindalva (Letícia Colin), Emília pode perceber que é possível ser independente financeiramente.

Levando vidas muito diferentes e com ideais extremos, Luzia e Emília se tornam exemplos de união e de cumplicidade. Acompanhando a vida uma da outra através do jornal impresso, elas vibram com cada notícia relacionada àquela que está distante, mas que nem por isso deixou de ser querida. Diariamente, eles batem de frente com as limitações e com os preconceitos da época, sem desistir de seus sonhos.

Entre Irmãs é daquelas histórias que parecem simples e limitadas, mas que abrangem diversos assuntos enquanto o espectador acompanha a evolução dos protagonistas. A história de Luzia e Emília aborda questões pertinentes ainda nos dias de hoje, incluindo o tratamento da homossexualidade como doença e diferenças políticas dentro de um relacionamento. Tudo isso nos traz questionamentos sobre o caminho que a sociedade está percorrendo, afinal a história se passa há quase 100 anos. Isso é realmente preocupante.

Breno Silveira consegue conduzir a história com muita sabedoria, mas o elenco é a parte mais preciosa do filme. Marjorie Estiano, Letícia Colin, Rômulo Estrela (que interpreta o estudante de Direito Degas) e Júlio Machado (o temido cangaceiro Carcará) defendem seus respectivos papéis com muita competência, mas é Nanda Costa quem se destaca ao colocar todas as emoções de Luzia de maneira transparente enquanto a vida da jovem toma um rumo inesperado. Cyria Coentro, que vive Tia Sofia, também merece destaque. Seu papel é pequeno, mas de grande importância para as protagonistas, e a atriz faz um belo trabalho.

Em um ano com grandes lançamentos nacionais, com diversos temas e passados em diferentes épocas, Entre Irmãs chega como mais um bom exemplo do que o cinema nacional pode proporcionar ao cenário atual.

 

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Críticas de filmes

Lightyear: Buzz recruta turma de desajustados em aventura do Comando Estelar

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A franquia Toy Story é sem dúvidas um dos maiores sucessos da história do cinema, tanto no desempenho nas bilheterias quanto na aclamação da crítica e do público em geral. Um dos motivos que explicam tamanho êxito é o carisma e simpatia de personagens como Woody, Rex, Sr. Cabeça de Batata e Buzz Lightyear. Este último ganhou seu spin-off que estreia dia 16 de junho no Brasil.

Os fãs de Toy Story, provavelmente devem se lembrar que em 1995, Andy  ganhou um exemplar do brinquedo Buzz, personagem principal do seu filme favorito. Assim, Lightyear, como indica o nome, se propõe a contar a história original de como Buzz se tornou o lendário patrulheiro espacial. 

No enredo, Buzz é ainda um jovem astronauta e junto de sua parceira de equipe, Izzy, estão a explorar um planeta desconhecido, porém as coisas se complicam quando plantas hostis atacam a nave de Buzz. A tentativa de escapar do local dá errado e Buzz e a tripulação são forçados a ficar no local e elaborar um plano arriscado de fuga. 

Dessa forma, o filme percorre várias referências e alusões a clássicos da ficção científica. De fato, em sua missão para conseguir retornar à Terra, Buzz precisa encontrar uma maneira de viajar entre o tempo e o espaço.  Assim, em suas tentativas, o patrulheiro envelhece alguns minutos, enquanto seus amigos envelhecem por anos e, a cada falha de Buzz, ele se distancia da idade das pessoas. 

Além disso, esse fato traz diversos conflitos para o protagonista: Buzz se sente muito frustrado por não conseguir cumprir a missão e não consegue se integrar à nova realidade. Dessa maneira, o roteiro usa as investidas que falharam para mostrar características da personalidade de Buzz, ele ainda é muito teimoso e se recusa a aceitar ajuda. 

Todas essas qualidades são acentuadas quando Buzz se junta à uma turma de patrulheiros desajustados. Nesse momento, o protagonista precisa aprender a lidar com seus defeitos e, principalmente, a trabalhar em equipe. Os elementos de nostalgia são explorados na medida mas nunca em exager. Assim, o filme destaca valores de amizade, companheirismo e força de vontade. 

Outro momento especial que acompanhamos são as mudanças de traje do Buzz, que vão evoluindo no decorrer da história. De modo geral, Lightyear é divertido e tem personagens carismáticos que vão agradar a todos os públicos. O enredo se mantém consistente e no terceiro ato traz elementos novos mas sem grandes reviravoltas.  A Pixar trouxe uma experiência cinematográfica depois de dois anos sem lançamentos no cinema e vale a pena conferir. 

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Ação

TOP GUN: Maverick

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Em entrevista realizada após a exibição de Top Gun: Maverick no Festival de Cinema de Cannes, Tom Cruise disse que valoriza a experiência cinematográfica acima de tudo, enfatizando que ele faz filmes para a telona.  Nesse sentido, Top Gun: Maverick, que estreia no Brasil dia 26 de maio, é o perfeito exemplo de que o astro não mede esforços para proporcionar à audiência umas das melhores experiências nos cinemas que poderíamos pedir.

Top Gun: Maverick traz de volta, o piloto Pete “Maverick” Mitchell, interpretado por Tom Cruise, que após 30 anos servindo a Marinha Americana como piloto de testes, precisa voltar a escola de pilotos de elite Top Gun para treinar um grupo de graduados em uma missão (quase) impossível. Neste momento de sua vida, Maverick se encontra mais maduro ainda que sofra com eventos trágicos do primeiro filme. 

Um dos motivos que deixam Maverick apreensivo com esse treinamento é o piloto Bradley “Rooster” Bradshaw, vivido por Miles Teller de Whiplash: Em Busca da Perfeição, que é filho de seu falecido amigo e co-piloto Goose (Anthony Edwards). Para quem é familiarizado com o primeiro filme, Top Gun: Ases Indomáveis, sabe que apesar de Goose ter morrido em um acidente e que Maverick ainda se sente culpado. Dessa forma, Maverick e Rooster precisam resolver suas mágoas e conflitos para conseguir trabalhar juntos nessa tarefa. 

Além disso, o longa adiciona personagens carismáticos e que se assemelham em algumas características às personalidades dos pilotos de Top Gun. Isto é, em vários momentos o filme presta homenagem a esse universo, com cenas semelhantes e participações especiais. Porém, há uma melhora considerável de um filme para outro, tanto em aspectos técnicos quanto em sua carga dramática.

Top Gun: Maverick poderia ter escolhido o caminho mais fácil e colocar seu herói principal no papel de mentor dos pilotos jovens, seria algo simples e eficiente. Contudo, o roteiro cumpre o que próprio nome do filme já sugere, Maverick é o protagonista e trabalhar essa figura tão intrigante é a prioridade da história. Desse modo, entendemos porque a reputação de Maverick o precede, ele sempre se prova e acima de tudo, se supera. Como ele mesmo cita em uma das linhas de diálogos mais legais do filme, “não é o avião, é o piloto”. 

Assim, a jornada dele é emocionante de se acompanhar. Nas cenas em terra firme, as interações de Maverick e personagens importantes nunca é rasa, embora sejam rápidas, comovem. Há uma cena em especial, que me deixou com os olhos marejados.  E quando vamos para o céu com Maverick e sua turma, viramos seu co-piloto. O trabalho de som realizado aqui é de um nível imersivo que nos deixa arrepiados com todas as acrobacias. Aviso aos cardíacos e aos não cardíacos também, seu coração vai saltar muitas vezes e isso é incrível. 

Conclusão

De maneira geral, Top Gun: Maverick consegue elevar a ação e coração que é a marca registrada do filme. Ademais, reúne tudo que esperamos de um Blockbuster “raiz”, é divertido, é tocante, soube usar a nostalgia a seu favor e não como uma muleta. É possível arriscar que ele irá configurar em listas de melhores da década no futuro. Tom Cruise e sua equipe prepararam o longa para que você tenha a melhor experiência possível ao ir ao cinema. Eles conseguiram, não perca a oportunidade.  

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Terror

Crítica: A Médium (2021)

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Em 2004, os fãs de terror tiveram uma grata surpresa, o tailandês Espíritos: A morte
está ao seu lado, dirigido pela dupla Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom.
O filme não prometia muita coisa, mas entregou tudo e , dezoito anos após o seu
lançamento, ainda é lembrado e bem comentado. A saga do casal Jane e Tun,
assombrados por uma figura que começa a aparecer em suas fotos, ganhou o remake
norte-americano Imagens do além, em 2008, dirigido pelo japonês Masayuki Ochiai e
não tão bem recebido. Antes, em 2007, veio Espíritos 2: Você nunca está sozinho,
também elogiado e marcou a última colaboração entre os dois cineastas. Depois de anos
longe dos cinemas brasileiros, Banjong Pisanthanakun está de volta com A Médium,
terror que aborda xamanismo, found footage e heranças de família.
A história começa com Nim (Sawanee Utoomma), uma médium que explica como e por
que desenvolveu a sua mediunidade. Ela domina bem o assunto e dá detalhes do que é
permitido, sagrado e que deve ser respeitado. Enquanto isso, sua sobrinha, Mink (Narilya
Gulmongkolpech), passa a se comportar de maneira estranha e dá indícios de que está
sendo possuída. É importante salientar que a mediunidade está presente na família de
Nim há gerações e é sempre “passada” para um dos filhos. Nim, a princípio, não seria
médium, mas a sua irmã, mãe de Mink, não aceitou o dom no passado, então Nim teve
que assumir essa missão.
O que vem a seguir é uma sequência de descobertas acerca da família e de forças
mediúnicas, deixando de lado a já conhecida abordagem de possessões quando a ideia
é baseada no cristianismo. Aqui há muito mais a ser conhecido, e Nim passa a questionar
se o seu conhecimento e sua força serão o suficiente para conter o que, supostamente,
está dominando a sobrinha.
A transformação de Mink acontece aos poucos e Narilya Gulmongkolpech consegue
passar a energia de quem está sendo devorada internamente. Ao mesmo tempo em que
segredos de família são revelados, ela cede ao que quer dominá-la.
A expectativa por um novo filme de Pisanthanakun não era tão alta, mas seu nome
carrega o respeito conquistado pelos trabalhos dos anos 2000. Ele consegue trazer um
pouco do que o público queria, mas o espectador já não é o mesmo de 2004, agora ele
quer mais do que lhe foi dado no passado e Pisanthanakun não consegue sanar essa
ânsia por surpresa.

A Médium consegue, assim, prender a atenção do espectador. Seu horror não surge de
maneira óbvia, mas se rende a alguns momentos tradicionais do gênero. O filme diverte,
porém não atinge o que os filmes anteriores do cineasta atingiram: impacto, debates e
discussões a respeito. Mesmo depois de ficar impressionado no cinema, não vai ser
difícil ter uma noite tranquila de sono.

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Bombando!