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Crítica: Pegando Fogo

Pegando Fogo crítica

Adoro filmes sobre culinária, ainda mais quando os ingredientes incluem um elenco de alto nível, uma história comovente e pratos de abrir o apetite. É isso que Pegando Fogo (Burnt, 2015) dá para a gente: uma receita deliciosa para uma sessão de cinema imperdível.

O longa vem um ano e meio após o ótimo Chef (2014), de Jon Favreau. Só que, ao invés da comédia e uma comida, digamos, mais rotineira, temos aqui um drama sobre um gênio arrogante e difícil, que comanda a cozinha de um restaurante caríssimo. Ou seja, entramos no mundo de quem tem a chance de deliciar-se de pratos de preços exorbitantes, em locais chiques e frequentados pela classe A. Não deixam de dar água na boca, é claro; o detalhe, a busca pela perfeição na hora de montar uma refeição e encontrar os ingredientes perfeitos são cenas constantes vistas na tela.

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Junto da culinária o foco do filme de John Wells é a vida de Adam Jones (Bradley Cooper). O homem é bom, determinado e extremamente esperto, mas também sofre com o seu temperamento à flor da pele, o qual lhe faz maltratar quem trabalha para ele e quem está à sua volta. Sua constante procura pela terceira estrela Michelin apenas torna as coisas mais complicadas. Até mesmo Helene (Sienna Miller), ajudante de cozinha que ele convence a se juntar à sua equipe em Londres, ele quase chega a machucar fisicamente por uma noite no restaurante que deu errado (sem contar os pratos quebrados).

Falando assim parece que Jones é um monstro e difícil de gostar, mas não é bem assim não. Inicialmente, admito que odiei o cara. No entanto, à medida em que o conhecemos melhor, o seu passado conturbado, a paixão pela culinária adquirida desde pequeno e o trabalho esforçado quando ainda estava começando sua carreira em Paris ao lado do futuro rival Reece (Mathew Rhys) e Michel (Omar Sy), entendemos o seu comportamento e quase temos um choque no clímax do filme. Eu pelo menos levei um enorme susto; susto que ajudou a me mostrar quem é Adam Jones e a me conectar com ele eventualmente.

Os coadjuvantes estão excelentes, sem exceção, mas quem rouba a cena são Tony (Daniel Brühl) e Helene. Ele por encorpar o simpático e delicado maître brilhantemente, dando ao mesmo o humor e seriedade que o longa precisa. O seu carinho por Jones fica claro desde o começo e nós nos apaixonamos por isso. Em alguns momentos, Brühl nem precisa dizer nada, ele apenas olha e está tudo claro em sua expressão.

Miller, por sua vez, teve agora a chance de interpretar o par romântico de Cooper de maneira mais completa, com mais espaço no enredo e detalhes sobre sua personagem. O relacionamento com a filha ficou bastante doce, por exemplo. A pequena tem ainda uma cena hilária com Jones quando ele lhe dá um bolo de aniversário de tirar o fôlego e eles, obviamente, batem de frente e se dão bem minutos depois.

Pegando Fogo meio que traduz o tema do filme e a personalidade de Adam Jones. O que vemos aqui é a história de um chef completamente apaixonado pelo que faz e que quer provocar nas pessoas “orgasmos” com sua comida, custe o que custar. Isso fica explícito o tempo todo e nos envolve como consequência. Wells soube apresentar uma dinâmica eletrizante, até mesmo com nas breves participações de atores como Uma Thurman, Emma Thompson e Lily James.

 

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